+ 1964 -2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

Eu havia abandonado minha casa, o berço esplendido ao qual me deitava já não era assim tão convidativo.
Muitos fizeram como eu. Toda uma geração.
Estendemos ao longo do caminho bandeiras e gritos de ordem que no fundo era resultado de anos de alienação e ignorância.
Fiz das ruas minha casa.
Fiz do amor um comércio.
Fizemos das drogas nossa porta-voz para que nos ouvíssemos falar sobre o que não entendíamos.
Alguém falou a mim de paz com pedras nas mãos e sangue nos olhos. Seguíamos para frente sempre olhando para trás, para os grandes do passado e o resultado foi um tropeço tão grande que alguns daquele tempo tiveram que conceber seus filhos na cratera aberta pela própria ideologia.
Hoje se arrastam para fora com seus velhos na carcaça.
O que fiz das minhas leituras não vale o papel impresso e o que fiz das minhas impressões valeu toda a angustia de te-la concebido.
É na dor que crescemos.
Hoje estamos no poder e somos tão corruptos e bárbaros quantos os da velha guarda com a diferença que somos mais ignorantes, filhos de antenas e plasmas.
Pais de produtos com nomes de gente que recebem das empresas a imposta alienação de cada dia.
Que queime tudo no fogo da vaidade, a luta ainda não teve fim, acontece que essa geração ainda não definiu com quem ou pelo que luta.


___________________________________________________________________________________

Depois de um tempo ausênte devido a problemas e soluções pessoais eis que volto (alguém ai? rs).
Juro que continuo a série abaixo rs.
Agradeço de mais o carinho do

Nectar em Flor
nesse interim.
Fui

Estranho caso de Maria IV - Eles

segunda-feira, 9 de março de 2009


Homens são animais gregários. Reunidos em bandos, mais conhecido como grupo de amigos, eles se satisfazem, contam suas glórias e exibem com prazer seus troféus de guerra, salvos as ressalvas necessárias ao orgulho de cada um, poderiam dizer que se completam. As tristezas e feridas da guerra do dia-a-dia são relatadas não como lamentações chorosas de um destino inevitável, mas sim como provações e lições a serem aprendidas e todo bando, ou melhor, amigos, os apóiam pedindo mais outra rodada.
Homens são caçadores. Competidores por natureza, se espalham pelas ruas e bares e outros locais com o intuito claro de espreitar e estudar o objeto de caça e raramente caçam sós. O sucesso ou o fracasso da caçada, claro, e relatado em bando e em mesas.
Carlos e Luiz não eram diferentes dos demais de sua espécie e como era de costume estavam eles, mais alguns pertencentes à matilha, reunidos em torno da mesa do bar Quincas Borba, estrategicamente localizado próxima ao trabalho de todos. A essa altura, já encharcados de cerveja ouviam atento os relatos de Luiz acerca do seu caso com a ruiva da padaria:

“Eu digo pra vocês, caras! Aquela mulher, como toda amante, é mesmo um risco pro meu casamento, mas com o tratamento que ela me da o que eu poderia fazer se não esticar mais uma semana antes da pular fora?”
Acenos de cabeça mostravam que a resposta era obvia de mais pra ser dita em palavras.
Todos, como se fosse um ritual embutido e praticado pelo próprio dna masculino, beberam de seus copos e se preparam para ouvir o restante da narrativa de Luiz, ávidos por saberem mais sobre aquela ruiva, quando foram interrompidos por uma pergunta:

“E o amor?” – era Sérgio, um garoto estagiário lá do escritório. Era uma semente que a pouco havia rompido o solo e queria seu lugar ao sol. Gostava de andar com os velhos lobos.
“Do que está falando?” – indagou Luiz um pouco confuso.
“Digo o amor por sua esposa?”

O amor. Sérgio havia tocado num assunto delicado, o amor para a maioria dos homens é visto como um soldado sem pátria e sem bandeira, ou seja, não é digno de confiança ou de crédito, sabem eles que é impossível escapar-lhe, mas correram dele em quanto tiverem fôlego. Então um dia ele vence e faz desses homens valentes e covardes prisioneiros de sua causa.
Alguns se casam, teem filhos e tentam, à medida que os anos dificultam as coisas, demonstrar que ainda são cativos desse mercenário, mas que apesar de tudo acham a felicidade em algum detalhe do sorriso da mulher amada.
Outros como Luiz, nada mais fazem que mascarar o que realmente sentem, se envergonham de certa forma por terem caído em campo, numa batalha que eles mesmos criaram em prol do orgulho e da recusa de crescerem. Esses também se casam e até mesmo amam suas esposas, mas demonstram deixando claro aos amigos que uma amante só é uma amante.

“O problema do Luiz – interrompe Carlos – é que ele ama uma mulher enquanto é apaixonado por todas as outras. Se a mulher e uma amante dele se encontrassem sabe o que ele diria Sérgio?”
Sérgio abana a cabeça negativamente.
“Ele diria, hei eu posso explicar, mas para a amante”.
Todos riram e beberam e terminado o ritual, voltaram pra suas casas e esposas exceto Carlos que não era casado, e quando foi pra casa tinha nas mãos um livro achado no metrô e no pescoço uma simpática garota que havia conhecido por ali mesmo.

O estranho caso de Maria Parte III - Elogio a Loucura

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009


O novo costuma assustar. A rotina, apesar de ser condenada pela língua de todos, costuma ser muito melhor aceita que a surpresa, que o novo, que o inesperado, pois tudo isso exige do ser humano uma complexa mudança de comportamento, um jogo de cintura todo especial e, além disso, a admissão que nem sempre estamos no controle das coisas, que alguma coisa em nossas próprias vidas nos escapa de nossa onipresente presença nelas.

Maria, como muitas outras pessoas nesse mundo, não sabia lhe dar muito bem com o que fosse de fora de seu planejamento e o harmonioso reger daquele dia não estava sendo nada condizente com seus planos.
O dia realmente tinha sido estressante no trabalho, exigindo dela mais do que realmente estava disposta a dar e dando menos que exigiam receber. O resultado dessa equação nada mais é que um estrangulamento do próprio eu, que morre no ápice do desentendimento consigo e renasce em muitas formas. No caso da mulher e da Maria, a mulher em questão, costuma renascer em forma de demônio.

Interessante mesmo é como os homens tratam da situação quando surge diante deles tal aparição. Nada na vida os prepara para tal enfrentamento, pois uma mulher nessas condições é uma ameaça direta ao orgulho masculino, uma vez que em suma, homens acreditam que tratar com uma mulher é questão de escolher as palavras certas. A ignorância dos homens ai os condena a um eterno retorno, o da bestialidade.
Os homens costumam dar nomes as fases que a mulher passa, talvez numa tentativa pífia de chegarem o mais próximo de a entender. A fase mais conhecida de todas é a famosa TPM e foi o que vários homens do escritório achavam que Maria tinha no final do dia quando ela partiu pra casa. Finalmente o dia tinha acabado.
Não pra Maria.

