Um conto de Natal

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


Oi pai!
Desculpa lhe dirigir a palavra assim de forma tão simplista, a verdade é que, depois de tantos natais sem nos falarmos, tudo que restou dessa nossa relação oi essa falta de jeito.
Não! Minto meu pai.
Além disso, ainda me resta as memórias embrulhadas em fotografias e objetos guardados em armários. Eu nunca os toco, é outra verdade, ainda tenho medo dos fantasmas desses armários e fotografias. O senhor deve saber que é justamente em noites de natal que eles resolvem sair, não é mesmo?

Faltam poucas horas. Para o natal, eu quero dizer e é justamente por isso que estou aqui.
Vim para exorcizar todos eles. Me cansei de nutri-los com minhas lágrimas, me cansei de covardemente me esconder em sorrisos falsos ou desculpas tolas, pai.
Depois daquela maldita noite de 25 de dezembro, em anos, nada foi o mesmo.
Lembro que quebrei, com nossa briga, não só algumas louças e objetos, quebrei, ou melhor quebramos também aquele velho espírito que parece cada vez mais raro nas pessoas e era tão bonito de ser ver em nossa família.
Meu coração também não sobreviveu.
Sempre tivemos nossas diferenças, mas aquilo tudo foi de mais.

Trouxe seus netos aqui comigo, estão um pouco afastados. Eles nunca entenderam e confundem com desprezo meu medo do natal. Creio que essa noite será diferente.
Nunca disse que te amava. Dane-se! Eu poderia ao menos ter demonstrado, como tardiamente estou fazendo agora.

Quantas famílias se separam em noites como essa? Quanta dor é partilhada no lugar do pão e do sorriso? E qual o custo disso em tempo?
Desculpa meu pai. Mesmo que tardiamente, desculpa, mas hoje vou sentar com minha família à mesa e vou ser a pessoa mais feliz desse mundo, a despeito de qualquer lágrima derramada.
Vou junta minhas mãos e o que restou de meu coração e farei uma oração para o senhor, e enquanto eu viver será assim, meu pai.

Faço isso também porque não quero ver meus filhos vindo até a minha lápide com tanta dor no coração e fantasmas na cabeça.

Alguém disse, meu pai, que o ultimo cristão morreu na cruz.
Acho bem possível, mas não custa tentarmos.

O Adeus (causo do menino que crescia)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Deitei minha cabeça sobre o peito já nu há algum tempo.
Ouço um sussurro dizendo “não, deixe eu ir”
Mas eu não estava a segurando, não com meus braços.

Interessante que não queria àquela altura nada que abrandasse meu coração, queria tormenta, queria a fúria no olhar e lábios trêmulos de cólera. Ergui a cabeça que tinha encontrado casa naquele seio moreno e vejo que não teria o que queria.
Respirei fundo e mergulhei igualmente fundo no olhar dela que pairava acima de minha cabeça.
Eu a odiei, foi por um segundo ou menos, mas eu a odiei. Ela era muito superior a mim e seu olhar transmitia isso, seus gestos, seu corpo retesado naquela cama, nu e exalando sexo, tudo estava acima de mim, inclusive o sentimento que nutríamos um pelo outro, meu amor era só um mimo para meu ego.

Vagabunda.
Foi o que pensei na hora e não havia justiça nesse meu pensamento.
Ela afagou minha cabeça enquanto ainda olhava pra ela e ali me senti como um cachorro abandonado, sabem?
Assim, por dor e raiva, desci com minha língua ao meio das pernas daquela mulher e mergulhei nela o mais fundo e rápido que pude naquele sexo que antes era só fonte de prazer.
Fiz isso porque sabia que sexo aquela altura machucaria sua alma e lembrava que ela mesma havia dito que “gosto de você, mas não podemos ficar juntos”.

Sim fizemos sexo mais uma última vez e só depois de alguns anos, quando atingi a maturidade que aquela mulher já possuía, percebi que o que a incomodava não era o sexo como despedida e sim a lança que eu mesmo apontava contra meu peito.
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Esse é meu post de número 100 e como tal quero oferece-lo como agradecimento e homenagem a todos aqueles que vêem aqui e me fazem companhia.
Gente que aprendi a admirar e passei a gostar como se fosse um amigo próximo, porque amigos eu já os considero.
Que todas as alegrias sejam multiplicadas por 100.
Em especial á vocês:
Carla M
GilGomex
Barbarella
Laila
*.*Allegr!a*.*
HoneyBee
Marcelo
Larissa
Sam
Staphanie
Nina
Bruno
Arlequim
Ju carvalho.

Obrigado a todos vocês.

Domingo no Internacional.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Eu sou do tipo aventureiro, gosto de emoções fortes, brincadeiras perigosas, nunca dispenso um cocktail de adrenalina.
O problema é que por vezes me falta algum dinheiro para, digamos, dar um toque de sofisticação a esse meu lado James Bond, convenhamos nem sempre dá pra pular de para-quedas, fazer um Rapel ou mesmo me arriscar na Algusta aqui em Sampa com uma camisa escrita 100% negro.

Nessas horas que para aplacar minha sede sangue e glória resolvo fazer a única coisa plausível para um bandeirante como eu. Sigo até o shopping INTERNACIONAL DE GUARULHOS.
Sim meus caros. Uma vez dentro dele terá momentos inesquecíveis como se fosse nada mais é que uma personagem de cinema, envolto em emoções, corajoso, audaz, tendo que tomar a melhor decisão que levará o grupo ao qual lidera pra fora daqueles labirintos de loucura e lamentos.

Claro! A primeira vista parece com um shopping qualquer, cheio de som e fúria, a não ser pelo nome que nunca foi justificado, talvez por inveja do aeroporto local que se chama Aeroporto Internacional de Guarulhos, tenham também lhe dado o nome de Internacional e a não ser por umas pinturas mal feitas de pontos turísticos famosos e de uma casa de câmbio vazia, não vejo nada de internacional.
Mas nos apressemos para a aventura.

Na entrada somos recebidos com uma fonte que jorra litros e litros de água ao sabor do vento, molhando os desavisados, logo a frente portas de vidro que se abrem e fecham como por mágica, bastando somente nos aproximarmos.
A travessia pela estrada da fonte até suas portas mágicas é calma, mas no primeiro segundo dentro de suas dependências, podemos sentir a força daquela construção e o que nos espera logo a frente.
No hall de entrada vemos duas escadas que se movem no sentido oposto, a que leva pra cima costuma ser guardada por duas beldades sorridentes e de corpo escultural.
Malditas sejam!
Eu, cauteloso que sou, observo um humano que, atraido pelos encantos das beldades, ou mesmo empurrado pela necessidade de subir as escadas, perigosamente se aproxima de mais. O que se segue é além do terrível para que qualquer língua mundana possa descrever, lamento ser eu portador desse fardo. Elas o cercam sempre sorridentes, fechando o cerco sem ao menos dar a chance para a vítima pensar no que acontece, o medo deforma seu rosto quando uma delas mostra o emblema do Mastercard, já é tarde de mais para ele.
Mais que depressa viro meu rosto e sigo na direção norte no primeiro entrave a esquerda, meus passos rápidos não me deixam ver a placa que diz:

MAcDONALD'S.

Esse sentido nos leva a um largo corredor onde vemos vitrines com roupas femininas de um lado e mulheres com olhos arregalados e brilhantes do outro. Parecem dominadas por algum tipo de encanto, pouco falam, nada ouvem. Seus parceiros em vão tentam empurra-las pra fora daquela área mas desesperados percebem que não é possível, alguns choram quando vêem suas mulheres saindo com sacolas e sacolas das lojas.
Por todo o lado se ouve e vê o mantra de adoração em letras garrafais:

OFERTA. 50% OFF. LIQUIDAÇÃO.

Sigo em frente. Procuro, tentando me desviar sacolas e entregadores de papeis, o segundo par de escadas que me levara para o topo daquela construção, a direita da saída do corredor da liquidação feminina eu as vejo, gêmeas de personalidade diferentes, uma desce outra sobe.
Mas para alcança-las eu teria que enfrentar um grande obstáculo: o CHOPP TIME.

O Chopp Time e um tipo de taverna moderna com bebidas caras e fora da realidade e da cotação de qualquer moeda, onde os bravos guerreiros que conseguiam chegar ali poderiam se embebedar e assistir a algum jogo no telão, tentar alguma coisa com as damas locais ou ouvir musica ao vivo.
Como eu, depois de tudo que tinha passado poderia resistir àquele oásis? O problema é que minha aventura poderia acabar ali se não conseguisse resistir, meu fim seria sóbrio e sem dinheiro.
Respirei fundo e a passos cuidadosos tentei seguir sem olhar mas sabendo que ao lado tinha uma tentadora foto de um chopp, espumoso e gelado me convidando de dentro de uma caneca segurada por uma daquelas gostosas de comerciais, dizendo:

- Idiota! Não está vendo que sou uma gostosa com um chopp na mão? Do que mais precisa pra gastar toda sua grana aqui?
Eu sorria. E quando já estava, cego, seguindo em direção ao bar um alarme horrível soou, tão diferente e grotesco que fui despertado do transe.
Tentando entender o que acontecia e procurando com os olhos o inimigo dos meus ouvidos, vejo bem perto de mim as gêmeas. Era minha salvação. Corro.
Atinjo com pés pesados os degraus, na metade do caminho vejo a fonte daquele barulho que havia me despertado do transe, era um dupla de cantores sertanejos que fazia um apresentação ali.

Abano a cabeça e olho pra cima. O que vejo me aterroriza. Meu coração entra em disparo, meu desespero é tal que penso em voltar na contra mão da escada. Não é possível.
A traiçoeira escada me leva direto a ela. A terrível ZUKEN CO.


continua...

Pausa na programação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A quem possa interessar.

O Sarge esta em recesso.
O juiz desse encantador lugar está deliberando com os arquitetos do destino sobre o que fazer em seguida, quando a vida, assim de repente, muda o jeito de se comportar.

Prometo voltar a carga pela segunda.

A quem possa interessar.

Do amor (e outras invenções)

terça-feira, 11 de novembro de 2008


“Cara me diz ai porque é tão difícil lidar com mulher?”
Parei de comer aquela droga de comida que meu amigo tinha acabado de preparar, olhei pra fuça dele e vi mais uma vítima de qualquer paixão.
Devia me vingar por ter me feito de cobaia, mas pensei melhor, afinal de contas, consola-lo ia doer mais:

“Diz logo, qual é o problema?”.
Ele então desiste de cometer o suicídio ao comer aquilo que ele mesmo produziu no fogão, coloca o prato de lado, abre uma cerveja e derrama o verbo.

“Imagina a cena! Cheguei ontem na casa da Sueli, todo amoroso, louco pra beijar e sentir aquele corpinho dela deslizar entre meus dedos, a chamo no portão, ela manda entrar, corro pra dentro e o que encontro me deixa muito cabreiro”.

Estico o braço e abro uma cerveja também. Não consigo conter o sorriso de sarcasmo, provavelmente o cabeção encontrou um outro macho rondando o território e ficou todo ouriçado. Ri.

