O estranho caso de Maria Parte II

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Carlos tinha a idéia, por vezes até bem clara, de que são as paixões de um homem que o elevam ao patamar de gigantes, não obstante, acreditava ele, essa grandeza tinha um preço bastante alto a todos.
Paixões são traiçoeiras, o veneno que elas, gota a gota, injetam em nossos corações agi rápido, primeiro em nossos olhos, nos cegando para todo o resto, tudo que nos cerca é somente uma ferramenta para polir nossas paixões. Segundo em nossos cérebros que febris vislumbram mundos cada vez maiores. Quando nos damos conta, pensava ele, estávamos vivendo integralmente, alimentado pelo veneno da paixão, em prol de um coração doente e no final seriamos derrotados por ele, implacavelmente.
Agora Carlos explicava isso a seu amigo Luiz enquanto esse vigiava para ver se o chefe do escritório não estava por perto:

“Grandes homens tiveram grandes paixões e a maioria foi impulsionada e sufocada por elas. Alguns só queriam glória, outros conhecer terras distantes, alguns queriam somente unificar teorias cientificas e essas coisas, fazer uma obra musical inigualável e tal”.
Mas não são nessas coisas que mora meu coração, sabe ao que realmente me dedico?“
“Claro! Você se dedica a duas coisas grandiosamente. A primeira delas e a perder o emprego e como demonstração de superioridade tática me levar junto pra rua da amargura número 666. A segunda e mais importante delas, e comer o maior números de garotas antes de morrer e subir aos céus pra ver se restou alguma virgem por lá também”.

Ambos riram dessa observação disfarçadamente já que o chefe se aproximava pra mais uma ronda. Passado o perigo Carlos sai em sua própria defesa:

“Você se engana Luiz – começa Carlos - se acha que o que meus relacionamentos são baseados somente pela busca do sexo. Todos eles sim são baseados em meu grande sonho, minha grande busca, aquilo à qual me dedico de corpo e alma, ou seja, descobrir a mulher certa, é ai que mora meu coração”.
“A mulher certa pra que?”
“Não sei”.
“Admita! Você é um apaixonado pela solteirisse, é movido pela conquista, adora esse jogo, nasceu pra ele. È justamente por isso que nenhuma mulher passa mais que um mês sob os mesmos lençóis que você. No fundo você não saberia o que fazer quando chegasse ao seu objetivo, esse ai da mulher certa – risos- é como um cão que persegue o próprio rabo, quando o tem entre os dentes só lhe resta soltar”.

Mesmos os grandes tiveram, dividindo espaço com suas paixões, a semente da dúvida presa ao coração. E agora Carlos duvidava de si mesmo.
Para maioria ele era só um grande canalha comedor de mulheres, admirado pelos colegas pelo número de fêmeas que tinha em sua lista e odiado pelas mulheres que tiveram sua chance e agora eram só historia.
Para ele era fácil. Era bonito acima da média, alto, não muito forte, mas de um bom porte físico, tinha olhos de um mel profundo que lhe dava o ar de sonhador romântico. Um lobo em pele de cordeiro.
O discurso de seu amigo tinha algo de verdade. Gostava realmente da conquista, do flerte, da batalha de olhares e, claro, da presa abatida. Mas no fundo quem realmente conquistou quem? Alguém de fato saiu ganhado ou perdendo?
Ele estava realmente à procura de algo mais.
Estava?
“Foda-se”- e ao pensar nisso em voz, alta se lembrou do livro que por sorte veio parar em suas mão pela manhã no metrô. Na capa estava escrito:

“RISÍVEIS AMORES”
MILAN KUNDERA

É talvez valha e pena insistir.