A roleta russa só termina quando atinge alguém, e a vez era do rapaz alto e magro que se aproximava da mesa que Maria estava na padaria próxima ao trabalho. Costumava ir lá vez ou outra só pra beber e odiar o mundo de passagem:

“Posso me sentar um pouco aqui?” – perguntou o cara que era todo sorriso.
“O que há com as outras mesas da casa?” – devolveu ela.
“ Não há nada – sorrindo – e é exatamente por isso que queria me sentar com você, já a vi algumas vezes aqui e sinto vontade de conhece-la”.
“Hummm! Quanta pretensão! Sabe o que é exigido pra conhecer uma mulher?” – pergunta isso pronta pra passar a arma.
“No seu caso bom gosto” – plá e arma estoura nas mãos dele.
“Não amigo – começa Maria um tanto séria – mentir só ajuda no começo quando decidimos aliviar. A pergunta foi clara e você não entendeu mesmo assim, estava pensando com a cabeça errada. Mas estou disposta a ser legal com você e vou te passar a cola pra quando a vida exigir de novo essa resposta de você.
Pra se conhecer uma mulher é necessário inteligência, sensibilidade, uma dose de sacrifício do ego, coragem e paciência tudo isso trabalhando como uma grande orquestra, em uníssono com nada fora do lugar e é exatamente por isso que nenhum homem já mais conseguiu conhecer uma mulher, pois nenhum conseguiu reunir tudo no isso ao mesmo tempo no mesmo caráter.
Mas ao menos você tem coragem.”
Maria se levantou, pagou a conta e se foi.

“TPM é foda!” –foi o que pensou o homem da roleta.

MiMOS

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


Só uma rapidinha!

Quero agradecer a Stephanie e Arlequim pelos brindes ofertados a mim. Nem preciso dizer que mais feliz fico mesmo é com a presença desses dois anjos lá pelo Sarge.

Obrigado Moças.


Os mimos estão laaaaaaaaaaaaaaaa em baixo :)

Volto logo

O estranho caso de Maria Parte II

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Carlos tinha a idéia, por vezes até bem clara, de que são as paixões de um homem que o elevam ao patamar de gigantes, não obstante, acreditava ele, essa grandeza tinha um preço bastante alto a todos.
Paixões são traiçoeiras, o veneno que elas, gota a gota, injetam em nossos corações agi rápido, primeiro em nossos olhos, nos cegando para todo o resto, tudo que nos cerca é somente uma ferramenta para polir nossas paixões. Segundo em nossos cérebros que febris vislumbram mundos cada vez maiores. Quando nos damos conta, pensava ele, estávamos vivendo integralmente, alimentado pelo veneno da paixão, em prol de um coração doente e no final seriamos derrotados por ele, implacavelmente.
Agora Carlos explicava isso a seu amigo Luiz enquanto esse vigiava para ver se o chefe do escritório não estava por perto:

“Grandes homens tiveram grandes paixões e a maioria foi impulsionada e sufocada por elas. Alguns só queriam glória, outros conhecer terras distantes, alguns queriam somente unificar teorias cientificas e essas coisas, fazer uma obra musical inigualável e tal”.
Mas não são nessas coisas que mora meu coração, sabe ao que realmente me dedico?“
“Claro! Você se dedica a duas coisas grandiosamente. A primeira delas e a perder o emprego e como demonstração de superioridade tática me levar junto pra rua da amargura número 666. A segunda e mais importante delas, e comer o maior números de garotas antes de morrer e subir aos céus pra ver se restou alguma virgem por lá também”.

Ambos riram dessa observação disfarçadamente já que o chefe se aproximava pra mais uma ronda. Passado o perigo Carlos sai em sua própria defesa:

“Você se engana Luiz – começa Carlos - se acha que o que meus relacionamentos são baseados somente pela busca do sexo. Todos eles sim são baseados em meu grande sonho, minha grande busca, aquilo à qual me dedico de corpo e alma, ou seja, descobrir a mulher certa, é ai que mora meu coração”.
“A mulher certa pra que?”
“Não sei”.
“Admita! Você é um apaixonado pela solteirisse, é movido pela conquista, adora esse jogo, nasceu pra ele. È justamente por isso que nenhuma mulher passa mais que um mês sob os mesmos lençóis que você. No fundo você não saberia o que fazer quando chegasse ao seu objetivo, esse ai da mulher certa – risos- é como um cão que persegue o próprio rabo, quando o tem entre os dentes só lhe resta soltar”.

Mesmos os grandes tiveram, dividindo espaço com suas paixões, a semente da dúvida presa ao coração. E agora Carlos duvidava de si mesmo.
Para maioria ele era só um grande canalha comedor de mulheres, admirado pelos colegas pelo número de fêmeas que tinha em sua lista e odiado pelas mulheres que tiveram sua chance e agora eram só historia.
Para ele era fácil. Era bonito acima da média, alto, não muito forte, mas de um bom porte físico, tinha olhos de um mel profundo que lhe dava o ar de sonhador romântico. Um lobo em pele de cordeiro.
O discurso de seu amigo tinha algo de verdade. Gostava realmente da conquista, do flerte, da batalha de olhares e, claro, da presa abatida. Mas no fundo quem realmente conquistou quem? Alguém de fato saiu ganhado ou perdendo?
Ele estava realmente à procura de algo mais.
Estava?
“Foda-se”- e ao pensar nisso em voz, alta se lembrou do livro que por sorte veio parar em suas mão pela manhã no metrô. Na capa estava escrito:

“RISÍVEIS AMORES”
MILAN KUNDERA

É talvez valha e pena insistir.

O estranho caso de Maria

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Maria tinha mantinha aquela rotina comum a muitas mulheres exceto pela manhã, quando era acordada pela Aretha ao som de A Rose is still a rose que saia religiosamente às 6:00 pelo velho rádio-relógio.
No mais era se levantar, comer alguma coisa que não desse trabalho pra preparar e sair apressada para o trabalho.
Era no metrô apinhado de gente como ela que costuma ver sua vida por outro ângulo, o ângulo que seria realidade se tivesse pegado o bonde certo naquela curva de sua vida.
“Maldição”, ela pensava enquanto balançava o corpo bonito naquele vagão pastel - “Já tenho meus trinta anos e o que realizei deles? Nem ao menos fui capaz de me casar”.
Isso era verdade, outra verdade sobre ela era que nuca teve realmente vontade pelo matrimonio, nunca tivera nenhum exemplo bom acerca do casamento e o pior deles vinha de sua própria gênese, seus pais viviam em pé de guerra e disso ela tirou uma importante lição. Os homens são uns grandes filhos-da-puta.
Maria era condescendente, ela entendia e costumava dizer que não era por culpa deles, era na verdade, uma armadilha intricada da natureza que os jogava no lamaçal moral que se encontravam. Certa vez tentou explicar isso a uma amiga:

“O que podemos esperar de um tipo em que o sexo está acima de qualquer coisa?” – perguntou Maria mirando seus olhos inteligentes para sua amiga.
“Eu é que sei, traição ou filhos que nunca iram conhecer o pai, algo assim” – e Madalena riu do próprio comentário.
“É possível se formos burras pra tanto. Mas somos o lado forte da criação, temos o controle, a chave que os mantém no cabresto, porque entregar tudo de mão beijada só pra alimentar a esperança de que eles um dia mudem? A natureza os condenou a serem assim, nunca mudaram” – e ponto.