“E ai? Tinha alguém querendo demarcar o território lá também?”.
Faz cara de quem não gostou.

“Tão ruim quanto. Ela estava com aquela cara de quem está pronta pra discutir a relação, sabe?”.
Faço uma careta e ele concorda.
Penso comigo mesmo, porra, porque é tão difícil pra nós homens discutir a relação? Talvez seja porque não discutindo agente acaba enterrando os problemas dele em baixo do tapete, ou porque na maioria das vezes se torna um monólogo feminino e acabamos percebendo que, ou ela ta namorando outro cara, ou temos uma visão totalmente diferente da mesma situação. Ai nos dois casos o pau quebra.
Ele continua. Eu abro outra cerveja.
“Então... fico olhando a cara dela e tentando farejar o perigo, sabe, como um animal à espreita, tentando rever na minha mente alguma mancada que tenha dado e que por ventura ela, com aquela mania feminina de descobrir as merdas que agente apronta tenha, sabe... descoberto tudo”.
“Sei”.
“Bem, passou muita merda na minha cabeça e ela não dizia nada, então lancei mão de uns artifícios que na guerra do sexo são armas poderosas, primeiro elogiei seus cabelos e perguntei se havia mudado algo”.
“Seu verme” disse isso pensando que agente nunca faz nada direito e quando temos a chance de consertar as coisas, então ai sim, fazemos mais do mesmo, ou seja, merda.

“Eu sei, eu sei. Mas sabe de uma coisa? Não adiantou de nada, ela só fez dar um sorriso amarelo, dizer não e continuar com a carranca armada”.
“Parti então para o próximo ataque. Me aproximei dela e lhe fiz algum carinho, a beijei ali e aqui, enquanto perguntava se estava tudo bem, o que tinha acontecido, eu suava frio, sabe, a casa tinha caído eu fui o último a ser avisado”.
Olhei pra ele e imaginei a cena. Nos fazemos de forte, brigamos na rua, trocamos pneus de carro no braço, mas quando uma mulher faz cara de brava viramos umas criancinhas com medo da injeção e o medo se instala.

“Mané! Fala logo o que ela tinha, até eu estou curioso agora, aprontar com certeza você aprontou, não faz outra coisa mesmo”.
Ele aponta pra geladeira e pede pra eu pegar outra cerveja.

“Vou dizer, mas se prepara. Como disse o medo em mim já tinha se instalado, você me conhece, já dei todos os motivos praquela mulher largar de mim, mas se ela fizer isso eu tenho um treco, choro que nem criança, e peço pra voltar mesmo. Como eu não queria que a coisa chegasse a esse pé, entrei em pânico.
“Olhei pra ela e pensei em toda a bagunça, as farras, amigos e mulherada, me deu uma dor, pensei comigo, filho da puta valeu a pena?”.
“Valeu”? Disse isso dando risada.
“Cala a boca! Naquele momento só me restava uma coisa, abrir meu peito de dizer tudo, o quanto sou canalha e mulherengo e o quanto estava arrependido, foi quando peguei nas mãos dela e me preparei”
Acho que tinha bebido demais. Não podia estar ouvindo aquilo.

“E ai, conta logo!”.
“Bem ela me interrompeu quando estava abrindo a boca, olhou pra mim do jeito mais doce do mundo que se fosse diabético teria caído duro ali mesmo e o que ela disse você não vai acreditar”.
“Se você parar de enrolação e contar quem sabe”.
Tomou uma golada da cerveja. Riu e ...
“Cara! Ela olhou pra mim e me disse (fez um falsete com a voz aqui) “diz que me ama. Estou precisando ouvir isso, estou me achando tão feia hoje “cara eu não acreditei nisso”.
“Então quer dizer que toda a carranca dela era só hormônios ou coisa assim?”.
“Era”
“Mas e aquele papo de arrependido e tal, não mudou nada em você?”.
“HAAA! Aquilo. Bem sim, estou diferente sim, mas essa conversa eu deixo pra depois, sabe como é, vai ter uma festinha na casa da Leila e preciso da uma história pra Su”.
Que filho da puta!

Coro dos Escravos

terça-feira, 4 de novembro de 2008




Não há esperança para os fracos naquele terra. Triunfa a desordem e floresce às primaveras o medo e a angustia, se há o riso, ele nasce do desespero.
O sol nasce glorioso nos céus daquela terra, enquanto marcha em ritmo forte, homens e mulheres, semblantes sulcados pelos raios, pela esperança e sobretudo pela imposição da vida.
Não há esperança para os fracos lá.

Os jovens daquela terra desdenha do passado e se apóiam na inconsistência do futuro que ajudam a desconstruir.
Fraquejam sem esperança.

Os pensadores daquela terra montam seu altar em caixas televisivas, intelectualizam o preconceito, manipulam com o chicote das grandes corporações em riste, sempre pronto a punir a próxima revolução. São fracos e cínicos, sufocam com o próprio suor que goteja com sua culpa.

Não há esperança para os fracos naquela terra. Mas há os escravos dos dias e do tempo.

A eles há a glória pela busca por dias melhores e acreditam, mesmo que tácitamente, que não há honra na morte sem luta.

Os fracos! Os fracos de cima de suas muralhas de vidro e concreto, arranham o céu, mas não a face do Deus dos escravos lá em baixo.
Os escravos apesar de cegos, não se fazem de mudos, entoam o coro tão forte que há de abalar as estruturas das torres que abrigam os fracos, há de vergar o aço mais resistente e há de um dia despertar do berço esplêndido o gigante adormecido das américas.

Só espero que os jovens dessa terra despertem.

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A escultura acima se chama Gloria Victis, de Marius-Jean-Antonin Mercié.

Eu me esqueci de mencionar: O nome que da título ao texto(Coro dos escravos) é de uma ópera de Giuseppe Verdi, linda, majestosa e emocionante, vale a pena conferir nos youtubes da vida.

Pausa para o café.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ellen, agradeço intensamente pelo carinho e presentes ofertado a mim:



Quero repassar o agrado a um blog que conheci pouco tempo mas que me fez perder algumas horas lendo tudo que está, é ele:

BELEZA DO SER
Também sei que deve estar cansativo dona Carla M mas são pra você também :)
Até.

Receita de Felicidade

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


...então eles viveram felizes para sempre.
O velho fechou o livro e olhou para o garoto na cama sabendo muito bem que ele não havia dormido:

- Vô? Todo mundo que se casa vive feliz pra sempre?

O velho ali sentado traça mais uma ruga em seu rosto quando ri da questão:

- Não Igor, alguns são felizes por bem pouco tempo.

O garoto olha ainda interrogativo para o avô, se ergue na cama e solta:

- E você e a vó são "feliz" pra sempre?

Aquela pergunta feita tão despretensiosamente, de súbito o envolve em um redemoinho de lembranças que logo o leva ao dia em que a conheceu.

"Posso me sentar aqui, senhorita?"
Tinha um frescor, uma juventude, um sorriso tão belo.

A cena se vai, a onda de lembranças arrebenta forte em sua cabeça, voraz, e logo esta ele em outra ocasião, anos depois no namoro.

"Não vê que eu te amo, Marina?"
"Eu te odeio, Jorge!"
Por que foi mesmo que brigamos...

Não há tempo pra resposta, o turbilhão logo o leva ao dia exato de seu casamento, horas antes.

"Jorge, esquece ela, vem comigo"
"Não Inês, é ela que escolhi, além do que ela espera um filho meu"
"Pode beijar a noiva"

Rápido como uma brisa noturna mais um pensamento lhe assalta.

"Estamos ferrados Marina, eu fui demitido"
"Tenha fé Jorge, vamos conseguir"

Com um estalo ele se lembra do tapa que desferiu no rosto dela, os garotos já grandinhos assistiam a cena assustados.

"Marina... me desculpa... eu."
"Vou levar as crianças pra minha mãe"

Nunca se perdoou por aquilo.

"Jorge, vamos, vai se atrasar para o casamento do seu filho!"
"Já vou amor, você sempre me apressa."

E mais e mais memória.

"Nosso neto nasceu Marina!"
"É Jorge, temos uma familia linda."

Aos poucos ele ouve a voz do garoto suplicante:

- Vô, vô, vô...

Ele volta do redemoinho:

- Talvez você não entenda agora Igor, mas eu e sua vó fomos tão felizes quando nos permitimos ser.
Agora vai dormir.

Boa noite, vô.

A mão que balança o berço(Causos do menino que crescia)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Lembro a forma cuidadosa como estiquei a toalha em cima da mesa e como que, com alguns gestos de mão, espanava uma ou outra sujeira imaginária que havia por ali.
Lembro também que àquelas mesmas mãos horas antes castigavam uma massa que logo seria nossa refeição.
Minha falta de maturidade me fazia sentir homem grande, afinal de contas eu tinha preparado aquele almoço sozinho, sabe, coisa de homem moderno e dedicado a mulher com um leve toque de romantismo. Engraçado pensar nisso agora.
Voltando mais um pouco, penso nos anos anteriores ao daquele almoço, quando nos conhecemos, muito tempo antes alias. Eu tinha os pés descalço e jogava bola com os amigos, nas ruas por asfaltar de minha casa, ela era só uma garotinha que fazia pose de mulher crescida e olhava aqueles pirralhos todos com ar de desgosto.

Exigiu mais de mim que dela estarmos dividindo aquela mesa, de vê-la sorrir, surpresa com tudo, de sentir que ela estava orgulhosa seja lá com que fosse ali.
Não digo sobre o preparo da comida, mas falo do percurso até ela.
Tive que aprender dia-a-dia todas as verdadeiras malícias da vida, tive que deixar os pés descalços no pretérito e transformar as confusões que gostava tanto de entrar em histórias de mesa e de amigos.
O mais difícil e talvez a lição mais valiosa que ela exigiu de mim foi no ato de aprender a chorar. Eu tive que parir essa habilidade, doeu, como dói o nascimento do novo e como um rio rompendo uma barragem eu o fiz, tentando vencer a vergonha e ao mesmo tempo descobrindo que não era vergonha nenhuma chorar por algo que ser quer.

A conversa naquele dia foi bem leve a não ser por um momento, me lembro.
Falávamos sobre fazer ou não faculdade, sobre os amigos de infância, sobre temperos e o fato de elas se sentir constrangida por eu (segundo sua bondade) cozinhar melhor que ela.
Uma fatia daquelas palavras ainda reverbera em minha cabeça:

- Sabe que você pode ser melhor que tudo isso, não? - sua voz ali era de pesar
- Sabe que não gosto quando fala assim, como seu eu fosse melhor do que apresento.
- Mas sabe que tem potencial pra ser, tem tanta inteligência no planejamento, só falta disposição para execução.

Eu realmente odiava quando falava assim comigo, me sentia como uma criança que faltou à alguma aula.
Acontece que crescer dói e tratamos os agentes do crescimento como algoz.