O estranho caso de Maria

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Maria tinha mantinha aquela rotina comum a muitas mulheres exceto pela manhã, quando era acordada pela Aretha ao som de A Rose is still a rose que saia religiosamente às 6:00 pelo velho rádio-relógio.
No mais era se levantar, comer alguma coisa que não desse trabalho pra preparar e sair apressada para o trabalho.
Era no metrô apinhado de gente como ela que costuma ver sua vida por outro ângulo, o ângulo que seria realidade se tivesse pegado o bonde certo naquela curva de sua vida.
“Maldição”, ela pensava enquanto balançava o corpo bonito naquele vagão pastel - “Já tenho meus trinta anos e o que realizei deles? Nem ao menos fui capaz de me casar”.
Isso era verdade, outra verdade sobre ela era que nuca teve realmente vontade pelo matrimonio, nunca tivera nenhum exemplo bom acerca do casamento e o pior deles vinha de sua própria gênese, seus pais viviam em pé de guerra e disso ela tirou uma importante lição. Os homens são uns grandes filhos-da-puta.
Maria era condescendente, ela entendia e costumava dizer que não era por culpa deles, era na verdade, uma armadilha intricada da natureza que os jogava no lamaçal moral que se encontravam. Certa vez tentou explicar isso a uma amiga:

“O que podemos esperar de um tipo em que o sexo está acima de qualquer coisa?” – perguntou Maria mirando seus olhos inteligentes para sua amiga.
“Eu é que sei, traição ou filhos que nunca iram conhecer o pai, algo assim” – e Madalena riu do próprio comentário.
“É possível se formos burras pra tanto. Mas somos o lado forte da criação, temos o controle, a chave que os mantém no cabresto, porque entregar tudo de mão beijada só pra alimentar a esperança de que eles um dia mudem? A natureza os condenou a serem assim, nunca mudaram” – e ponto.

Sim ela tinha razão em um ponto, todos estamos presos a nossa natureza e com ela não era diferente. Escrava da natureza feminina que era tinha seus momentos de solidão e anseios costumava vez por outra cair na armadilha comum a todos de desejar filhos e uma casa com um jardim bonito e um homem que tivesse escapado da intrincada armadilha da natureza.

Freava esses momentos de insanidade bebendo em algum barzinho de Santana e tendo sexo casual com homens que fossem pouco interessantes, mas bonitos.
Algumas de suas amigas achavam que isso era resultado da queima de alguns sutiãs que ao invés de liberta-las lhes transformaram nos monstros que combatiam.
“Tanto melhor, ao menos a luta está em pé de igualdade” – pensava nisso agora Maria.

Maria era muito inteligente e isso ao ver dela explicava muita coisa errada de sua vida, segundo ela.
“Mulheres inteligentes espantam as pessoas, tanto homens quanto às outras mulheres” –era o que ela pensava.
Nunca terminou a faculdade e a despeito de sua inteligência Maria havia cometido muitos erros que a transformara naquela garota de pensamentos singulares e rotina comum.

Foi seu último pensamento quando percebeu que deveria saltar na estação em que estava parada, mais uma vez saiu às pressas e nem deu chance ao homem que apanhou o livro que esquecera no banco de lhe devolver o esquecido.
Ele manteve o braço esticado sacudindo o livro de um lado ao outro enquanto via a porta se fechar e Maria se afastar.
Não havia problema há muito mesmo esperava por um gancho daqueles.
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Oi pessoal :)
Faz um tempo, não? Estava com saudade de todos e corro para ir atrás do que andei perdendo por problemas que me impediam de acessar.
Mas estou de volta.

CRÔNICAS VAMPÍRICAS

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009


PARTE I


A teoria do caos.

Em uma cidade dois amigos se divertem construindo programas de computadores e pequenos vírus por diversão, enquanto se empenham em desenvolver um programa capaz de aprender sozinho e que seja capaz de evoluir por conta própria.
A vida deles esta estranhamente interligada a de uma garota que anos atrás também costumavam chamá-la de amiga e que resolveu de uma hora pra outra desaparecer e tão repentinamente como sumiu resolver aparecer.
Seu nome é Lisa.
Ela vem recuperar um pouco do que deixou no passado quando resolveu ir embora, isso inclui família e amigos.
Nesse processo irá notar que tudo que fazem de certa forma esta interligada como todas as pessoas que conhecem e que suas atitudes geram ondas nas vidas das outras.

Marcada pelo signo da solidão como se isso fosse uma sina e não uma escolha ela lamenta diante de um Cristo sofredor todos os passos errados que ao seu ver trilhou.
Suas preces lhe servem não como expiação e sim como escudo e incentivo para os próximos passos que em seu entendimento deve trilhar e que lhe pode causar dor e sofrimento, mas essa é sua cruz.