Sim ela tinha razão em um ponto, todos estamos presos a nossa natureza e com ela não era diferente. Escrava da natureza feminina que era tinha seus momentos de solidão e anseios costumava vez por outra cair na armadilha comum a todos de desejar filhos e uma casa com um jardim bonito e um homem que tivesse escapado da intrincada armadilha da natureza.

Freava esses momentos de insanidade bebendo em algum barzinho de Santana e tendo sexo casual com homens que fossem pouco interessantes, mas bonitos.
Algumas de suas amigas achavam que isso era resultado da queima de alguns sutiãs que ao invés de liberta-las lhes transformaram nos monstros que combatiam.
“Tanto melhor, ao menos a luta está em pé de igualdade” – pensava nisso agora Maria.

Maria era muito inteligente e isso ao ver dela explicava muita coisa errada de sua vida, segundo ela.
“Mulheres inteligentes espantam as pessoas, tanto homens quanto às outras mulheres” –era o que ela pensava.
Nunca terminou a faculdade e a despeito de sua inteligência Maria havia cometido muitos erros que a transformara naquela garota de pensamentos singulares e rotina comum.

Foi seu último pensamento quando percebeu que deveria saltar na estação em que estava parada, mais uma vez saiu às pressas e nem deu chance ao homem que apanhou o livro que esquecera no banco de lhe devolver o esquecido.
Ele manteve o braço esticado sacudindo o livro de um lado ao outro enquanto via a porta se fechar e Maria se afastar.
Não havia problema há muito mesmo esperava por um gancho daqueles.
-----------------------------------------------------------------------------------

Oi pessoal :)
Faz um tempo, não? Estava com saudade de todos e corro para ir atrás do que andei perdendo por problemas que me impediam de acessar.
Mas estou de volta.

CRÔNICAS VAMPÍRICAS

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009


PARTE I


A teoria do caos.

Em uma cidade dois amigos se divertem construindo programas de computadores e pequenos vírus por diversão, enquanto se empenham em desenvolver um programa capaz de aprender sozinho e que seja capaz de evoluir por conta própria.
A vida deles esta estranhamente interligada a de uma garota que anos atrás também costumavam chamá-la de amiga e que resolveu de uma hora pra outra desaparecer e tão repentinamente como sumiu resolver aparecer.
Seu nome é Lisa.
Ela vem recuperar um pouco do que deixou no passado quando resolveu ir embora, isso inclui família e amigos.
Nesse processo irá notar que tudo que fazem de certa forma esta interligada como todas as pessoas que conhecem e que suas atitudes geram ondas nas vidas das outras.

Marcada pelo signo da solidão como se isso fosse uma sina e não uma escolha ela lamenta diante de um Cristo sofredor todos os passos errados que ao seu ver trilhou.
Suas preces lhe servem não como expiação e sim como escudo e incentivo para os próximos passos que em seu entendimento deve trilhar e que lhe pode causar dor e sofrimento, mas essa é sua cruz.

“Pai! Elevo meu coração e minha oração ao mais alto e por ser pequena de mais peço que curve seus ouvidos até mim. Minha alma mergulhada em angústia pede que a console, minha cabeça cercada de dúvidas tem fome de sua sabedoria, meu tempo se aproxima e espero em ti que renove minha fé”.

- Oi Lisa! Quanto tempo!
Lisa ainda de joelhos e uma tanto assustada pela intromissão se volta pra traz e vê um daqueles que deixou pra no passado. A providência dessa vez tinha sido rápida.

- Oi Marcos! Estou feliz em te rever.
- Eu não posso dizer o mesmo, não sei lhe dar muito bem como o que estou sentindo, mas acho que não é felicidade.
- Imaginei que iria topar com essa reação quando voltasse, sabe, quando procurasse vocês de novo.
- Pelo menos esse tempo todo afastada não lhe tirou a sensatez, não é? O que quer realmente, perdão?
- Não diria isso.
- Acho que nem Deus poderia ter dar mesmo.
- Isso é uma questão de fé.
- Hum! Quantas mudanças, não era religiosa antes de partir. Mas acontece com todos os pecadores que praticam um grande mau, vêem na conversão a saída perfeita.
- A vida não é tão simples assim e tem muita coisa que não sabe sobre mim.
- Quem poderá me culpar? Você? Desculpa, mas eu não recebi nenhuma carta sua. Alias, por causa de sua fuga repentina não recebi nada além de acusações, você era a garota perfeita que tinha se metido com os caras errados, fui sempre taxado como aquele que roubou sua vida, que partiu seu coração, até mesmo tive problemas com a policia.
O foda foi como eu consegui suportar a dor da acusação. Consegui porque a dor da sua ausência era bem maior, a angustia por não ter-la por perto era praticamente insuportável comparado com o todo.
- Quer saber foda-se você!

O problema de uma vida pode se resumir num foda-se. Largamos de mão muito de nossa vida e bradamos um foda-se como um mantra que nos curasse as feridas.
O pesar é que projetamos ondas nas vidas das pessoas ao redor e no final nos importamos tanto e tanto que foda-se o que vamos fazer pra remediar, simplesmente precisamos fazer algo.


-------------------------------------------------------------------------------------

Crônicas Vampíricas apesar do nome não tem nada haver com vampiros.
É um conjunto de contos que escrevi há um tempo atrás que tratam de relacionamentos e de dependência desses relacionamentos, como se sugassemos a existência e as carências e sentimentos de nossos alheios.
Esses contos me renderam alguns confetes numa disputa de redação, anos atrás quando estudava.
Me deu prazer escreve-los espero que dê prezer a leitura.

Triângulo do amor.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


São Paulo – Brasil.

Sophie olhou para o lado e como que se nada fosse e perguntou: - “Qual é minha maior qualidade?”.
Jonas pego de surpresa pela pergunta, mas além de surpreso incomodado pela quebra do silêncio se remexe no sofá franzindo o cenho, enquanto seus olhos castanhos gelados olhavam visivelmente irritados pra ela, ao que responde: -“Sua imoralidade, de fato, a despeito de toda sua beleza, o que a torna mais que um simples detalhe e sorte de nascimento é a sua propensão para o mundano e o imoral, você esta sempre nua das vestes sacramentais e do socialmente aceitável. Com certeza essa é a sua melhor qualidade.
Sophie ri e olha curiosa pra ele numa tentativa de saber se o que falava era só uma provocação ou era serio. Ficou sem saber, como sempre era muito difícil extrair de Jonas algo que sua mente escondia, ler seus pensamentos era uma tarefa tão desgastante que raramente valia o esforço.
“Talvez seja por isso que o amo. Será?”. Deixou esse pensamento vagar um pouco por sua mente e o abandonou em seguida.
Sorrateiramente como uma criança que fosse fazer algo errado levantou-se da cama onde estava deitada e a passos preguiçosos sentou seu corpo nu em um sofá de frente para o que Jonas estava sentado:
“Seria capaz de matar-me?” - perguntou com o sorriso mais belo do mundo.
“Quer saber se a amo?” – soltou Jonas como se despertasse de uma hipnose.
“Não meu caro, que me ama eu sei, queria saber o que exatamente perguntei, só isso”.