- Ta bom! Ta bom! Sei que tenho que melhorar alguns aspectos da minha personalidade, mas não quero estragar esse dia falando de mim - rimos alto e todo o peso da conversa se foi.

Tenho muitas saudades dela, pois, em alguma curva mal feita de nossas vidas fomos separados, ela e eu fomos indo de vagar até cada um sumir no horizonte do outro.
Costumo imaginar como ela esta, se tem filhos, se terminou a faculdade comprou uma casa algum lugar e dorme mal por causa das dívidas.
Se ainda se lembra de mim.

Eu mudei muito desde que nós vimos pela última vez, e ela foi parte no processo, só lamento dizer que uma coisa não mudou, cozinho tão mal quanto antes.

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Agradeço a gentileza de duas pessoinhas muito bacanas que me presentearam cada uma com um selo, são elas a Arlequim e minha nova velha amiga Barbarella.
Agradeço sempre a presença das duas aqui.
Eu os ofereço a todos da minha lista de blogs ai ao lado, sirvam-se, está la em baixo. :)
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Quero oferecer esse texto a minha doce amiga TG, amigas das horas tardias e fã dos causos do menino que crescia.
A você com carinho.

Carta de amor às avessas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


"Sabe que quando te vi pela primeira vez te achei meio pedante?" - disse isso de repente, como se cuspisse um remédio amargo.

Ela se revirou na cama de forma brusca, embrulhou o cenho numa careta, e para sua própria surpresa riu dizendo:

"Não sabia Marcelo! Ma eu sei de uma coisa, também te achei estranho, se vestia como um ator para um papel de cafetão" - risadas.
"Que isso! Não era tão ruim assim! Lembro de nossas primeiras palavras, eu te olhava nos olhos, e você fugia, tentando fazer um ar blasé e eu pensava: "que chatinha"."
"Que bobo! Eu não fugia de seus olhares à Robert de Niro, eu na verdade estava fugindo do seu hálito, não sabia naquele momento, mas agora sabe, eu detesto menta"
"Nos beijamos naquela mesma noite, não foi"? - se mexe na cama e a olha de forma terna.
"Sim e lembro que apesar de estar meio alta, conseguia dar combate as investidas de suas mãos."
"É verdade, mas apesar de sua luta, bem que estava gostando" - afaga-lhe a cabeça.
"Estava mesmo, mas poderia ter se saido melhor, se fosse mais perseverante" - risos.

Por uns segundo eles se olham perdidos na luz um do outro! Cada qual desconhecia os pensamentos e aflições de cada, que contribuiriam para que nada daquilo estivesse acontecendo, para que ambos não estivesse dividindo a mesma cama. E apesar de todas as querelas existências que desafiam o ser humano e que prega, por vezes, de forma bem sucedida a devoção ao cinismo e a descrença no amor, estão ali, dois sobreviventes que colhiam o fruto, hora doce hora amargo, das escolhas que fizera.
Ele se lembra, agora com ar de coisa passageira, as renuncias que teve que fazer e que por tempos levou a baila da duvida se realmente valia a pena.
Ela, naqueles segundos de conversa boba, se inundava com as memórias, que não sabia à época, eram uma afronta a sua felicidade futura, nunca a todo momento presente, mas sempre recorrente.
Duvidou daquele homem, por todos os defeitos que se assomavam as vistas, mas apostou nas qualidades que teve que cavar e tirar proveito.
O mesmo ele fez, e mesmo nas horas de tempestade, que por vezes balançava o mundo de ambos, que na verdade era um mundo só, não tinham duvida, deram cada passo certo, mesmo quando em estradas erradas.
Exatamente por isso terminavam aquele papo de fim de noite, com sorriso e afagos, sabiam terem feito as escolhas certas, e viver é deixar as renuncias pra traz.

"Vou ser perseverante agora"
"Não! Estou com dor de cabeça"
"É por isso que te amo. Não sabe mentir"
"É por isso que te amo. Se engana fácil" - risos e fim de noite.

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Quero agradecer a Raquel do http://devaneioseloucuras-raquel.blogspot.com/ pela visita pelo presente e palavras.
E dedico o selo "Blog DE OURO à Carla M, ao Tyler, ao Gil, e a Tâmara do Intimidade.
Obrigado a todos vocês sempre. ( o selo tá lá embaixo)

Minha Geração

sábado, 11 de outubro de 2008


Querido Papai Noel!

Em primeiro lugar foda-se que não seja natal e nem mesmo Dezembro, não ligo a mínima pelas imposições feitas por essa sociedade capitalista de merda ao qual o senhor é um símbolo majoritário, eu só quero poder viver sob a bandeira da pobreza, sob ideais socialistas com amigos socialistas que se socializam sob o efeito de alguma bebida alcoólica cara, o problema que pra isso eu preciso de algum dinheiro e se tivesse dinheiro não estava aqui falando mau da capitalismo, não é mesmo?

Não se iluda homem de vermelho! Não sou um vendido como dizem por ai. Sou um negociador que joga pesado, acontece que o problema esta com essa modernização da porra da sociedade, onde ninguém respeita as velhas tradições e quando tentei vender, ou melhor, negociar minhas velhas ideologias aos homens de frente, sabe o que fizeram? Me deram em troca uma carteira assinada e 8 horas de serviços diários e ainda por cima me proibiram de entrar na empresa com minha camisa do Che Guevara por ser partidária de mais. Filhos da puta! Paguei 20 reais por ela e nem posso exibi-la por ai, acham que é barato ser anti toda essa porra!

Eu sei que vai ficar contente ao saber que após aderir a todas as greves as quais algumas eu fiz em carreira solo (povo desunido!) fui sumariamente expulso das corporações "QUERO SUA ALMA".
Ria à vontade, mas saiba que saí de lá de cabeça erguida e 100 pratas no bolso, fruto do minha tentativa em mudar a humanidade. Com esse dinheiro financiei minha guerra.
Comprei uma camisa de uma banda punk que nunca tinha ouvido mas parecia agressiva e um violão usado e armado sai às ruas compondo meus hinos de liberdade.

Mais uma vez a merda da humanidade não estava preparada para aceitar o que eu oferecia e o mundo livre mais uma vez me tolhia a liberdade. Debaixo de porrada dos PMs (opressores, eu pago o salário deles pra eles me baterem!) tive que recuar com meus planos.
Seu velho desalmado! Saiba que enquanto lê essa carta eu estou fazendo seu jogo, mas é por pouco tempo, voltei a casa do meu pai e aceitei o trabalho sujo que me ofereceu, em troca só preciso aceitar que ele me pague a faculdade e assistir algumas aulas depois de fumar uma erva.
Logo mais estarei a frente dos seus negócios, quando se aposentar, e veremos quem vai escrever pra quem pedindo um violão novo, seu filho da puta!


Carinhosamente "Minha Geração"
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Quero agradecer a minha querida amiga Carla M DosCrimes pelo selo que me presenteou e para Anne O do infelizmente extinto Crônicas no Divã.
Meu sempre obrigado pelas visitas.
Quero repassar o selo "ESSE BLOG É INTILGENTE" que está laaaaá em baixo para o "de uma leveza insustentável" da Stephanie e para o Palavras Nuas.

Até

Cada qual no seu papel

sexta-feira, 3 de outubro de 2008


-Sabe? Acho que nosso casamento acabou!

O homem sentado no sofá que até então mantinhas os olhos presos a tv, resolveu se mexer.

-Espera um pouco, deixa eu tirar do futebol porque porque parece que vai começar um drama dos bons.
O porta-retrato ela tinha nas mãos se desprendeu como por vontade própria, o barulho o assustou:

"Essa merda toda está nos matando- começou, voz firme- cansei de me derramar em poses e de me fazer de boa dama. Eu não sou dama.
Cansei de ser confundida com um mausoléu de luxo e aceitar com sorriso de porcelana suas flores comemorativas, de ser boa mãe e dona de casa.
Como uma boneca, me travesti das melhores roupas que sou gosto concebia. Seu gosto maldito!
Nunca me reconheci em nenhum dos espelhos que quebrei e que me custaram dias de terapia, se lembra?
Cansei de fingir estar ofendida com os olhares famintos de seus amigos canastrões, e de conter minhas mãos que, donas de si, procuravam meu sexo, seu grande filho da puta.
Ha! Me desculpe... mas me cansei disso também, de lavar a minha boca nas águas sagradas da sua vergonha e aparência e pedir desculpa a cada palavreado feio.
Cansei dos seus presentes caros carentes de carinho, cheios de luxo cheirando a lixo. Você poderia me dizer que sempre tive tudo que uma mulher sempre sonhou, mas no fundo eu nunca fui uma mulher.
Não me olhe assim! Não se faça de ofendido! Nunca mesmo me tratou com uma mulher quer se sentir, suas poses... eu queria força, eu queria selvageria, me vestir como uma puta e ter seus dedos presos ao meu braço me censurando, sua voz firme me dizendo, "tire isso".
Eu nunca sangrei em seus braços, a não ser nos meus sonhos, que preferia ser com tantos outros.
Acabou! Frouxo!

Entre estarrecido e confuso, ele lentamente larga o controle que vai fazer companhia ao porta retrato, se aproxima da mulher que se mantém firme ainda que uma lágrima insistisse em descer de seu olho esquerdo e esboça algo pra falar, desiste, ao invés levanta sua mão e lhe acerta em cheio o rosto, lhe agarra o braço e a leva pro quarto.

Pela primeira vez em tempos de casada ela se sentiu mulher.

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Para Carla M meus agradecimentos pelo carinho e palavras e presentes, saiba que é recíproco.

Beijos

O Ponto (G)ramátical.

domingo, 28 de setembro de 2008


O prazer não estava no autor e sim nas palavras. Claro que não era em qualquer palavra, tinha que ter extensão, elas tinham que se atracar com a língua como um beijo francês, como a um amante latino de muito jeito e pouco caráter, podia ter qualquer significado, porém tinham que desembocar todas no prazer.

Começou com tenra idade, lá pelos 14 anos quando um professor, muito erudito, citava trechos de obras grandiosas, tão grandiosas que lhe alcançaram a vulva. Dostoievsk, Bukowski, Kafka, e muitos outros a comeram, com a força pungente dos velhos sábios.
Não tinha mais volta, sonhava com elas: sobrepujante, soberba, perplexa, incomensurável, nexo, sofreguidão, uma a uma lhe atingiam aos tímpanos em sincronia com a mão que lhe atingia as pernas.
Sexo era secundário.