“Pai! Elevo meu coração e minha oração ao mais alto e por ser pequena de mais peço que curve seus ouvidos até mim. Minha alma mergulhada em angústia pede que a console, minha cabeça cercada de dúvidas tem fome de sua sabedoria, meu tempo se aproxima e espero em ti que renove minha fé”.

- Oi Lisa! Quanto tempo!
Lisa ainda de joelhos e uma tanto assustada pela intromissão se volta pra traz e vê um daqueles que deixou pra no passado. A providência dessa vez tinha sido rápida.

- Oi Marcos! Estou feliz em te rever.
- Eu não posso dizer o mesmo, não sei lhe dar muito bem como o que estou sentindo, mas acho que não é felicidade.
- Imaginei que iria topar com essa reação quando voltasse, sabe, quando procurasse vocês de novo.
- Pelo menos esse tempo todo afastada não lhe tirou a sensatez, não é? O que quer realmente, perdão?
- Não diria isso.
- Acho que nem Deus poderia ter dar mesmo.
- Isso é uma questão de fé.
- Hum! Quantas mudanças, não era religiosa antes de partir. Mas acontece com todos os pecadores que praticam um grande mau, vêem na conversão a saída perfeita.
- A vida não é tão simples assim e tem muita coisa que não sabe sobre mim.
- Quem poderá me culpar? Você? Desculpa, mas eu não recebi nenhuma carta sua. Alias, por causa de sua fuga repentina não recebi nada além de acusações, você era a garota perfeita que tinha se metido com os caras errados, fui sempre taxado como aquele que roubou sua vida, que partiu seu coração, até mesmo tive problemas com a policia.
O foda foi como eu consegui suportar a dor da acusação. Consegui porque a dor da sua ausência era bem maior, a angustia por não ter-la por perto era praticamente insuportável comparado com o todo.
- Quer saber foda-se você!

O problema de uma vida pode se resumir num foda-se. Largamos de mão muito de nossa vida e bradamos um foda-se como um mantra que nos curasse as feridas.
O pesar é que projetamos ondas nas vidas das pessoas ao redor e no final nos importamos tanto e tanto que foda-se o que vamos fazer pra remediar, simplesmente precisamos fazer algo.


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Crônicas Vampíricas apesar do nome não tem nada haver com vampiros.
É um conjunto de contos que escrevi há um tempo atrás que tratam de relacionamentos e de dependência desses relacionamentos, como se sugassemos a existência e as carências e sentimentos de nossos alheios.
Esses contos me renderam alguns confetes numa disputa de redação, anos atrás quando estudava.
Me deu prazer escreve-los espero que dê prezer a leitura.

Triângulo do amor.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009


São Paulo – Brasil.

Sophie olhou para o lado e como que se nada fosse e perguntou: - “Qual é minha maior qualidade?”.
Jonas pego de surpresa pela pergunta, mas além de surpreso incomodado pela quebra do silêncio se remexe no sofá franzindo o cenho, enquanto seus olhos castanhos gelados olhavam visivelmente irritados pra ela, ao que responde: -“Sua imoralidade, de fato, a despeito de toda sua beleza, o que a torna mais que um simples detalhe e sorte de nascimento é a sua propensão para o mundano e o imoral, você esta sempre nua das vestes sacramentais e do socialmente aceitável. Com certeza essa é a sua melhor qualidade.
Sophie ri e olha curiosa pra ele numa tentativa de saber se o que falava era só uma provocação ou era serio. Ficou sem saber, como sempre era muito difícil extrair de Jonas algo que sua mente escondia, ler seus pensamentos era uma tarefa tão desgastante que raramente valia o esforço.
“Talvez seja por isso que o amo. Será?”. Deixou esse pensamento vagar um pouco por sua mente e o abandonou em seguida.
Sorrateiramente como uma criança que fosse fazer algo errado levantou-se da cama onde estava deitada e a passos preguiçosos sentou seu corpo nu em um sofá de frente para o que Jonas estava sentado:
“Seria capaz de matar-me?” - perguntou com o sorriso mais belo do mundo.
“Quer saber se a amo?” – soltou Jonas como se despertasse de uma hipnose.
“Não meu caro, que me ama eu sei, queria saber o que exatamente perguntei, só isso”.