Dessa vez seu olhar não era de irritação, apesar de manter o mesmo frio no olhar, era de descoberta, como se a resposta que fosse dar não fosse conhecida nem mesmo por ele antes da pergunta ter sido feita, mas após desta ter sido proferida a certeza era incontestável.

“Se preciso fosse, sim eu a mataria, com a mesma certeza que tem de meu amor. Sim eu o faria”.
Os olhos verdes-garrafa da mulher nua à frente dele brilharam com tanta intensidade após ouvir aquilo que era difícil dizer se o que mais irradiava era seu sorriso ou seu olhar. Ele também sorriu, pois sabia o que ela estava pensando.
“Se assim é então devo dizer que carece da minha maior qualidade e que pelo exato oposto tem um dos maiores defeitos do mundo. Você só não deixou de ser agraciado com o dom da imoralidade, mas também foi desgraçado com a sina dos mártires, você meu amor, es um santo”.
Riram ambos da forma teatral com que Sophie com seu sotaque carregado soltou aquela frase.

Para Sophei era exatamente o que Jonas representava, um santo, a despeito de tudo que fizera no alto dos seus vinte e oito anos de vida, e não fora pouca coisa.
Quando o conheceu ainda na França, sabia que aquele homem apesar da juventude e dos traços calmos era um homem de segredos e convicção, tinha muitos motivos para se sentir atraída por ele, já naquela época tinha um corpo bem talhado e a despeito de ser um homem alto, andava com elegância, sua pele escura fazia com que Sophei o comparasse em sua cabeça aos velhos guerreiros de tribos africanas, viris e temerários, mas era em seus olhos que ela costumava se perder, como Sophei mesma costuma dizer, eram um mar de gelos castanhos.
A mente de Sophie ainda estava presa ao passado quando um leve som interrompe seu devaneio, olha pra frente a tempo de ver Jonas se levantar e ir pensativo até a janela.
Alguns segundos se passam com ela a lhe mirar seu olhar em suas costas.
“Algum problema?” – ela indaga.
Ele se volta, pega um violão que está ali perto, mas não o toca, procura o sofá novamente e deixa o instrumento descansando em seu colo, respira fundo e diz:

“Hoje eu fui ferido no peito”.
“Como assim, Jonas?”.
“Eu a conheci assim de repente, de sorriso lindo e olhar meigo. Realmente podia me perder naquele sorriso, realmente eu queria me perder naquele sorriso e por todos os meus pecados foi exatamente o que consegui”.

Sophie o escutava cada vez mais curiosa.

“Ela poderia ser uma boa arquiteta tamanha a facilidade em projetar sonhos nas pessoas. Claro! Eu homem feito, estou aquém disso tudo, apesar de toda a feridas, apesar da lamentação. Sou homem feito, não sou?”.
“Jonas, você está me dizendo ou tentando me dizer que se apaixonou por outra pessoa?”.

Ele a olha. Solta um suspiro e uma nota no violão que lembra uma música do passado de Sophei. Sorri um sorriso tristonho e diz cantarolando:

“Eu te amo Sophei... mas ela me feriu quando disse que tem outra pessoa. Consegue entender isso?”.

Sophei se levanta procura uma roupa qualquer e se veste. Antes de sair ainda consegue sussurrar:

“Me liga”

---------------------------------------------------------------------------------------

Quero dedicar esse conto a Giza, sorriso doce.

Um conto de Natal

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


Oi pai!
Desculpa lhe dirigir a palavra assim de forma tão simplista, a verdade é que, depois de tantos natais sem nos falarmos, tudo que restou dessa nossa relação oi essa falta de jeito.
Não! Minto meu pai.
Além disso, ainda me resta as memórias embrulhadas em fotografias e objetos guardados em armários. Eu nunca os toco, é outra verdade, ainda tenho medo dos fantasmas desses armários e fotografias. O senhor deve saber que é justamente em noites de natal que eles resolvem sair, não é mesmo?

Faltam poucas horas. Para o natal, eu quero dizer e é justamente por isso que estou aqui.
Vim para exorcizar todos eles. Me cansei de nutri-los com minhas lágrimas, me cansei de covardemente me esconder em sorrisos falsos ou desculpas tolas, pai.
Depois daquela maldita noite de 25 de dezembro, em anos, nada foi o mesmo.
Lembro que quebrei, com nossa briga, não só algumas louças e objetos, quebrei, ou melhor quebramos também aquele velho espírito que parece cada vez mais raro nas pessoas e era tão bonito de ser ver em nossa família.
Meu coração também não sobreviveu.
Sempre tivemos nossas diferenças, mas aquilo tudo foi de mais.

Trouxe seus netos aqui comigo, estão um pouco afastados. Eles nunca entenderam e confundem com desprezo meu medo do natal. Creio que essa noite será diferente.
Nunca disse que te amava. Dane-se! Eu poderia ao menos ter demonstrado, como tardiamente estou fazendo agora.

Quantas famílias se separam em noites como essa? Quanta dor é partilhada no lugar do pão e do sorriso? E qual o custo disso em tempo?
Desculpa meu pai. Mesmo que tardiamente, desculpa, mas hoje vou sentar com minha família à mesa e vou ser a pessoa mais feliz desse mundo, a despeito de qualquer lágrima derramada.
Vou junta minhas mãos e o que restou de meu coração e farei uma oração para o senhor, e enquanto eu viver será assim, meu pai.

Faço isso também porque não quero ver meus filhos vindo até a minha lápide com tanta dor no coração e fantasmas na cabeça.

Alguém disse, meu pai, que o ultimo cristão morreu na cruz.
Acho bem possível, mas não custa tentarmos.

O Adeus (causo do menino que crescia)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Deitei minha cabeça sobre o peito já nu há algum tempo.
Ouço um sussurro dizendo “não, deixe eu ir”
Mas eu não estava a segurando, não com meus braços.

Interessante que não queria àquela altura nada que abrandasse meu coração, queria tormenta, queria a fúria no olhar e lábios trêmulos de cólera. Ergui a cabeça que tinha encontrado casa naquele seio moreno e vejo que não teria o que queria.
Respirei fundo e mergulhei igualmente fundo no olhar dela que pairava acima de minha cabeça.
Eu a odiei, foi por um segundo ou menos, mas eu a odiei. Ela era muito superior a mim e seu olhar transmitia isso, seus gestos, seu corpo retesado naquela cama, nu e exalando sexo, tudo estava acima de mim, inclusive o sentimento que nutríamos um pelo outro, meu amor era só um mimo para meu ego.

Vagabunda.
Foi o que pensei na hora e não havia justiça nesse meu pensamento.
Ela afagou minha cabeça enquanto ainda olhava pra ela e ali me senti como um cachorro abandonado, sabem?
Assim, por dor e raiva, desci com minha língua ao meio das pernas daquela mulher e mergulhei nela o mais fundo e rápido que pude naquele sexo que antes era só fonte de prazer.
Fiz isso porque sabia que sexo aquela altura machucaria sua alma e lembrava que ela mesma havia dito que “gosto de você, mas não podemos ficar juntos”.

