segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Carlos tinha a idéia, por vezes até bem clara, de que são as paixões de um homem que o elevam ao patamar de gigantes, não obstante, acreditava ele, essa grandeza tinha um preço bastante alto a todos.
Paixões são traiçoeiras, o veneno que elas, gota a gota, injetam em nossos corações agi rápido, primeiro em nossos olhos, nos cegando para todo o resto, tudo que nos cerca é somente uma ferramenta para polir nossas paixões. Segundo em nossos cérebros que febris vislumbram mundos cada vez maiores. Quando nos damos conta, pensava ele, estávamos vivendo integralmente, alimentado pelo veneno da paixão, em prol de um coração doente e no final seriamos derrotados por ele, implacavelmente.
Agora Carlos explicava isso a seu amigo Luiz enquanto esse vigiava para ver se o chefe do escritório não estava por perto:
“Grandes homens tiveram grandes paixões e a maioria foi impulsionada e sufocada por elas. Alguns só queriam glória, outros conhecer terras distantes, alguns queriam somente unificar teorias cientificas e essas coisas, fazer uma obra musical inigualável e tal”.
Mas não são nessas coisas que mora meu coração, sabe ao que realmente me dedico?“
“Claro! Você se dedica a duas coisas grandiosamente. A primeira delas e a perder o emprego e como demonstração de superioridade tática me levar junto pra rua da amargura número 666. A segunda e mais importante delas, e comer o maior números de garotas antes de morrer e subir aos céus pra ver se restou alguma virgem por lá também”.
Ambos riram dessa observação disfarçadamente já que o chefe se aproximava pra mais uma ronda. Passado o perigo Carlos sai em sua própria defesa:
“Você se engana Luiz – começa Carlos - se acha que o que meus relacionamentos são baseados somente pela busca do sexo. Todos eles sim são baseados em meu grande sonho, minha grande busca, aquilo à qual me dedico de corpo e alma, ou seja, descobrir a mulher certa, é ai que mora meu coração”.
“A mulher certa pra que?”
“Não sei”.
“Admita! Você é um apaixonado pela solteirisse, é movido pela conquista, adora esse jogo, nasceu pra ele. È justamente por isso que nenhuma mulher passa mais que um mês sob os mesmos lençóis que você. No fundo você não saberia o que fazer quando chegasse ao seu objetivo, esse ai da mulher certa – risos- é como um cão que persegue o próprio rabo, quando o tem entre os dentes só lhe resta soltar”.
Mesmos os grandes tiveram, dividindo espaço com suas paixões, a semente da dúvida presa ao coração. E agora Carlos duvidava de si mesmo.
Para maioria ele era só um grande canalha comedor de mulheres, admirado pelos colegas pelo número de fêmeas que tinha em sua lista e odiado pelas mulheres que tiveram sua chance e agora eram só historia.
Para ele era fácil. Era bonito acima da média, alto, não muito forte, mas de um bom porte físico, tinha olhos de um mel profundo que lhe dava o ar de sonhador romântico. Um lobo em pele de cordeiro.
O discurso de seu amigo tinha algo de verdade. Gostava realmente da conquista, do flerte, da batalha de olhares e, claro, da presa abatida. Mas no fundo quem realmente conquistou quem? Alguém de fato saiu ganhado ou perdendo?
Ele estava realmente à procura de algo mais.
Estava?
“Foda-se”- e ao pensar nisso em voz, alta se lembrou do livro que por sorte veio parar em suas mão pela manhã no metrô. Na capa estava escrito:
“RISÍVEIS AMORES”
MILAN KUNDERA
É talvez valha e pena insistir.
