Houve aquele cara. Tipo bonito, boa altura, músculos bem desenhados, bom papo e agora ali no quarto dela se preparava para o banquete principal enquanto degustava sua língua, mas ela parou:

- Espere, leia isso pra mim enquanto eu arranco minhas roupas – disse isso com fogo nos olhos.
Esticando as mãos para o pequeno caderno que ela lhe entregava e sem entender nada, abriu e viu que continham palavras uma abaixo da outra, muitas.
-Ande, por favor!
Então assim o fez!
-Transcendência.
-Sim! Continue.
-Extravagante, libidinoso, altruísta...
-Sim! Sim! Quero mais – suas mãos agora se perdiam nas profundezas de si.
-Ver-ver-borr-borragico.
-O que está fazendo? Seja direto, seja, seja verborrágico.
-Home-home-ométrico, póstu-mo, e-xarrrr-ce...
-Exacerbado! É exacerbado! Por favor, não pare estou quase ...
-Sinestésico, orno-orno-ono..
-Haaaa! – a frustração era quase palpável-Para, acabou, perdi o clima!
-O que aconteceu?- havia frustração ali também.
-Acontece que você é um ignorante, não precisa de uma mulher, precisa de um professor! Sai daqui!
-Sua maluca!

E se foi, como muito outros se foram, falho onde muitos outros falharam, que lhes adiantava a beleza do corpo se não possuíam a destreza da língua.
Sim, sexo era secundário, no escuro daquela noite tateou o dicionário e sorriu.

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Esse texto eu dedico a HeneyBee do GI.

Da Pátria, Caneta e Armas

terça-feira, 23 de setembro de 2008


"Ele pensou mesmo em mudar o mundo com aquela porra de caneta em punho e muita merda na cabeça, não é mesmo?
Achou que alguém iria, no final dos tempos, comprar aquela idéia comunista esquecendo-se que comprar era um verbo direto e de direita. Seus irmãos com os troncos nús, e olhar estreito, abriam caminho pela longa estrada da vergonha até o futuro, ferozes no trato com as armas, incapazes do ato do perdão, mas que choravam sobre a tumbas de suas velhas mães.
Algumas noites quando alguma puta me fazia crer que ainda era possível extrair algum prazer daquela latrina, a pouca luz, dava para vê-lo lutando com as palavras e com o mundo. Me esforçava como um cavalo na lavoura para não meter-lhe uma bala na cabeça ou na minha mesmo.
O idiota insistia em mudar o mundo com tinta, enquanto o sangue de nossas mulheres desciam vala abaixo.
Na noite mais negras dos meus dias, quando tudo que queria, cansado da batalha, a morte, balbuciando algo como "meu Deus", minha mão segurava tão firme minha pistola que hora se confundia com um parte de meu próprio corpo, veio ele em minha direção: "Acalma irmão, já está pra nascer o dia em que saberão de nossa aflição"
Cuspi-lhe a face. Covarde!

Pouco dias depois foi capturado, torturado e morto. Sua tinta tinha ferido a besta no próprio coração, havia prostrado e desnudado a face daquele que nos oprimia.
Meu coração rasga em noites frias quando me lembro da minha intolerância, e de como vendi minha juventude por ideologias que nunca foram minhas.
Enquanto minha espada lutava por uma bandeira sua pena lutava por minha alma. Eu cuspi em minha própria alma!"

- Desce mais uma Nicolas.
- Não acha que bebeu de mais, capitão? Não prefere uma Coca?
- HAHAHAHAHAHAH! Hummmmm!!! Mas é claro, não foi por isso mesmo que vendi minha alma?

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Quero agradecer a Sam do Exceção do mundo pelos presentes que me ofertou.

Eu, por minha vez os ofereço para:
http://acrossalltheuniverse.blogspot.com/ Da talentosa Nina
http://colunadolorida.blogspot.com/ do engraçadinho do Gil
http://doscrimesbordadosvaidades.blogspot.com/ Da minha doce Carla

Os Selos são esses 4 de baixo pra cima ai ao lado.
É isso.

As verdades que os homens contam

sexta-feira, 19 de setembro de 2008


Falar a verdade por vezes parece uma maldição... deixa eu pensar... sim parece sim.
Os seres humanos parecem ter uma relação incestuosa com a verdade, sabe, algo como se fosse bom te-la por perto, trata-la bem, mas não ser muito íntimo, nunca pôr-la na mesma cama, seria trágico e você teria rebentos deformados.
A verdade disso a cima é mais verdade ainda quando se trata de falarmos a verdade a uma mulher. Não que as mulheres sejam mentirosas ou tenham uma tendência maior pra isso, não, a questão é que elas tem mesmo menos estômago pra ouvir verdades.
Lembro que certa vez ousei dizer, em minha ignorância, que o vestido que minha amiga usava não era tão legal assim e na verdade só disse porque ela tinha pedido minha opinião, olhei pra ela esperando a gratidão por ter sido tão sincero mas o que vi em seus olhos me causa arrepios e me faz dormir com as luzes acesas até hoje.
Seu lindo rosto de anjo barroco se transformou em uma caricatura do mal, podia sentir seu hálito cada vez mais quente mesmo a distância e posso jurar que antes de postular que eu não entendia nada de moda(é verdade) eu ouvi ela dar aquele gritinho estranho da Xena.
Jurei por mim mesmo que iria gostar de tudo que ela vestisse daqui pra frente.

Um amigo teve um destino ainda pior, tudo porque ousou fletar com a verdade perante a sua namorada.
O dia era um sábado e hora era uma bem tarde quando ele resolveu olhar pro relógio só pra resolver esticar mais um pouquinho a noite junto com os amigos e a cerveja.
Músicas no violão e algumas cervejas depois resolvemos ir e fui acompanha-lo até sua casa que pra sua infelicidade também estava sua namorada que logo disse:

- Onde você estava que fiquei aqui te esperando?
Eu sei. Todos nós homens sabemos que se ele tivesse inventado uma estória qualquer as chances dele ter se saido numa boa eram bem grandes, mas homem honrado que é preferiu a verdade:

- Estava tomando uma cerveja com os moleques.

Pronto! Como uma amazona de orgulho ferido ela se lançou a lhe xingar e lhe perguntar se não tinha vergonha de falar aquilo(a verdade?) e como era cara de pau(de falar a verdade?) e coisas mais que todo homem já deve ter ouvido uma vez(na verdade muitas vezes). E ele não tinha mais defesa, pois a verdade, por ironia do seu destino boêmio estava ao lado dela, tudo que dissesse só pioraria sua situação, a verdade é implacável, nunca perdoa.
Algum pensador que não lembro quem é disse "A verdade é nosso bem mais precioso, vamos poupa-la". Provavelmente soltou essa depois de encarar a mulher e dizer que não havia notado seu novo penteado.
A verdade(e essa elas vão gostar) é que a sensibilidade da mulher carece de entendimentos ou padrões sociais, como carecemos de jeito com elas.
Mas o mundo gira e nós aprendemos


Ao lerem isso aqui não quero que encarem como um manual do bom mentiroso, nem achem que faço uma apologia a mentira, não, é só um tributo a criatividade.

Me desculpem as belas, mas humor é essêncial

quarta-feira, 10 de setembro de 2008


Eu sou atraído por mulheres inteligentes.
Costumo não entender quando em alguma revista feminina, que costumam ir na contra mão da inteligência de qualquer um, saem dizendo que não gostamos desse dom nelas.
Injustiça.
Quando digo que gosto de mulheres inteligente não quer dizer que idealizo encontros do tipo mesa, wisk e longas discussões acerca de O CAPITAL, apesar de que à parte do wisk eu gosto sim.
Não procuro uma crítica literária ou uma especialista em cinema francês, o que gosto é de bom humor, de boas piadas, belas saídas, boas tiradas e que eventualmente critique alguma novela da globo ou a globo inteira (ta certo isso é exagero mas eu gosto).

Ma nessa vida há uma regra (na verdade existem muitas): Não podemos ter tudo.
Tive que me contentar com só uma fatia do bolo quando conheci e comecei a sair com a Samanta.
Samanta era muita inteligente, dona de boa cultura e vasto conhecimento sobre muitos assuntos, tinha muito bom gosto musical e até mesmo sabia cantar, só lhe faltava mesmo uma coisa: bom humor.
Era incapaz de entender a fina arte do sarcasmo, não por que fosse intelectualmente incapaz, mas porque era humoristicamente inapta.

Talvez fosse o feminismo. Ela conhecia todas as grandes escritoras dessa facção, gostava de bandas só de mulheres e me condenava por gostar de Mila Kundera que ao seu gosto era machista de mais.
Lembro do dia em que nos beijávamos em cima da cama (sim apesar do feminismo ela gostava de homem, em certo sentido claro) e minha mão, condicionada por anos de treino, tocou de forma firme seu seio esquerdo, ela se deixou levar quando por um instante eu parei de beija-la e com a mão em seu seio disse:

-Sabe o que mais me atraiu na revolução feminina?
De largo sorriso no rosto disse:
-Não, o que?
-A queima do sutiã, se continuasse queimando facilitaria muito minha vida agora.

Alguma coisa no jeito dela me olhar e me empurrar da cama me disse que ela não tinha entendido a piada.
Certa vez me havia dito que quando saia de casa sabendo que ia rolar sexo entre nos (o que era freqüente apesar de tudo) ela pensava muito no que iria vestir então para colocar um pouco de humor naquele dia eu disse:
-Eu faço o contrário penso muito em como vou tirar tudo isso.
Enquanto eu dava um riso solo ela me olhou carrancuda e disse:
-Não tem jeito você é como os outros né?
Eu estava afiado naquele dia então completei:
-Outros? Então você me diz na cara dura que têm outros? Quantos no total?
É desnecessário dizer que naquele dia eu não tirei nada.

A falta de humor dela e as bandas punks feministas tiraram a graça da relação.
Ela até me presenteava com bons livros, mas faltava o humor talvez hoje ela tenha achado e seja uma mulher perfeita.
Minha atual namorada não gosta dos livros que leio, não fala de política, não sabe o que é Canes e só assiste filmes dublados, porém em compensação é dona de um humor refinado, gostoso e inteligente, me sacaneia com suas piadas sobre o futebol e não se ofende com as minhas acerca do carro e da mulher.
Ela me é perfeita.

Até.

Humano

domingo, 31 de agosto de 2008

Eu sei, andei muito tempo sem postar aqui, mas foi por problemas sérios que estou tendo, não esqueci de ninguém que gosto de acompanhar via blog, só não estu podendo por enquanto fazer com tanta frequência, mas logo logo eu volto no mesmo ritimo.
Bem já que fiquei um tempo sem postar mando doi de vez um com que foi um exercício de higiene mental(antigo nome desse blog) e outro uma nota chata provando que a humanidade não tá dando certo mesmo.

Até.


Acredito que todo negro nesse país um dia tenha sido vitima de preconceito. Eu mesmo já fui algumas vezes, nada muito pesado, mas o suficiente pra incomodar e ter fazer crescer um sentimento de revolta que costuma se alimentar principalmente dos espíritos jovens, como era o meu, e causar estragos. Acreditem, ele é voraz e inconseqüente.
Isso foi há muito tempo.
Porém algumas coisas pelo qual passamos voltam sem aviso e nos deixam pensando. A estrada que os negros traçaram até aqui, longa e dolorosa, foi pavimentada com lágrimas e sangue e não digo só em relação a esse pais, digo em um contexto geral.
O tempo da lamentação já passou a meu ver, e isso não é uma choradeira racial, muitos homens e mulheres ficaram pelo caminho só pra que hoje tivéssemos o direito de sermos respeitados como pessoa independente da cor e quando presencio o racismo eu, dolorosamente, lamento não só pelo ato em si, mas também pelo trabalho desses que de forma tão degradante é desrespeitada.
Luther King tinha um sonho e acho que esse sonho não era só dele e do povo negro, mas de todos aqueles que sabem o valor de uma vida e o peso de uma lágrima.
Uma mulher branca defendeu um negro hoje. Ele foi vitima de preconceito, ele foi vitima de preconceito que vinha de um cara que nem branco era.
Tristeza e alegria em uma mesma cena, no mesmo ato.