Sim fizemos sexo mais uma última vez e só depois de alguns anos, quando atingi a maturidade que aquela mulher já possuía, percebi que o que a incomodava não era o sexo como despedida e sim a lança que eu mesmo apontava contra meu peito.
-----------------------------------------------------------------------------------------------


Esse é meu post de número 100 e como tal quero oferece-lo como agradecimento e homenagem a todos aqueles que vêem aqui e me fazem companhia.
Gente que aprendi a admirar e passei a gostar como se fosse um amigo próximo, porque amigos eu já os considero.
Que todas as alegrias sejam multiplicadas por 100.
Em especial á vocês:
Carla M
GilGomex
Barbarella
Laila
*.*Allegr!a*.*
HoneyBee
Marcelo
Larissa
Sam
Staphanie
Nina
Bruno
Arlequim
Ju carvalho.

Obrigado a todos vocês.

Domingo no Internacional.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Eu sou do tipo aventureiro, gosto de emoções fortes, brincadeiras perigosas, nunca dispenso um cocktail de adrenalina.
O problema é que por vezes me falta algum dinheiro para, digamos, dar um toque de sofisticação a esse meu lado James Bond, convenhamos nem sempre dá pra pular de para-quedas, fazer um Rapel ou mesmo me arriscar na Algusta aqui em Sampa com uma camisa escrita 100% negro.

Nessas horas que para aplacar minha sede sangue e glória resolvo fazer a única coisa plausível para um bandeirante como eu. Sigo até o shopping INTERNACIONAL DE GUARULHOS.
Sim meus caros. Uma vez dentro dele terá momentos inesquecíveis como se fosse nada mais é que uma personagem de cinema, envolto em emoções, corajoso, audaz, tendo que tomar a melhor decisão que levará o grupo ao qual lidera pra fora daqueles labirintos de loucura e lamentos.

Claro! A primeira vista parece com um shopping qualquer, cheio de som e fúria, a não ser pelo nome que nunca foi justificado, talvez por inveja do aeroporto local que se chama Aeroporto Internacional de Guarulhos, tenham também lhe dado o nome de Internacional e a não ser por umas pinturas mal feitas de pontos turísticos famosos e de uma casa de câmbio vazia, não vejo nada de internacional.
Mas nos apressemos para a aventura.

Na entrada somos recebidos com uma fonte que jorra litros e litros de água ao sabor do vento, molhando os desavisados, logo a frente portas de vidro que se abrem e fecham como por mágica, bastando somente nos aproximarmos.
A travessia pela estrada da fonte até suas portas mágicas é calma, mas no primeiro segundo dentro de suas dependências, podemos sentir a força daquela construção e o que nos espera logo a frente.
No hall de entrada vemos duas escadas que se movem no sentido oposto, a que leva pra cima costuma ser guardada por duas beldades sorridentes e de corpo escultural.
Malditas sejam!
Eu, cauteloso que sou, observo um humano que, atraido pelos encantos das beldades, ou mesmo empurrado pela necessidade de subir as escadas, perigosamente se aproxima de mais. O que se segue é além do terrível para que qualquer língua mundana possa descrever, lamento ser eu portador desse fardo. Elas o cercam sempre sorridentes, fechando o cerco sem ao menos dar a chance para a vítima pensar no que acontece, o medo deforma seu rosto quando uma delas mostra o emblema do Mastercard, já é tarde de mais para ele.
Mais que depressa viro meu rosto e sigo na direção norte no primeiro entrave a esquerda, meus passos rápidos não me deixam ver a placa que diz:

MAcDONALD'S.

Esse sentido nos leva a um largo corredor onde vemos vitrines com roupas femininas de um lado e mulheres com olhos arregalados e brilhantes do outro. Parecem dominadas por algum tipo de encanto, pouco falam, nada ouvem. Seus parceiros em vão tentam empurra-las pra fora daquela área mas desesperados percebem que não é possível, alguns choram quando vêem suas mulheres saindo com sacolas e sacolas das lojas.
Por todo o lado se ouve e vê o mantra de adoração em letras garrafais:

OFERTA. 50% OFF. LIQUIDAÇÃO.

Sigo em frente. Procuro, tentando me desviar sacolas e entregadores de papeis, o segundo par de escadas que me levara para o topo daquela construção, a direita da saída do corredor da liquidação feminina eu as vejo, gêmeas de personalidade diferentes, uma desce outra sobe.
Mas para alcança-las eu teria que enfrentar um grande obstáculo: o CHOPP TIME.

O Chopp Time e um tipo de taverna moderna com bebidas caras e fora da realidade e da cotação de qualquer moeda, onde os bravos guerreiros que conseguiam chegar ali poderiam se embebedar e assistir a algum jogo no telão, tentar alguma coisa com as damas locais ou ouvir musica ao vivo.
Como eu, depois de tudo que tinha passado poderia resistir àquele oásis? O problema é que minha aventura poderia acabar ali se não conseguisse resistir, meu fim seria sóbrio e sem dinheiro.
Respirei fundo e a passos cuidadosos tentei seguir sem olhar mas sabendo que ao lado tinha uma tentadora foto de um chopp, espumoso e gelado me convidando de dentro de uma caneca segurada por uma daquelas gostosas de comerciais, dizendo:

- Idiota! Não está vendo que sou uma gostosa com um chopp na mão? Do que mais precisa pra gastar toda sua grana aqui?
Eu sorria. E quando já estava, cego, seguindo em direção ao bar um alarme horrível soou, tão diferente e grotesco que fui despertado do transe.
Tentando entender o que acontecia e procurando com os olhos o inimigo dos meus ouvidos, vejo bem perto de mim as gêmeas. Era minha salvação. Corro.
Atinjo com pés pesados os degraus, na metade do caminho vejo a fonte daquele barulho que havia me despertado do transe, era um dupla de cantores sertanejos que fazia um apresentação ali.

Abano a cabeça e olho pra cima. O que vejo me aterroriza. Meu coração entra em disparo, meu desespero é tal que penso em voltar na contra mão da escada. Não é possível.
A traiçoeira escada me leva direto a ela. A terrível ZUKEN CO.


continua...

Pausa na programação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A quem possa interessar.

O Sarge esta em recesso.
O juiz desse encantador lugar está deliberando com os arquitetos do destino sobre o que fazer em seguida, quando a vida, assim de repente, muda o jeito de se comportar.

Prometo voltar a carga pela segunda.

A quem possa interessar.

Do amor (e outras invenções)

terça-feira, 11 de novembro de 2008


“Cara me diz ai porque é tão difícil lidar com mulher?”
Parei de comer aquela droga de comida que meu amigo tinha acabado de preparar, olhei pra fuça dele e vi mais uma vítima de qualquer paixão.
Devia me vingar por ter me feito de cobaia, mas pensei melhor, afinal de contas, consola-lo ia doer mais:

“Diz logo, qual é o problema?”.
Ele então desiste de cometer o suicídio ao comer aquilo que ele mesmo produziu no fogão, coloca o prato de lado, abre uma cerveja e derrama o verbo.