Dessa vez seu olhar não era de irritação, apesar de manter o mesmo frio no olhar, era de descoberta, como se a resposta que fosse dar não fosse conhecida nem mesmo por ele antes da pergunta ter sido feita, mas após desta ter sido proferida a certeza era incontestável.

“Se preciso fosse, sim eu a mataria, com a mesma certeza que tem de meu amor. Sim eu o faria”.
Os olhos verdes-garrafa da mulher nua à frente dele brilharam com tanta intensidade após ouvir aquilo que era difícil dizer se o que mais irradiava era seu sorriso ou seu olhar. Ele também sorriu, pois sabia o que ela estava pensando.
“Se assim é então devo dizer que carece da minha maior qualidade e que pelo exato oposto tem um dos maiores defeitos do mundo. Você só não deixou de ser agraciado com o dom da imoralidade, mas também foi desgraçado com a sina dos mártires, você meu amor, es um santo”.
Riram ambos da forma teatral com que Sophie com seu sotaque carregado soltou aquela frase.

Para Sophei era exatamente o que Jonas representava, um santo, a despeito de tudo que fizera no alto dos seus vinte e oito anos de vida, e não fora pouca coisa.
Quando o conheceu ainda na França, sabia que aquele homem apesar da juventude e dos traços calmos era um homem de segredos e convicção, tinha muitos motivos para se sentir atraída por ele, já naquela época tinha um corpo bem talhado e a despeito de ser um homem alto, andava com elegância, sua pele escura fazia com que Sophei o comparasse em sua cabeça aos velhos guerreiros de tribos africanas, viris e temerários, mas era em seus olhos que ela costumava se perder, como Sophei mesma costuma dizer, eram um mar de gelos castanhos.
A mente de Sophie ainda estava presa ao passado quando um leve som interrompe seu devaneio, olha pra frente a tempo de ver Jonas se levantar e ir pensativo até a janela.
Alguns segundos se passam com ela a lhe mirar seu olhar em suas costas.
“Algum problema?” – ela indaga.
Ele se volta, pega um violão que está ali perto, mas não o toca, procura o sofá novamente e deixa o instrumento descansando em seu colo, respira fundo e diz:

“Hoje eu fui ferido no peito”.
“Como assim, Jonas?”.
“Eu a conheci assim de repente, de sorriso lindo e olhar meigo. Realmente podia me perder naquele sorriso, realmente eu queria me perder naquele sorriso e por todos os meus pecados foi exatamente o que consegui”.

Sophie o escutava cada vez mais curiosa.

“Ela poderia ser uma boa arquiteta tamanha a facilidade em projetar sonhos nas pessoas. Claro! Eu homem feito, estou aquém disso tudo, apesar de toda a feridas, apesar da lamentação. Sou homem feito, não sou?”.
“Jonas, você está me dizendo ou tentando me dizer que se apaixonou por outra pessoa?”.

Ele a olha. Solta um suspiro e uma nota no violão que lembra uma música do passado de Sophei. Sorri um sorriso tristonho e diz cantarolando:

“Eu te amo Sophei... mas ela me feriu quando disse que tem outra pessoa. Consegue entender isso?”.

Sophei se levanta procura uma roupa qualquer e se veste. Antes de sair ainda consegue sussurrar:

“Me liga”

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Quero dedicar esse conto a Giza, sorriso doce.

Um conto de Natal

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008


Oi pai!
Desculpa lhe dirigir a palavra assim de forma tão simplista, a verdade é que, depois de tantos natais sem nos falarmos, tudo que restou dessa nossa relação oi essa falta de jeito.
Não! Minto meu pai.
Além disso, ainda me resta as memórias embrulhadas em fotografias e objetos guardados em armários. Eu nunca os toco, é outra verdade, ainda tenho medo dos fantasmas desses armários e fotografias. O senhor deve saber que é justamente em noites de natal que eles resolvem sair, não é mesmo?