Palmas pra ela.

Meu mundo encantado

Eu costumo me diverti pensando em minhas próprias versões dos contos clássicos infantis, com finais mirabolantes e conexões entre eles.

São sempre versões nada corretas e nada infantis, mas me divertem muito, como sempre meu humor negro me diverte (pelo menos a mim).
Em minha versão para “A Bela Adormecida” ela nunca caiu no sono porque antes de se meter a tecer e furar o dedo resolveu, para animar as coisas naquela noite chata, cheirar cocaína, exagerou na dose e por mais que tivesse sido amaldiçoada com o longo sono nada podia faze-la dormir estava muito elétrica.
Em a “Branca de Neve”, os setes anões nada mais eram que uma quadrilha de traficantes e usavam a mineração como fachada, alias era com ele que a viciada da Bela conseguia seu pozinho, certa noite encontraram uma garota muito bela e muito branca que precisava de ajuda e como nada nesse mundo é de graça resolveram ajuda-la em troca de uns favorzinhos.
Foi ai que a Branca de neve, para escapar das garras da madrasta, começou a vender pó pela vizinhança, daí seu apelido Branca de Neve.
Pior pra ela, pois sua madrasta invejosa, além de invejosa era uma agente federal disfarçada que estava investigando uma denuncia de má administração de verba no reino do pai juntamente com associação ao tráfico, usando de suas habilidades seguiu os rastros deixados pela Branca e caiu na biqueira da floresta, neste ponto a Branca estava já totalmente envolvida com a coisa e resolveu não sair perdendo trocou tiros com a madrasta-agente e levou a pior, acordou no hospital e pegou trinta anos nada felizes na cadeia.
Em “João e o pé de Feijão” o Jaum era atormentado por uma doença de ordem psicológica que o aprisionava em sua própria mente. Deitado em uma cama de um hospital psiquiátrico qualquer, olhando fixamente para o teto, se imagina escalando um pé de feijão que vai até os céus e bla-bla-bla,( o resto vocês conhecem) . Em sua cabeça e historia sempre recomeça.

Como puderam ver minha mente deturpada deturpa até mesmo coisa inocentes como contos de fadas, desse jeito meu desejo de escrever um livro infantil vai ser vetado por todas editoras do pais.

O Filho que não deu certo.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Detesto ser obvio.
Justamente por isso relutei muito em escrever sobre esse tema hoje, mas está sendo mais forte que eu(grande coisa até o Pink é mais forte que eu).
Ontem foi o dia dos pais, ou seja, presentes churrascos, telefonemas, abraços essas pieguisses todas que de fato não sou adepto e que costumo fugir como fujo de filmes do "Van Dame" ou músicas do NX Zero. Porem vendo esse clima todo ontem me fez pensar(não riam rs)
Nada disso aconteceu comigo e meu pai ontem, nunca acontece e talvez nunca irá acontecer, não somos inimigos, acontece que simplesmente não somos amigos.
Todos os erros que ele cometeu misturado com sua indiferença calcificou nossa relação e hoje somos assim: indiferentes um com o outro.
Não sou estúpido e esse é meu problema. Sei que ele é decepcionado comigo também, sempre fui entendido como o mais inteligente por ele, então construiu projetos pra mim que a minha rebeldia e inclinação para a desordem derrubou um por um.
Tenho culpa também.
A grande magia da vida, eu acredito, está no fato de ela dá grandes voltas em torno de nossos egos, e nos revela tudo de belo e feio.
E quando eu tiver um filho, o que vou passar pra ele? Muitas das historias que tenho pra contar são exemplos a não serem seguidos( anão ser meu gosto musical), eu que poderia ter sido tudo me resumi justo no que não queria ser: meu pai.

No entanto uma boa semana dos pais pra você e saibam nunca mais verão um post tão emo aqui de novo rs.

Até

Pecado Original

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


A conversa toda havia começado com essa pergunta:

-Porque vocês homens têm o dom de nos decepcionar?É um lazer?
Eu olhei pra ela co um ar de cansaço tanto físico quanto desse assunto, que parece nunca estar fora de moda e que por vezes dá péssimos capítulos de novela:
-Talvez a culpa seja de nossa natureza mesmo, desligados, desleixados, insensíveis, bem, essas coisas todas que toda mulher tem na ponta da língua, mas hoje eu estou inclinado a pensar que muito da culpa é de vocês, mulheres.
-Claro que sim! Eu me lembro do dia que comi a maldita maçã e toda a humanidade se lascou - disse isso com um leve tom de raiva.
Eu ri:
-Você não entendeu. Acho que a expectativa estraga a surpresa, vocês esperam de mais de um homem, penso que a tristeza de vocês não é com os defeitos que temos e sim com as qualidades que sonharam e não encontram.
-E vocês não esperam nada da gente, nunca exigem? - ainda com raiva.
-Claro que sim, mas normalmente tudo que queremos de uma mulher ela normalmente possui. Mulheres em sua maioria são carinhosas, vaidosas, se dão bem na cozinha e são companheiras e normalmente é tudo que queremos a ponto de suportamos os defeitos que tens.
-Ainda acho que o fato de esperamos de mais não os redime das faltas que todos um dia comete.
-Claro que não, mas a perfeição nunca foi um objetivo, e arrebentar o coração de uma mulher nunca foi prazer, só que a vida dá dessas. Sofremos por amor também.
-Claro! Mas é tão raro.
-Menos do que imagina. Se os copos falassem diriam que a um coração de homem machucado a cada duas garrafas.
Ela sorriu descontraída e disse com a mão no peito:
-Quanto drama! Quase acreditei no seu discurso.
-Quase!? Uma pena me esforcei tanto pra mentir e você diz isso.
Rimos tão alto que o bar todo nos olhou por um segundo, rapidamente se levantou mas antes de irmos embora ela disse, baixinho como se fosse um segredo:
-Você é um canalha.
E fomos.

Ola Mundo

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Devido à alguns problemas com o speedy(porque será que speedy e problemas na mesma frase me parece redundância?)ando meio atrasado com meus post, mas o que mais to sentindo falta são das visitas diárias que faço aos dos outros rs.

Mas ontem usando de toda minha argúcia e sagacidade misturada com técnicas de infiltragem que aprendi com o exército israelita consegui adentrar em uma casa e usar o pc alheio(hahahahaha) Tudo bem, eu pedi pro meu amigo deixar eu usar, mas achei mais legal o que disse acima.
Claro dei uma passada no blog do Gil e pra minha surpresa vi que tinha deixado um selo pra mim(supresa nada eu vi nos meus comentário que ele tinha deixado rs)
Mais uma vez valeu mesmo Gil, você é o cara( no bom sentido)
Tai ai ele:



Quero repassar ele para:

http://letrasvinculadas.blogspot.com/
http://acrossalltheuniverse.blogspot.com/
http://uerllethebest.blogspot.com/
http://www.desevolucao.blogspot.com/

Porque eles sabem porque.

Até mais, em dois dias eu post aqui.

P.s Participem da campanha do Gil porque eu vou.

O que vai ser quando Crescer?

quarta-feira, 30 de julho de 2008


É fato que crianças são muito imaginativas e pensam que a vida é uma extensão dos desenhos que assistem ou quadrinhos que lêem e isso é salutar.
Não raro ouvíamos a molecada responder a famosa pergunta "O que quer ser quando crescer?" com respostas do tipo "astronauta" "policial" "bombeiro" ou alguma variante dessas profissões que nos atribuem coragem, força ou abuso de poder. Isso é salutar, afinal de contas ninguém sonha em ser o perdedor da turma, ou o mendigo do bairro e torcer pra não ser queimado vivo na calada da noite. Tá certo quando era menino nunca ouvi nenhuma criança dizendo que queria ser político, mas isso era culpa dos pais que ensinavam ao filhos que egoísmo é errado e não deveríamos pensar só em nós mesmo. Mesmo isso seria salutar.
O problema, e o esquema todo acima pode caracterizar um problema, é´quando a resposta para essa pergunta clássica nada mais é que "Chefe da Máfia".
Por que uma criança de por volta de 10 anos iria querer se "Chefe da Máfia"?
De fato eu não me lembro mas era o que dizia quando me perguntavam isso.
Bem, não era tão diferente assim das outras já que essa "profissão" também exigia sua doze de coragem, força e abuso de poder, principalmente abuso de poder. E para uma criança é muito interessante se imaginar no papel de um fodão qualquer, roupa de couro, olhar de mau, montado em sua Caloi azul pra fazer uma cobrança:

-Bom Juninho, você tá devendo 3 edições do Homem-aranha e uma edição de luxo do Batman e sabe de uma coisa? Ninguém fica devendo a máfia.
-É... eu sei Don Sarge, eu juro que amanhã vou pedir uma mesada adiantada pra minha mãe ai então...
-Tudo bem, até amanhã, mas como garantia vamos ficar com um pedaço disso.
-Não, não, por favor, não quebrem o braço do meu Comando em Ação. Nâaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaoooooooooooo!!

Interessante disso tudo era que, a despeito da minha imaginação, eu não tinha um bom currículo para meu futuro cargo.
Com dez anos eu era um bom aluno, raramente me metia em brigas e nunca tinha sido enquadrado por policiais corruptos loucos pra implantarem um flagrante em mim. Naquele ponto da minha vida tudo parecia tão distante.
Os anos se passaram e nunca me engajei em nenhum grupo de desajustados, apesar de meu currículo ter melhorado bastante, isso foi bom pra mostrar à minha mães que um ano de psicólogo foi totalmente desnecessário.
Fico me perguntando o que as crianças de hoje almejam? Talvez o cargo de policial, bombeiro, astronauta ou mesmo mafioso tenha evoluído pra cargos como banqueiro, dono da Microsoft, Homem-bomba(para os tarados que ainda acreditam em virgens) ou ditador em um país qualquer. Não sei.
O fato é que os tempos mudam e com ele nossas cabeças e sonhos, mas eu vos digo um segredo: ainda tenho muito da minha coleção de quadrinhos e adoro minha jaqueta de couro.

Até.