“Imagina a cena! Cheguei ontem na casa da Sueli, todo amoroso, louco pra beijar e sentir aquele corpinho dela deslizar entre meus dedos, a chamo no portão, ela manda entrar, corro pra dentro e o que encontro me deixa muito cabreiro”.

Estico o braço e abro uma cerveja também. Não consigo conter o sorriso de sarcasmo, provavelmente o cabeção encontrou um outro macho rondando o território e ficou todo ouriçado. Ri.

“E ai? Tinha alguém querendo demarcar o território lá também?”.
Faz cara de quem não gostou.

“Tão ruim quanto. Ela estava com aquela cara de quem está pronta pra discutir a relação, sabe?”.
Faço uma careta e ele concorda.
Penso comigo mesmo, porra, porque é tão difícil pra nós homens discutir a relação? Talvez seja porque não discutindo agente acaba enterrando os problemas dele em baixo do tapete, ou porque na maioria das vezes se torna um monólogo feminino e acabamos percebendo que, ou ela ta namorando outro cara, ou temos uma visão totalmente diferente da mesma situação. Ai nos dois casos o pau quebra.
Ele continua. Eu abro outra cerveja.
“Então... fico olhando a cara dela e tentando farejar o perigo, sabe, como um animal à espreita, tentando rever na minha mente alguma mancada que tenha dado e que por ventura ela, com aquela mania feminina de descobrir as merdas que agente apronta tenha, sabe... descoberto tudo”.
“Sei”.
“Bem, passou muita merda na minha cabeça e ela não dizia nada, então lancei mão de uns artifícios que na guerra do sexo são armas poderosas, primeiro elogiei seus cabelos e perguntei se havia mudado algo”.
“Seu verme” disse isso pensando que agente nunca faz nada direito e quando temos a chance de consertar as coisas, então ai sim, fazemos mais do mesmo, ou seja, merda.

“Eu sei, eu sei. Mas sabe de uma coisa? Não adiantou de nada, ela só fez dar um sorriso amarelo, dizer não e continuar com a carranca armada”.
“Parti então para o próximo ataque. Me aproximei dela e lhe fiz algum carinho, a beijei ali e aqui, enquanto perguntava se estava tudo bem, o que tinha acontecido, eu suava frio, sabe, a casa tinha caído eu fui o último a ser avisado”.
Olhei pra ele e imaginei a cena. Nos fazemos de forte, brigamos na rua, trocamos pneus de carro no braço, mas quando uma mulher faz cara de brava viramos umas criancinhas com medo da injeção e o medo se instala.

“Mané! Fala logo o que ela tinha, até eu estou curioso agora, aprontar com certeza você aprontou, não faz outra coisa mesmo”.
Ele aponta pra geladeira e pede pra eu pegar outra cerveja.

“Vou dizer, mas se prepara. Como disse o medo em mim já tinha se instalado, você me conhece, já dei todos os motivos praquela mulher largar de mim, mas se ela fizer isso eu tenho um treco, choro que nem criança, e peço pra voltar mesmo. Como eu não queria que a coisa chegasse a esse pé, entrei em pânico.
“Olhei pra ela e pensei em toda a bagunça, as farras, amigos e mulherada, me deu uma dor, pensei comigo, filho da puta valeu a pena?”.
“Valeu”? Disse isso dando risada.
“Cala a boca! Naquele momento só me restava uma coisa, abrir meu peito de dizer tudo, o quanto sou canalha e mulherengo e o quanto estava arrependido, foi quando peguei nas mãos dela e me preparei”
Acho que tinha bebido demais. Não podia estar ouvindo aquilo.

“E ai, conta logo!”.
“Bem ela me interrompeu quando estava abrindo a boca, olhou pra mim do jeito mais doce do mundo que se fosse diabético teria caído duro ali mesmo e o que ela disse você não vai acreditar”.
“Se você parar de enrolação e contar quem sabe”.
Tomou uma golada da cerveja. Riu e ...
“Cara! Ela olhou pra mim e me disse (fez um falsete com a voz aqui) “diz que me ama. Estou precisando ouvir isso, estou me achando tão feia hoje “cara eu não acreditei nisso”.
“Então quer dizer que toda a carranca dela era só hormônios ou coisa assim?”.
“Era”
“Mas e aquele papo de arrependido e tal, não mudou nada em você?”.
“HAAA! Aquilo. Bem sim, estou diferente sim, mas essa conversa eu deixo pra depois, sabe como é, vai ter uma festinha na casa da Leila e preciso da uma história pra Su”.
Que filho da puta!

Coro dos Escravos

terça-feira, 4 de novembro de 2008




Não há esperança para os fracos naquele terra. Triunfa a desordem e floresce às primaveras o medo e a angustia, se há o riso, ele nasce do desespero.
O sol nasce glorioso nos céus daquela terra, enquanto marcha em ritmo forte, homens e mulheres, semblantes sulcados pelos raios, pela esperança e sobretudo pela imposição da vida.
Não há esperança para os fracos lá.

Os jovens daquela terra desdenha do passado e se apóiam na inconsistência do futuro que ajudam a desconstruir.
Fraquejam sem esperança.

Os pensadores daquela terra montam seu altar em caixas televisivas, intelectualizam o preconceito, manipulam com o chicote das grandes corporações em riste, sempre pronto a punir a próxima revolução. São fracos e cínicos, sufocam com o próprio suor que goteja com sua culpa.

Não há esperança para os fracos naquela terra. Mas há os escravos dos dias e do tempo.

A eles há a glória pela busca por dias melhores e acreditam, mesmo que tácitamente, que não há honra na morte sem luta.

Os fracos! Os fracos de cima de suas muralhas de vidro e concreto, arranham o céu, mas não a face do Deus dos escravos lá em baixo.
Os escravos apesar de cegos, não se fazem de mudos, entoam o coro tão forte que há de abalar as estruturas das torres que abrigam os fracos, há de vergar o aço mais resistente e há de um dia despertar do berço esplêndido o gigante adormecido das américas.

Só espero que os jovens dessa terra despertem.

-----------------------------------------------------------------------------------------------
A escultura acima se chama Gloria Victis, de Marius-Jean-Antonin Mercié.

Eu me esqueci de mencionar: O nome que da título ao texto(Coro dos escravos) é de uma ópera de Giuseppe Verdi, linda, majestosa e emocionante, vale a pena conferir nos youtubes da vida.

Pausa para o café.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ellen, agradeço intensamente pelo carinho e presentes ofertado a mim:



Quero repassar o agrado a um blog que conheci pouco tempo mas que me fez perder algumas horas lendo tudo que está, é ele:

BELEZA DO SER
Também sei que deve estar cansativo dona Carla M mas são pra você também :)
Até.

Receita de Felicidade

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


...então eles viveram felizes para sempre.
O velho fechou o livro e olhou para o garoto na cama sabendo muito bem que ele não havia dormido:

- Vô? Todo mundo que se casa vive feliz pra sempre?

O velho ali sentado traça mais uma ruga em seu rosto quando ri da questão:

- Não Igor, alguns são felizes por bem pouco tempo.

