O estranho caso de Maria

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Maria tinha mantinha aquela rotina comum a muitas mulheres exceto pela manhã, quando era acordada pela Aretha ao som de A Rose is still a rose que saia religiosamente às 6:00 pelo velho rádio-relógio.
No mais era se levantar, comer alguma coisa que não desse trabalho pra preparar e sair apressada para o trabalho.
Era no metrô apinhado de gente como ela que costuma ver sua vida por outro ângulo, o ângulo que seria realidade se tivesse pegado o bonde certo naquela curva de sua vida.
“Maldição”, ela pensava enquanto balançava o corpo bonito naquele vagão pastel - “Já tenho meus trinta anos e o que realizei deles? Nem ao menos fui capaz de me casar”.
Isso era verdade, outra verdade sobre ela era que nuca teve realmente vontade pelo matrimonio, nunca tivera nenhum exemplo bom acerca do casamento e o pior deles vinha de sua própria gênese, seus pais viviam em pé de guerra e disso ela tirou uma importante lição. Os homens são uns grandes filhos-da-puta.
Maria era condescendente, ela entendia e costumava dizer que não era por culpa deles, era na verdade, uma armadilha intricada da natureza que os jogava no lamaçal moral que se encontravam. Certa vez tentou explicar isso a uma amiga:

“O que podemos esperar de um tipo em que o sexo está acima de qualquer coisa?” – perguntou Maria mirando seus olhos inteligentes para sua amiga.
“Eu é que sei, traição ou filhos que nunca iram conhecer o pai, algo assim” – e Madalena riu do próprio comentário.
“É possível se formos burras pra tanto. Mas somos o lado forte da criação, temos o controle, a chave que os mantém no cabresto, porque entregar tudo de mão beijada só pra alimentar a esperança de que eles um dia mudem? A natureza os condenou a serem assim, nunca mudaram” – e ponto.

Sim ela tinha razão em um ponto, todos estamos presos a nossa natureza e com ela não era diferente. Escrava da natureza feminina que era tinha seus momentos de solidão e anseios costumava vez por outra cair na armadilha comum a todos de desejar filhos e uma casa com um jardim bonito e um homem que tivesse escapado da intrincada armadilha da natureza.

Freava esses momentos de insanidade bebendo em algum barzinho de Santana e tendo sexo casual com homens que fossem pouco interessantes, mas bonitos.
Algumas de suas amigas achavam que isso era resultado da queima de alguns sutiãs que ao invés de liberta-las lhes transformaram nos monstros que combatiam.
“Tanto melhor, ao menos a luta está em pé de igualdade” – pensava nisso agora Maria.

Maria era muito inteligente e isso ao ver dela explicava muita coisa errada de sua vida, segundo ela.
“Mulheres inteligentes espantam as pessoas, tanto homens quanto às outras mulheres” –era o que ela pensava.
Nunca terminou a faculdade e a despeito de sua inteligência Maria havia cometido muitos erros que a transformara naquela garota de pensamentos singulares e rotina comum.

Foi seu último pensamento quando percebeu que deveria saltar na estação em que estava parada, mais uma vez saiu às pressas e nem deu chance ao homem que apanhou o livro que esquecera no banco de lhe devolver o esquecido.
Ele manteve o braço esticado sacudindo o livro de um lado ao outro enquanto via a porta se fechar e Maria se afastar.
Não havia problema há muito mesmo esperava por um gancho daqueles.
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Oi pessoal :)
Faz um tempo, não? Estava com saudade de todos e corro para ir atrás do que andei perdendo por problemas que me impediam de acessar.
Mas estou de volta.

12 comentários:

Laila disse...

Que bom que está de volta!
Também senti muita falta disto aqui, viu?
Belo conto, e quanto de verdade há nele!
Até que ponto iremos para provar que não precisamos provara nada pra ninguém (leia-se, para os homens)
Quantas horas, dias, anos, perderemos reclamando ao invés de procurar exceçõs?
Quanto mais vamos nos prender às regras da liberdade? É complicado.

Laila disse...

Que bom que está de volta!
Também senti muita falta disto aqui, viu?
Belo conto, e quanto de verdade há nele!
Até que ponto iremos para provar que não precisamos provara nada pra ninguém (leia-se, para os homens)
Quantas horas, dias, anos, perderemos reclamando ao invés de procurar exceçõs?
Quanto mais vamos nos prender às regras da liberdade? É complicado.

Barbarella disse...

Inteligência emocional é o mais complicado não é mesmo? Quem sabe esse homem que pegara seu livro não será ou seria seu principe....

Não some não... o mundo blogueiro sem você não é o mesmo..

**

Tâmara disse...

Ah! Maria....
kkkkkkkk
............

Adotar é?
risos


beijo!

carla m. disse...

ah, não era só eu que andava sumida!
Marcinho, querido, como sempre um deleite pros nossos olhos e cérebros!

beijocas!

*.*Allegr!a*.* disse...

Ahh Maria, Maria...

Tantas vezes romanceada, cantada, encenada.
Somos nós Marias todos os dias.
Prontas para perder oportunidades, ganhar experiências, e viver de esperar o dia mais feliz da vida.
Sabe-se lá se esse dia não é hoje?

Um beijo meu anjo!

Beleza de Ser disse...

Primeiramente, que bom que voltou! Fez falta.
E esse gancho que agora não sai da minha cabeça.

Nina Ferreira disse...

Que bom que está de volta, querido.
Sim, é impossível não cair na armadilha das incontâncias dos sentimentos.

P.S:Engraçado, nossos personagens adoram andar de metrô. Seram que pegaram o mesmo, nesse dia? =)

Arlequim disse...

Ótimo!
Ahh, já tava com saudade de você, meu.
Aparece mais. rs
:D

Stephanie disse...

Sarge,

você sempre olhando os dois lados, tentando conciliar as possibilidades extremas dos desejos masculinos & femininos...
=)

bem, eu acho que esses desejos de ter casa e família são do gênero humano, sabe, assim como a mulher pode querer ser mãe, o homem pode querer ser pai - é uma coisa de permanência, de constância no mundo. Esse papo de que é da mulher a natureza de constituir família deixa de fora muitos homens que dão bons maridos e bons pais.

mas quanto a inteligência, eu acho que espanta só os fracos, sabe. Os homens sagazes e sensíveis são os conseguem as mulheres inteligentes - e eis aí um grande encontro!

bom desfecho, deixa a curiosidade a respeito de como se livro ainda será desculpa pra muita história...

beijo

Larissa Bohnenberger disse...

Poxa vida, finalmente... estava com saudade dos seus textos, já!
Bom retorno ao mundo internético!
Bjs!

Gilgomex™ disse...

pessoas inteligentes em geral sempre assustam outras pessoas...

eu, por exemplo...

não assusto ninguém. heueueuheue

 
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