Même Musicado

segunda-feira, 28 de julho de 2008


Eu recebi um même e tenho que dizer que esse é um dos mais interessantes e difíceis de se responder.
Ele veio da Stephanie e me desafia a responder algumas questões um tanto delicadas usando títulos de músicas de um único artista, ou seja é um prato cheio para os amantes de boa música.
Eu pensei em muitos dos artistas que gosto e pensei em fazer um repertório bem pesado, com alguma banda de metal, só que últimamente estava flertando com uma garota de bastante talento e muito em voga na mídia que mistura um pouco de dois estilos que também gosto, o Blues e o Jazz e se sai muito bem com a proposta.
Então com vocês Amy Winehouse e o memê:

*Descreva-se: You know I am good

*O que as pessoas acham de você: To know him is to love him

*Descreva sua última relação: Love is a losing game

*Descreva a atual relação: He Can Only Hold Her

*Onde queria estar agora: In My Bed

*O que você pensa sobre o amor:I Heard Love Is Blind

*Se tivesse direito a apenas um desejo: tears dry on their own

*Uma frase sábia: Some Unholy War

Uma frase para os próximos: You Sent Me Flying

Fim do show, espero que tenham gostado do set-list pois ele me agrada bastante, agora passo o fardo para o Desevolução sabendo que as perguntas deverão ser respondidas com o nome de músicas de um único artista a escolha.

Até.

Eu sou Old fashion

quinta-feira, 24 de julho de 2008



Eu detesto ir ao cabeleireiro, sempre detestei desde criança. Alias minha briga com os cabeleireiros começou mesmo na infância, porque sempre que me deparava com um, lá na rua onde morava, eu tentava ler a porra do cartaz, gaguejava, saia algo como caberero, caberereiro, cabileiro, sei lá, ai as outras crianças rachavam o bico de mim, como se elas conseguissem ler aquilo, eu ainda tinha coragem e tentava, mas elas não, as outras covardemente se omitiam do fardo.
No final era bem melhor pra elas, não passavam a mesma vergonha que eu.

Mas os anos vindouros reservaram coisa pior pra mim referente aos cabeleireiros, algo que detesto mais que esses salões, ou seja esperar.
Sempre que chegava em algum, lá havia dúzias de mulheres tentando todo tipo de engenharia pra deixarem suas madeixas mais charmosas e meu teste de paciência mas duro de aguentar.
Claro que eu usava mão dos subterfúgios de quinta desses lugares que é colocar revistas pra ver se a dor da espera diminui, mas acontece que em meu caso isso era pior.
Nunca havia uma revista interessante no local, sem Seuperinteressante, sem quadrinhos, sem revistas de carro, sem revistas de notícias, PlayBoy nem pensar, em sua maioria eram revistas de fofoca e de moda, numa tentativa descarada de nos fazerem crer que ali alguém entende de moda. No máximo de fofoca.

Por anos penei no interior desses cabeleireiros, aguentando o cheiro de química, as fofocas e as viadagens. Porem um dia me rebelei, tive duas idéias, uma era nunca mais cortar o cabelo e me transformar no maior black power já vivo, mas como isso ia contra os planos da minha mãe e ir contra os planos da minha mãe naquela época provocavam muita dor física, preferi ficar com o segundo que era simplesmente mudar de salão.

Sim eu não iria mais cortar o cabelo em cabeleireiros cheio de frescura iria nas espeluncas com pouca luz e chão sujo, que com certeza não havia muitas mulheres e consequentemente não havia esperas gigantes.
Assim o fiz e por anos fui feliz, numa dessas havia até mesmo revistas de carro, mas nem dava tempo de ler porque a fila andava rápido e em outra até tinha uma tv que passava os jogos de futebol, discutia-se, ria-se, xingava-se, éramos uma quase familia, só faltava a bebida.

Mas como paz significa recarregar as armas, como diz o Dimmu Borgir, e a modernidade provou que era mais rápido no gatilho que eu, a família se desfez.

O tempo passou e um novo tipo de ser humano agregou-se a nós machos a moda antiga, e deturpou a forma como faziámos as coisas, eis que surgiu os metrosexuais.
Eles invadiram nosso território de machos com seus apliques e luzes e unhas por fazer e nos legaram o pior dos males, aquele que tinha ficado enterrado no passado: A espera!

Antes eram as mulheres agora somos nós, ou melhor eles, que ficam entulhando as cadeiras de espera, e dando palpite no trabalho de engenharia dos cabeleireiros e ainda por cima reclamam da unha mal feita.

Sinto saudades do tempo em que não sábia ler direito, que só havia mulheres nesses salões e que ninguém reclamava da minha unha.
Talvez eu volte com o plano do Black Power.

terça-feira, 22 de julho de 2008


O posto de hoje é um pouco diferente, tem a missão de agradecer e premiar justo nessa ordem.
Hoje eu recebi 4 selos que vindo de onde veio só me deixa mais contente, uma vez que saiu de um dos blogs que é passagem obrigatória minha dada a qualidade dos textos e o bom senso da moça.

Eu falo do http://doscrimesbordadosvaidades.blogspot.com/ que foi agraciado justamente com eles e que me repassou.
Valeu moça! São eles:











Agora repasso para os blogs abaixo e faço pela merecida qualidade deles, são:

http://acrossalltheuniverse.blogspot.com/ da Nina

http://colunadolorida.blogspot.com/
do grande Gil
http://www.alevezadoser.blogspot.com/ da doce e talentosa Staphanie
http://luftstrom.blogspot.com/ da sabida YU
http://tylerbazz.blogspot.com/ do Tyler que insisto em escrever Taz
http://sacodefilo.blogspot.com/ porque é foda
http://www.mesmasletras.blogspot.com/ IPSIS porque é demais
http://champ-vinyl.blogspot.com/ do Rob, porque ... bem vejam lá porque

Até, porque hoje to doente e vou deitar, fui!

Insustentável Leveza do Ser (Causos do menino que crescia)

quinta-feira, 17 de julho de 2008


Sempre que passo meus olhos ou mesmo releio a "Insustentável Leveza do Ser" eu me lembro dela e nem sei exatamente porque.
Havia algo nela que anos depois quando li essa obra voltou com força. Conseguia lembrar seus gestos, seu cheiro, sua força e até mesmo a forma delicada como prendia os cabelos no alto da cabeça.
Interessante que éramos garotos devorando o mundo como se não tivéssemos tempo pra mais nada, tudo era urgente e mesmo quando nos tocávamos o compromisso não era com o beijo em si, mas com a descoberta e dos "porques" daquelas necessidades.

Eu era imaturo, ela era ingênua. Eu passava por cima de tudo imprudentemente, ela avaliava. Eu a amava,ela me amava.
Pelo menos assim eu entendi.
Naquele ponto da minha vida(tinha 16) eu já tinha descoberto o sexo, mas foi ela que me ensinou o que é fazer amor.

Lembro como se fosse à um filme que após nossa primeira vez ela descansava sobre meu braço, num silêncio que só foi cortado por um leve gemido. Olhei pro lado e para meu desespero total ela estava chorando.
Me amaldiçoei na mesma hora, com certeza tinha a machucado ou algo assim. Estúpido.

"O que foi anjo, porque tá chorando, te machuquei?"- um silêncio que perdurou pela eternidade de um segundo me consumiu. Depois:
"Não, não! É que eu tô feliz. Estava com muito medo, mas agora estou feliz"

O resto é história.
O mundo como sempre girou e girou, jogando cada um para um lado e nos mostrou que a urgência que tínhamos para viver era bobagem.
Ela se mudou e nunca mais a vi.
Eu continuei vivendo e me enfiando em confusões com a mesma ânsia que tinha quando a beijava.
Parece que levei mais tempo pra aprender certas coisas, mas nem me arrependo.
Mas saudade é saudade e por vezes bate a porta.

Escola- Tempos de Violência. Parte II

terça-feira, 15 de julho de 2008


EU não tinha muito tempo pra avaliar minhas estratégias, em poucas horas haveria um sacrifício em nome do Deus "Violência Gratuita" e eu tinha sido o escolhido.
Por sorte eu era um cara bem relacionado dentre os vários grupos ali no grande Circus, e tinha gente me devendo favores. Aprendi cedo que uma guerra se faz com aliados e eu iria procurar os meus.
Não fazia nem 5 minutos que o "Gordo" tinha me ameaçado de morte na saída e já corria os boatos nos corredores, tanto que um do grupo dos desertores veio até mim:

"Cara! TÔ sabendo ai que o gordão vai te arrebentar".
"Caralho!!!! Já tá sabendo? Será que essa merda vai sair no Fantástico?
"Nem esquenta, eu e um pessoal estamos com um plano de fugir assim que o intervalo terminar, se quiser vir com agente?

Aquilo até poderia parecer uma boa idéia, mas era péssima. Uma porque aqueles caras nunca davam uma dentro, de 10 tentativas de fugir da escola 11 davam erradas, e pior que tentar fugir covardemente de uma briga é tentar fugir covardemente de uma briga, não conseguir, tomar um esculacho do diretor e depois apanhar lá fora.

"Não deixa quieto"
"Beleza qualquer coisa é so falar"

Depois daquilo eu tinha feito os meu contatos, buscando no mais profundo lamaçal escolar a ralé que iria me acompanhar na saida, sim porque o gordo não viria sozinho e nessas horas são as más companias que salvam a pele.
Na sala onde eu estudava o pessoal até tentava disfarçar mas a excitação era evidente, o pessoal ali eram como tubarões farejando sangue.
E o pior é que todos os comentários que eu conseguia captar eram uma variante entre, eu iria me ferrar, eu iria me ferrar muito e eu estava morto. Sabiam como por um homem pra baixo.

Ultima aula e o sinal bate. Mais que depressa o pessoal levanta e corre pra saida, claro, tinham que garantir o melhor lugar na grande luta que viria.
Levantei calmamente peguei minha mochila e fui pra porta, os caras que iria me acompanhar estavam lá me esperando, eram 4 todos com um currículo extenso de brigas e expulsões. Tinha escolhido a dedo. Mas eles só entrariam se os amigos do Gordão entrasse caso contrário seria só eu e ele, homem-a-homem-baleia.
Fomos pra porta de saída,dava pra sentir o olhar de todos sobre nós. Não tinha mais volta.
O lugar da briga era o local de todas as brigas, atrás da escola. Chegando lá já pude ver a multidão ouriçada gritando frases de incentivo tais como, "Vai morre Márcio" "Mata ele", "Ninguém separa". E sério, todas as outras eu achei até normal, mas "Ninguém separa" é cruel de mais.
Alguns segundos depois de mim chega o gordão e sua turma, então as vozes ficam mais altas, o publico mais excitado. Então o gordão levanta a voz:

"O que vai ser? Eu e você ou minha turma e a sua"?
Eu não podia fazer feio, ele tinha me dado a escolha e se fosse esperto escolheria turma versos turma porque a minha ia arrebentar a dele, mas como eu sou idiota e quis dar uma de soldado orgulhoso fiz a pior escolha para meus osso.
"Só eu e você".- e a multidão foi ao delírio.

Soltamos nossas mochilas e aquela massa imensa de banha veio pra cima de mim, com a fúria de mil orcs.
O primeiro soco foi eu que acertei, bem na barriga. O Chato que além de não ter surtido nenhum efeito foi o primeiro e único. Depois disso ele me socou, varias vezes na barriga(acho que pra me mostrar como que se faz) e um no meu nariz, que me levou ao chão sangrando igual uma menininha.
Depois disso contrariando o coro, uma turma de garotos mais velhos nos separaram.