O garoto olha ainda interrogativo para o avô, se ergue na cama e solta:

- E você e a vó são "feliz" pra sempre?

Aquela pergunta feita tão despretensiosamente, de súbito o envolve em um redemoinho de lembranças que logo o leva ao dia em que a conheceu.

"Posso me sentar aqui, senhorita?"
Tinha um frescor, uma juventude, um sorriso tão belo.

A cena se vai, a onda de lembranças arrebenta forte em sua cabeça, voraz, e logo esta ele em outra ocasião, anos depois no namoro.

"Não vê que eu te amo, Marina?"
"Eu te odeio, Jorge!"
Por que foi mesmo que brigamos...

Não há tempo pra resposta, o turbilhão logo o leva ao dia exato de seu casamento, horas antes.

"Jorge, esquece ela, vem comigo"
"Não Inês, é ela que escolhi, além do que ela espera um filho meu"
"Pode beijar a noiva"

Rápido como uma brisa noturna mais um pensamento lhe assalta.

"Estamos ferrados Marina, eu fui demitido"
"Tenha fé Jorge, vamos conseguir"

Com um estalo ele se lembra do tapa que desferiu no rosto dela, os garotos já grandinhos assistiam a cena assustados.

"Marina... me desculpa... eu."
"Vou levar as crianças pra minha mãe"

Nunca se perdoou por aquilo.

"Jorge, vamos, vai se atrasar para o casamento do seu filho!"
"Já vou amor, você sempre me apressa."

E mais e mais memória.

"Nosso neto nasceu Marina!"
"É Jorge, temos uma familia linda."

Aos poucos ele ouve a voz do garoto suplicante:

- Vô, vô, vô...

Ele volta do redemoinho:

- Talvez você não entenda agora Igor, mas eu e sua vó fomos tão felizes quando nos permitimos ser.
Agora vai dormir.

Boa noite, vô.

A mão que balança o berço(Causos do menino que crescia)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Lembro a forma cuidadosa como estiquei a toalha em cima da mesa e como que, com alguns gestos de mão, espanava uma ou outra sujeira imaginária que havia por ali.
Lembro também que àquelas mesmas mãos horas antes castigavam uma massa que logo seria nossa refeição.
Minha falta de maturidade me fazia sentir homem grande, afinal de contas eu tinha preparado aquele almoço sozinho, sabe, coisa de homem moderno e dedicado a mulher com um leve toque de romantismo. Engraçado pensar nisso agora.
Voltando mais um pouco, penso nos anos anteriores ao daquele almoço, quando nos conhecemos, muito tempo antes alias. Eu tinha os pés descalço e jogava bola com os amigos, nas ruas por asfaltar de minha casa, ela era só uma garotinha que fazia pose de mulher crescida e olhava aqueles pirralhos todos com ar de desgosto.

Exigiu mais de mim que dela estarmos dividindo aquela mesa, de vê-la sorrir, surpresa com tudo, de sentir que ela estava orgulhosa seja lá com que fosse ali.
Não digo sobre o preparo da comida, mas falo do percurso até ela.
Tive que aprender dia-a-dia todas as verdadeiras malícias da vida, tive que deixar os pés descalços no pretérito e transformar as confusões que gostava tanto de entrar em histórias de mesa e de amigos.
O mais difícil e talvez a lição mais valiosa que ela exigiu de mim foi no ato de aprender a chorar. Eu tive que parir essa habilidade, doeu, como dói o nascimento do novo e como um rio rompendo uma barragem eu o fiz, tentando vencer a vergonha e ao mesmo tempo descobrindo que não era vergonha nenhuma chorar por algo que ser quer.

A conversa naquele dia foi bem leve a não ser por um momento, me lembro.
Falávamos sobre fazer ou não faculdade, sobre os amigos de infância, sobre temperos e o fato de elas se sentir constrangida por eu (segundo sua bondade) cozinhar melhor que ela.
Uma fatia daquelas palavras ainda reverbera em minha cabeça:

- Sabe que você pode ser melhor que tudo isso, não? - sua voz ali era de pesar
- Sabe que não gosto quando fala assim, como seu eu fosse melhor do que apresento.
- Mas sabe que tem potencial pra ser, tem tanta inteligência no planejamento, só falta disposição para execução.

Eu realmente odiava quando falava assim comigo, me sentia como uma criança que faltou à alguma aula.
Acontece que crescer dói e tratamos os agentes do crescimento como algoz.

- Ta bom! Ta bom! Sei que tenho que melhorar alguns aspectos da minha personalidade, mas não quero estragar esse dia falando de mim - rimos alto e todo o peso da conversa se foi.

Tenho muitas saudades dela, pois, em alguma curva mal feita de nossas vidas fomos separados, ela e eu fomos indo de vagar até cada um sumir no horizonte do outro.
Costumo imaginar como ela esta, se tem filhos, se terminou a faculdade comprou uma casa algum lugar e dorme mal por causa das dívidas.
Se ainda se lembra de mim.

Eu mudei muito desde que nós vimos pela última vez, e ela foi parte no processo, só lamento dizer que uma coisa não mudou, cozinho tão mal quanto antes.

-----------------------------------------------------------------------------------------------

Agradeço a gentileza de duas pessoinhas muito bacanas que me presentearam cada uma com um selo, são elas a Arlequim e minha nova velha amiga Barbarella.
Agradeço sempre a presença das duas aqui.
Eu os ofereço a todos da minha lista de blogs ai ao lado, sirvam-se, está la em baixo. :)
-----------------------------------------------------------------------------------------------

Quero oferecer esse texto a minha doce amiga TG, amigas das horas tardias e fã dos causos do menino que crescia.
A você com carinho.

Carta de amor às avessas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


"Sabe que quando te vi pela primeira vez te achei meio pedante?" - disse isso de repente, como se cuspisse um remédio amargo.

Ela se revirou na cama de forma brusca, embrulhou o cenho numa careta, e para sua própria surpresa riu dizendo:

"Não sabia Marcelo! Ma eu sei de uma coisa, também te achei estranho, se vestia como um ator para um papel de cafetão" - risadas.
"Que isso! Não era tão ruim assim! Lembro de nossas primeiras palavras, eu te olhava nos olhos, e você fugia, tentando fazer um ar blasé e eu pensava: "que chatinha"."
"Que bobo! Eu não fugia de seus olhares à Robert de Niro, eu na verdade estava fugindo do seu hálito, não sabia naquele momento, mas agora sabe, eu detesto menta"
"Nos beijamos naquela mesma noite, não foi"? - se mexe na cama e a olha de forma terna.
"Sim e lembro que apesar de estar meio alta, conseguia dar combate as investidas de suas mãos."
"É verdade, mas apesar de sua luta, bem que estava gostando" - afaga-lhe a cabeça.
"Estava mesmo, mas poderia ter se saido melhor, se fosse mais perseverante" - risos.

Por uns segundo eles se olham perdidos na luz um do outro! Cada qual desconhecia os pensamentos e aflições de cada, que contribuiriam para que nada daquilo estivesse acontecendo, para que ambos não estivesse dividindo a mesma cama. E apesar de todas as querelas existências que desafiam o ser humano e que prega, por vezes, de forma bem sucedida a devoção ao cinismo e a descrença no amor, estão ali, dois sobreviventes que colhiam o fruto, hora doce hora amargo, das escolhas que fizera.
Ele se lembra, agora com ar de coisa passageira, as renuncias que teve que fazer e que por tempos levou a baila da duvida se realmente valia a pena.
Ela, naqueles segundos de conversa boba, se inundava com as memórias, que não sabia à época, eram uma afronta a sua felicidade futura, nunca a todo momento presente, mas sempre recorrente.
Duvidou daquele homem, por todos os defeitos que se assomavam as vistas, mas apostou nas qualidades que teve que cavar e tirar proveito.
O mesmo ele fez, e mesmo nas horas de tempestade, que por vezes balançava o mundo de ambos, que na verdade era um mundo só, não tinham duvida, deram cada passo certo, mesmo quando em estradas erradas.
Exatamente por isso terminavam aquele papo de fim de noite, com sorriso e afagos, sabiam terem feito as escolhas certas, e viver é deixar as renuncias pra traz.

"Vou ser perseverante agora"
"Não! Estou com dor de cabeça"
"É por isso que te amo. Não sabe mentir"
"É por isso que te amo. Se engana fácil" - risos e fim de noite.

___________________________________________________________________________________________--

Quero agradecer a Raquel do http://devaneioseloucuras-raquel.blogspot.com/ pela visita pelo presente e palavras.
E dedico o selo "Blog DE OURO à Carla M, ao Tyler, ao Gil, e a Tâmara do Intimidade.
Obrigado a todos vocês sempre. ( o selo tá lá embaixo)

Minha Geração

sábado, 11 de outubro de 2008


Querido Papai Noel!

Em primeiro lugar foda-se que não seja natal e nem mesmo Dezembro, não ligo a mínima pelas imposições feitas por essa sociedade capitalista de merda ao qual o senhor é um símbolo majoritário, eu só quero poder viver sob a bandeira da pobreza, sob ideais socialistas com amigos socialistas que se socializam sob o efeito de alguma bebida alcoólica cara, o problema que pra isso eu preciso de algum dinheiro e se tivesse dinheiro não estava aqui falando mau da capitalismo, não é mesmo?

Não se iluda homem de vermelho! Não sou um vendido como dizem por ai. Sou um negociador que joga pesado, acontece que o problema esta com essa modernização da porra da sociedade, onde ninguém respeita as velhas tradições e quando tentei vender, ou melhor, negociar minhas velhas ideologias aos homens de frente, sabe o que fizeram? Me deram em troca uma carteira assinada e 8 horas de serviços diários e ainda por cima me proibiram de entrar na empresa com minha camisa do Che Guevara por ser partidária de mais. Filhos da puta! Paguei 20 reais por ela e nem posso exibi-la por ai, acham que é barato ser anti toda essa porra!

Eu sei que vai ficar contente ao saber que após aderir a todas as greves as quais algumas eu fiz em carreira solo (povo desunido!) fui sumariamente expulso das corporações "QUERO SUA ALMA".
Ria à vontade, mas saiba que saí de lá de cabeça erguida e 100 pratas no bolso, fruto do minha tentativa em mudar a humanidade. Com esse dinheiro financiei minha guerra.
Comprei uma camisa de uma banda punk que nunca tinha ouvido mas parecia agressiva e um violão usado e armado sai às ruas compondo meus hinos de liberdade.

Mais uma vez a merda da humanidade não estava preparada para aceitar o que eu oferecia e o mundo livre mais uma vez me tolhia a liberdade. Debaixo de porrada dos PMs (opressores, eu pago o salário deles pra eles me baterem!) tive que recuar com meus planos.
Seu velho desalmado! Saiba que enquanto lê essa carta eu estou fazendo seu jogo, mas é por pouco tempo, voltei a casa do meu pai e aceitei o trabalho sujo que me ofereceu, em troca só preciso aceitar que ele me pague a faculdade e assistir algumas aulas depois de fumar uma erva.
Logo mais estarei a frente dos seus negócios, quando se aposentar, e veremos quem vai escrever pra quem pedindo um violão novo, seu filho da puta!


Carinhosamente "Minha Geração"
______________________________________________________________________________________________

Quero agradecer a minha querida amiga Carla M DosCrimes pelo selo que me presenteou e para Anne O do infelizmente extinto Crônicas no Divã.
Meu sempre obrigado pelas visitas.
Quero repassar o selo "ESSE BLOG É INTILGENTE" que está laaaaá em baixo para o "de uma leveza insustentável" da Stephanie e para o Palavras Nuas.

Até

Cada qual no seu papel

sexta-feira, 3 de outubro de 2008


-Sabe? Acho que nosso casamento acabou!

O homem sentado no sofá que até então mantinhas os olhos presos a tv, resolveu se mexer.

-Espera um pouco, deixa eu tirar do futebol porque porque parece que vai começar um drama dos bons.
O porta-retrato ela tinha nas mãos se desprendeu como por vontade própria, o barulho o assustou:

"Essa merda toda está nos matando- começou, voz firme- cansei de me derramar em poses e de me fazer de boa dama. Eu não sou dama.
Cansei de ser confundida com um mausoléu de luxo e aceitar com sorriso de porcelana suas flores comemorativas, de ser boa mãe e dona de casa.
Como uma boneca, me travesti das melhores roupas que sou gosto concebia. Seu gosto maldito!
Nunca me reconheci em nenhum dos espelhos que quebrei e que me custaram dias de terapia, se lembra?
Cansei de fingir estar ofendida com os olhares famintos de seus amigos canastrões, e de conter minhas mãos que, donas de si, procuravam meu sexo, seu grande filho da puta.
Ha! Me desculpe... mas me cansei disso também, de lavar a minha boca nas águas sagradas da sua vergonha e aparência e pedir desculpa a cada palavreado feio.
Cansei dos seus presentes caros carentes de carinho, cheios de luxo cheirando a lixo. Você poderia me dizer que sempre tive tudo que uma mulher sempre sonhou, mas no fundo eu nunca fui uma mulher.
Não me olhe assim! Não se faça de ofendido! Nunca mesmo me tratou com uma mulher quer se sentir, suas poses... eu queria força, eu queria selvageria, me vestir como uma puta e ter seus dedos presos ao meu braço me censurando, sua voz firme me dizendo, "tire isso".
Eu nunca sangrei em seus braços, a não ser nos meus sonhos, que preferia ser com tantos outros.
Acabou! Frouxo!

Entre estarrecido e confuso, ele lentamente larga o controle que vai fazer companhia ao porta retrato, se aproxima da mulher que se mantém firme ainda que uma lágrima insistisse em descer de seu olho esquerdo e esboça algo pra falar, desiste, ao invés levanta sua mão e lhe acerta em cheio o rosto, lhe agarra o braço e a leva pro quarto.

Pela primeira vez em tempos de casada ela se sentiu mulher.

-------------------------------------------------------------------------------------

Para Carla M meus agradecimentos pelo carinho e palavras e presentes, saiba que é recíproco.

Beijos

 
Blog do Sarge - Templates para novo blogger