Ali eu aprendi uma importante lição: Nunca soque um gordão na barriga, pois o verme não vai sentir nada, tem que ser no nariz porque dói de verdade.

É isso.

Escola- Tempos de Violência

segunda-feira, 7 de julho de 2008


Todos aqui sabemos o que é uma escola, não?
Só pra refrescar a memória: Uma escola é o lugar onde passamos boa parte de nossas vidas tentando escapar ou provocar humilhações, desenvolvendo assim nosso lado sociável quando, por exemplo, temos que convencer alguém a não quebrar a sua cara ou a não roubar suas coisas. Também desenvolvemos nosso lado atlético, pois não raro é necessário corrermos de bandos de Orcs, quero dizer alunos, que gritando frases de incentivo como; Vai morrer! Duvido você pular esse muro! Fazem você dar o melhor de si.
Qualquer senso de respeito à vida humana é duramente combatido e intolerado.

Foi nesse ambiente que mais parece um pano de fundo para Cães de Aluguel que eu descobrir minhas habilidades como negociador, orador e líder. Mas para que tais habilidades viessem à tona tive claro que passar por algumas provas tão duras quanto aquelas que Pai Mei submete seus alunos.
É nessa parte que começa minha história.

O pátio da escola onde fazíamos nosso intervalo, mais conhecido como O COLISEU, era planejado para que cada tipo de atividade tivesse seu espaço. Ali encontrávamos o grupo de mauricinhos que com suas roupinhas da moda tentavam comer as patricinhas, o grupo de aspirante a traficantes que sorrateiramente negociavam todo o tipo de quinquilharia que ia de latas de refrigerantes a gabaritos de provas, o grupo dos desertores que se reuniam nos cantos do grande Coliseu bolando planos e mais planos para fugirem dali e só voltarem no outro dia e claro tinha o grupo dos jogadores. Esses se reuniam em mesas onde tudo era possível, onde as cartas e as peças eram senhoras dos destinos daqueles ali presente, onde a mentira e o blefe eram a mãe da sorte e a sorte só brilhava para os mais capacitados. Era desse grupo que eu fazia parte.

Naquela tarde as coisas iam mal pra mim e meu parceiro, tudo conspirava contra nos, e mão após mão tudo piorava. Tinha apostado toda a grana do mês e para um garoto de 14 anos isso é demais, não estava disposto a perder.
Mas o truco é um jogo traiçoeiro, pode ser esperar tudo dele, e para aquela ultima jogada eu tinha 2 cartas e um segredo... Bem de baixo da mesa. Fui pro tudo ou nada e pedi 12, meu parceiro na outra ponta da mesa me olhava assustado, sabia que eu não tinha nada nas mãos, meus adversário se olhavam desconfiados, mas pelo andar da carruagem nada mais podia ser feito. Aceitaram meu desafio eu sorri e os engoli.
Em meio a nossa comemoração que eu e meu parceiro fazíamos com cifras nos olhos deu pra ouvir um grito:

-Você roubou!
-Que!!! – falei fingindo indignação.
-Você roubou! – repetiu apontando para a porra da carta que tinha ficado de baixo da porra da mesa.
Mas agora era só questão de argumentar, estava na cara que eu tinha roubado, pois o truco exige isso, e todos ali que se aglomeravam pra ouvir a discussão sabiam que eu tinha roubado, mas como em todos pais civilizado o inocente é aquele que convence todos disso e não o que não cometeu o crime, eu só tinha uma missão: Convence-lo.
-Não força! Essa carta não é minha você que deixou cair ai de propósito só pra falar essa merda de roubo, todos sabem aqui que eu não roubo (alguns risos da molecada ao redor, gente ingrata). Essa foi uma boa jogada minha desacreditar ele perante o pessoal.

-Claro que não, como eu ia fazer isso com você do outro lado da mesa?- Estava tentando se safar, mas já estava condenado, pois tropeçava nas palavras.

- Sei lá! Todo mundo sabe aqui que você é muito espertinho. – um elogio pra desarma-lo e ao mesmo tempo enterra-lo.
Estava quase tudo resolvido. Ele lutava com seus poucos neurônios pra arrumar um argumento que corroborasse com a sua justa acusação a minha pessoa de roubo, quando meu parceiro com o espírito solidário, mas sem noção do perigo tenta me ajudar:

-É e tem outra se não foi você que pôs essa carta ai foi quem, sua mãe? –algumas risadas aqui.
-Você chamou a minha mãe de que?- porra ele estava ficando nervoso e isso não era bom, eu tinha que consertar a merda que meu parceiro tinha feito.
-Ele não chamou sua mãe da nada não disfarça e paga agente. –pronto uma solução rápida quase um pedido de desculpa.
E teria dado certo se agente não tivesse na escola, mas estando num lugar desse onde todo a fauna é alimentado com sangue meu plano foi por água abaixo, pois um arruaceiro qualquer que ouvia a discussão gritou:
-Ele chamou sua mão de ladra, disse que ela rouba no truco!

Que droga claro que agente não tinha dito aquilo, tanto porque aquela velha não deveria saber jogar nem o próprio jogo, o jogo da velha. Era tarde de mais pra argumentações, a turba de agitadores fazia provocações e meu adversário um moleque gordo e duas vezes maior que eu sabia qual era a lei naquele meio, sua honra tinha sido manchada, sangue teria que ser derramado para que ele não perdesse o respeito, foi quando apontou seu dedo pra mim e sentenciou:

-Tá ferrado Marcio. Vou te estourar na hora da saída! –disse isso e um turbilhão de vozes o apoiou.

Droga! Nessa hora pensei comigo se era tarde pra fazer parte do grupo de desertores. Eu tinha até um plano.

Continua...

Minha vida em cena

domingo, 29 de junho de 2008


É certo dizer que a vida imita a arte ou que a arte imita a vida?
De fato tenho minhas dúvidas, mas quem aqui nunca se imaginou inserido em uma cena de cinema que atire a primeira crítica.
Normal. A vida parece bem mais interessante vista pela tela grande, todos os problemas só um detalhe a serem transpostos com um pouco de perseguição, balas, explosões e sexo(não necessariamente nessa ordem). Eu mesmo mesmo já me imaginei explorando os restos de um civilização perdida com chicote na mão e muita astúcia, ou mesmo dançando tango com uma mulher deslumbrante como em Perfume de Mulher, manobrando uma moto virtual como em Tron, sendo hipnotizado por uma dançarina de chapéu preto como em Cabaret, não resistindo ao lado negro da força(esse despensa apresentação)e como sempre me vendo na pele de um mafioso cruel e disposto a tudo pela família como em o Poderoso chefão.

Mas sabemos o quanto a realidade é dura e por vezes menos glamurosa, que arrumar uma briga no bar te traz alguns hematomas e umas horas na delegacia, correr em alta velocidade quando a policia te manda parar te insere em algum artigo foda da porra de justiça, que oferecer uma carona para aquela garota linda de vestido curto na beira da estrada deserta vai resultar em assalto.

Porém como todo bom vilão de filme, desistir não está nos meus planos, e o plano aqui é transformar a minha vida toda torta em clássicos do cinema(mas sem direito ao Oscar porque convenhamos, Oscar é pra velhos puritanos conservadores de merda), e pra isso elejo 5 frases de filmes que poderiam se encaixar perfeitamente em situações da minha vida, claro se ela tivesse um bom roteirista. São elas:


"Sou uma cortesã. Sou paga para fazer os homens acreditarem naquilo em que querem acreditar". Moulin Rouge
Em qual cena deveria aparecer: Bem essa resumi minhas primeira experiência com uma dama da noite. Seus gritos, seu suor, minha satisfação de garoto dando prazer a uma mulher e no final da noite meus 80 reais indo embora.

"Há dores impossíveis de ignorar". Instinto Selvagem 2.
Quando deveria ter dito: Depois de, na quinta serie, ter sido sacaneado por um idiota, ter levantado da carteira, ter pego ele pelo braço, e depois eu ter levado um soco.

"Não há certezas, apenas oportunidades". V de Vingança
Quando deveria ter dito: Quando numa mesa de jogo aqui em casa olhávamos tensos uns aos outros sabendo que uma derrota levaria ao perdedor beber de virada um copo cheio de Velho Barreiro que levaria, aliados aos outros copos anteriores ao coma alcoólico, quando de repente alguém grita truco, então digo 6,9, 12 e meu parceiro com cara de enjôo pergunta. Tem certeza?
Bebemos tudo.

"A religião católica baseia-se num erro de tradução". Snatch - Porcos e Diamantes
Quando deveria ter dito: Todas as vezes em que fui obrigado na infância aguentar as ladainhas chatas das missas chatas de domingos.

"- Verifica o seu estado. Se estiver muito ébrio, podes avançar. Se estiver algo ébrio, cuidado.
- E se estiver sóbrio?
- Isso não irá acontecer". O Libertino

Quando deveria ter dito: Todas as vezes que entro num barzinho, apesar que ficaria bem
repetitivo.

Esse post teve o gentil apoio não autorizado desse blog aqui http://frases-e-filmes.blogspot.com/2006_02_01_archive.html

Mordida em forma de Coração

segunda-feira, 23 de junho de 2008


“Lembra do dia em que tocou Iris na rádio e você disse que sempre que tocava essa música se lembrava de mim?
“Não, não lembro. Quando foi isso?”.
“Haaaa seu chato, porque tem que ser tão sincero às vezes?”.
“Não é isso que toda mulher espera de um homem?”.
“Sim.. bem mas tem ocasião pra tudo”
“E espera que agente sempre saiba quais ocasiões são essas, né? (risos)”.
“(risos) Claro que sim”.
“Isso é difícil, então sabe o que eu vou fazer? Não vou ser mais sincero às vezes”.
“Quando será sincero então? Sempre?”.
“Não. Eu não serei sincero nunca”.
“HAHAHA! Mentiroso”. Assim também não!
“Nunca está contente? Ta bom, vou ser sincero sempre, vamos eliminar aquela parte de ocasião, nos homens não somos bons com ocasiões”.
“HAHAHAHA! Mentiroso duas vezes”?
“Mentiroso duas vezes? Tem certeza que me ama (risos)”.
“Sim, é meu castigo”.
“Então agora eu sou um castigo? Que mais eu sou, minha rainha de copas (risos)?”.
“Hummm deixa ver... você é safado também”.
“Mas disso você gosta”.
“(tapinha) Fala baixo (risos)”
“Não esquenta, acha mesmo que alguém está ouvindo essa conversa?. Só da pra ouvir uma coisa daqui”.
“O que é neguinho?”.
“Meu coração disparar quando beijo você”.
“Que liiiindo! Ta perdoado”.
“(pensando) Perdoado? Mas o que eu fiz... deixa pra lá.

Marcas: Uma questão de visão.

sábado, 21 de junho de 2008


Estou elegendo os mais novos heróis nacionais(o pior é quem nem sei quem são os antigos), um grupo de homens que encara a vida sem pessimismo, meus amigos, o lado negativo é uma questão de visão, e eles têm a melhor.
Esse novo herói tem a coragem de bombeiros(lê-se cara-de-pau)o caráter dos maiores estadistas(aqui políticos)as idéias dum um revolucionário da américa pobre(nesse ponto "ganhar dinheiro").
Eu lhes apresento o PUBLICITÁRIO.

Sim, esse homem (ou grupo) leva o país nas costas e não cansa nunca. É dele o papel de deixar nossas vidas muitos mais felizes, bastando pra isso só alternar um pouco a realidade.
Alteração de Realidade, vai dizer que isso não é um poder de herói? Que inveja!

Como com todo poder também advém muita responsabilidade(finalmente consegui usar essa frase clássica em algum lugar), eles são responsáveis por dar uma cara bonita as Grandes Mega Corporações Comedoras do Seu Dinheiro, e seu efeito faz as pessoas pararem de pensar.

Mas todo herói que se preza e que prezamos tem um nêmesis, um contrário, um grande inimigo, um anti-herói e como eu sempre fui a favor dos vilões nos desenhos é com prazer que vou me prestar a esse papel.
Eu lhes apresento EU o ANTI-HERÓI.
Meu papel será desmontar, desconjuntar, levar a vocês meros mortais o desconfortante peso da realidade lhes tirando a capa protetora que esses bons homens levam vocês a se cobrirem. HAHAHAHAHAH(a risada clássica dos vilões claro).

Vamos analisar algumas frases reconfortantes :

"Existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe MasterCard." - MasterCard. Com essa simples frase eles fazem você esquecer do juros altos, das faturas sem fim, do Cerasa e das atendentes de telefone especialistas em gerúndio. De uma hora pra outra você será feliz se tiver um e será muito infeliz quando tiver vários.

"Viver bem faz bem." - Medial. Que frase linda!! Viver faz bem, isso entra em nossos corações, ainda mais reforçado com aquelas imagens bucólicas com gente bonita e filhos fofinhos brincando. Ali agente sabe que viver faz bem a não ser que precisemos do plano de saude, porque essa frase tem o poder de agente esquecer das milhares de carêcias enclausuradas nas entrelinhas do contrato.

"Linhas Aéreas Inteligentes." - Gol Quanto poder!! Eu prefiro: Gol, Um dia você vai cair nessa! Mas eu sou um pessimista.

"Porque se sujar faz bem." - Omo. A verdade oculta aqui é uma só: OMO porque se sujar nos faz bem.

"Tem 1001 utilidades." - Bombril. Aqui a culpa é de minha imaginação, só usei ele pra uma coisa... não espere pra duas, eu queimava ele nas festas juninas também... espere três, eu usava pra ajudar a antena fazer o serviço dela melhor: arrumar a imagem da tv. Viu? Três, quase mil e uma.

"Um jeito diferente de viajar." - TAM Viagens.
Essa, acreditem é uma campanha pro legalização da maconha.

"Cada um na sua mas com alguma coisa em comum." - Free. Ardilosos meus inimigos, eles deixaram o sujeito oculto, para uma sensação de conforto maior. Tenho que descobrir o sujeito(no bom sentido), então a frase ficaria assim "Cada um na sua mas com algum câncer em comum"

"Venha para o mundo de Marlboro." - Marlboro. Ou morra tentando.

"Quem lê Veja entende os dois lados". Na verdade o certo aqui seria:"Quem lê Veja entende os dois lados... da Direita".

"Na nossa frente, só você".-SBT. A verdade sempre aparece meus caros. "Na nossa frente só você e a Globo".

"Seu Potencial. Nossa Inspiração". "Falha Ilegal. Problema seu"

FOLHA DE S. PAULO - De rabo preso com o leitor. Aqui devo explicar que que há uma mensagem subliminar de conotação puramente sexual.

Foi o ultimo.

Na verdade o trabalho de um vilão nunca termina mas ja cansei. Devo creditar uma ajuda que tive ainda que involuntária(ser vilão é legal por isso, coação rsr)eis abaixo minha fonte de pesquisa usem com cuidado e sempre para o mal.

Fonte: http//mundodasmarcas.blogspot.com

A Semente

terça-feira, 17 de junho de 2008

Por esses dias estivemos eu e um amigo discutindo acerca do nome que eu daria a meu filho.
Muitas nomes foram soltos entre risadas, copos e o violão e um ar de paternidade me pegou, assim desse jeito, meio sem avisar.
Havia recebido a notícia de que seria pai há dois dias e já estava naquele clima, de jardineiro e sua semente.
Ela me guardou essa semente um mês e duas semanas antes, antes que meu coração pudesse vacilar ao som de suas palavras.
" Amor... estou grávida".
E como vacilou.
E tudo que consegui fazer foi levar minha mão ao seu ventre.
Uma nova história tinha casa ali.

Mas voltando aos nomes alguém disse que era interessante eu colocar o nome de uma pessoa que considerasse meu herói.
Entre risos disse que não daria certo meus herois eram o Jaspion, Jet li, Bruce Lee, Luke Skywalker, Darth Mal... claro tinha outros como Luther King mas...

Infelizmente hoje eu soube que eu não poderia dar nenhum desses nomes a ele (não que quisesse realmente) é que a minha alegria passou como um vento bom, que nem nos dá chance de se acostumar e já se vai, mas que já, assim como é, faz falta.

Minha doce criança se foi antes de vir, num capricho da natureza, nem sempre bondoza. Não que precisasse ser...

Adeus filho. Força Adriana. Te amo.

Barrados no Shopping

segunda-feira, 9 de junho de 2008


Desculpem, mas essa sexta não pude escrever os causos do menino que crescia por problemas pessoais, mas nesta sexta vai ter mais.




Adoro cinema. Adoro o cheiro local, o clima ansioso das pessoas para assistirem ao filme, a sala escura, os burburinhos e até mesmo o canhoto do ticket que te entregam ao entrar na sala.
Não foi diferente nesse último sábado quando resolvi assistir o quarto filme de uma das minhas trilogias preferidas o Indiana Jones. Estava aproveitando todas aquelas sensações e quem apontasse seu olhar curioso para a parte de cima das fileiras estofadas do cinema e me visse sorrindo e aproveitando todo aquele ar não acreditaria a aventura que foi estar ali. Explico:

No Cinemark a empresa do melhor complexo de cinema aqui de Guarulhos emprega uma lei cruel em suas dependências: A lei da fome.
Essa lei diz que você só pode comprar e entrar com comida que seja vendida por eles, tudo o que for de fora fica pra fora. Pois bem essa lei se torna mais cruel quando resolvo dar uma olhada para o menu variadissimo de guloseimas do ambiente e percebo logo de cara que vou precisar vender a meu corpo pra comprar uma garrafa de água que seja.
Eu só via uma saída para aquela situação, naquela tarde eu iria infligir a lei.

O plano era simples e parecia bom, esse complexo de cinema fica dentro de um shopping e todo shopping tem um mercado, iríamos até ele compraríamos o maior número de coisas e doces e balas que pudéssemos esvaziaríamos os bolsos e bolsas e colocaríamos os produtos contrabandeados neles e entraríamos ilesos.

Dada as diretrizes rumos para execução do plano e a primeira parte foi simples a não ser na parte da fila do mercado, estava gigantesca e pelos olhares nervosos daquela gente acho que grande parte daquele pessoal teve a mesma idéia que eu, malditos contraventores.
Terminada a tortura da fila era hora de esvaziarmos os bolsos. Tudo que era superfalo deveria ser jogado fora para dar lugar a mercadoria. No meu caso foi simples só tive que me desfazer de um monte de papel inútil e foi assim um a um a não ser com minha maior cúmplice: Adriana banana que também chamo de amor, coração, paixão, anjo, bem essas coisas.
Sua bolsa tinha muitas coisas e no entendimento dela não era nada superfulas, na verdade é um enigma como uma bolsa tão pequena pode comportar tanta coisa, dali saia de tudo, desde toda a parafernália feminina como batom, lápis e absorvente até pilhas incrível. A bolsa da mulher é um mundo à parte. Depois de alguma discussão demos um jeito, claro não conseguimos fazer com que ela jogasse nada fora, mas ela arrumou uma maneira que conseguir enfiar mais alguma coisa lá (não me pergunte como).
Terminada esse processo já era hora de testarmos nosso plano e fazer frente ao nosso maior inimigo: O Bilheteiro.

Fui na frente confiante, pois tinha que passar segurança para meus parceiros, um pouco mais atrás de mim estava Adriana Banana, cuja mão trêmula pregada a minha dava o tom do nervosismo que ela estava. Outros do bando vinham mais atrás com alguns quilos a mais pregados nos bolsos do casaco. Chegamos a frente do cinema olhei pra trás e firme disse vamos e dei um passo quando senti um forte puxão olhei pra trás e ouvi a Adriana dizer:

- Má (ta certo, isso não é apelido para um mafioso mas ela já ta acostumada a me chamar assim) tem certeza que eles não revistar agente?
- Claro que não, isso ai é um cinema não é a alfândega é só agirmos naturalmente.

Dito isso eu imaginei o que aconteceria se eles tivessem empregado cães farejadores de guloseimas, teríamos que correr daquelas feras mas com todo o peso extra que estávamos levando ficaríamos mais lentos do que já somos mesmo então estas bestas pulariam em cima de nós estraçalhando nossas vestes e trazendo a luz da lei a prova do nosso crime. Nos jornais matinais a manchete:
“GRUPO DE GAROTOS SÃO PRESOS AO TENTAREM CONTRABANDEAR COMIDA PARA O CINEMA. POLICIA ACREDITA SER O MAIOR BANDO DO PAÍS”.

Deixei esse pensamento de lado, pois era bem capaz de o meu grupo acreditar nessa besteira.
Puxei eles para a fila para entregarmos o ticket e ali foi que o desastre aconteceu.
Já tinha entregado o meu olhando fundo nos olhos do bilheteiro (droga ficou meio gay isso) tentando passar confiança e naturalidade ele tinha comprado minha atuação pois mandara eu passar e foi assim um a um quando o ultimo de nós enfia sua mão suada no bolso do casaco para puxar o bilhete e junto com ele cai um saquinho de bala.
Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaooooooooooooooooooo!!! Olhamos um na cara do outro e ao redor ao mesmo tempo tentando encontrar um ponto de fuga algo que pudesse nos tirar dali rápido. Mas claro não deixaria ninguém pra trás essa era a leia dos bandidos.
Olhei para meu companheiro que fez a merda toda para ir em sua defesa quando vejo ele se abaixar pegar o saquinho, entregar o bilhete ao bilheteiro que diz firme:
- Bom filme senhor.
- Brigado.

Hahahahahahah foi o som ouvido quando ele se juntou a nos. Tanto barulho por nada.
Assim rumamos pra sala escura para ver mais uma aventura do fabuloso Indy.

Até.

 
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