Faltam poucas horas. Para o natal, eu quero dizer e é justamente por isso que estou aqui.
Vim para exorcizar todos eles. Me cansei de nutri-los com minhas lágrimas, me cansei de covardemente me esconder em sorrisos falsos ou desculpas tolas, pai.
Depois daquela maldita noite de 25 de dezembro, em anos, nada foi o mesmo.
Lembro que quebrei, com nossa briga, não só algumas louças e objetos, quebrei, ou melhor quebramos também aquele velho espírito que parece cada vez mais raro nas pessoas e era tão bonito de ser ver em nossa família.
Meu coração também não sobreviveu.
Sempre tivemos nossas diferenças, mas aquilo tudo foi de mais.

Trouxe seus netos aqui comigo, estão um pouco afastados. Eles nunca entenderam e confundem com desprezo meu medo do natal. Creio que essa noite será diferente.
Nunca disse que te amava. Dane-se! Eu poderia ao menos ter demonstrado, como tardiamente estou fazendo agora.

Quantas famílias se separam em noites como essa? Quanta dor é partilhada no lugar do pão e do sorriso? E qual o custo disso em tempo?
Desculpa meu pai. Mesmo que tardiamente, desculpa, mas hoje vou sentar com minha família à mesa e vou ser a pessoa mais feliz desse mundo, a despeito de qualquer lágrima derramada.
Vou junta minhas mãos e o que restou de meu coração e farei uma oração para o senhor, e enquanto eu viver será assim, meu pai.

Faço isso também porque não quero ver meus filhos vindo até a minha lápide com tanta dor no coração e fantasmas na cabeça.

Alguém disse, meu pai, que o ultimo cristão morreu na cruz.
Acho bem possível, mas não custa tentarmos.

O Adeus (causo do menino que crescia)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Deitei minha cabeça sobre o peito já nu há algum tempo.
Ouço um sussurro dizendo “não, deixe eu ir”
Mas eu não estava a segurando, não com meus braços.

Interessante que não queria àquela altura nada que abrandasse meu coração, queria tormenta, queria a fúria no olhar e lábios trêmulos de cólera. Ergui a cabeça que tinha encontrado casa naquele seio moreno e vejo que não teria o que queria.
Respirei fundo e mergulhei igualmente fundo no olhar dela que pairava acima de minha cabeça.
Eu a odiei, foi por um segundo ou menos, mas eu a odiei. Ela era muito superior a mim e seu olhar transmitia isso, seus gestos, seu corpo retesado naquela cama, nu e exalando sexo, tudo estava acima de mim, inclusive o sentimento que nutríamos um pelo outro, meu amor era só um mimo para meu ego.

Vagabunda.
Foi o que pensei na hora e não havia justiça nesse meu pensamento.
Ela afagou minha cabeça enquanto ainda olhava pra ela e ali me senti como um cachorro abandonado, sabem?
Assim, por dor e raiva, desci com minha língua ao meio das pernas daquela mulher e mergulhei nela o mais fundo e rápido que pude naquele sexo que antes era só fonte de prazer.
Fiz isso porque sabia que sexo aquela altura machucaria sua alma e lembrava que ela mesma havia dito que “gosto de você, mas não podemos ficar juntos”.

Sim fizemos sexo mais uma última vez e só depois de alguns anos, quando atingi a maturidade que aquela mulher já possuía, percebi que o que a incomodava não era o sexo como despedida e sim a lança que eu mesmo apontava contra meu peito.
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Esse é meu post de número 100 e como tal quero oferece-lo como agradecimento e homenagem a todos aqueles que vêem aqui e me fazem companhia.
Gente que aprendi a admirar e passei a gostar como se fosse um amigo próximo, porque amigos eu já os considero.
Que todas as alegrias sejam multiplicadas por 100.
Em especial á vocês:
Carla M
GilGomex
Barbarella
Laila
*.*Allegr!a*.*
HoneyBee
Marcelo
Larissa
Sam
Staphanie
Nina
Bruno
Arlequim
Ju carvalho.

Obrigado a todos vocês.

Domingo no Internacional.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Eu sou do tipo aventureiro, gosto de emoções fortes, brincadeiras perigosas, nunca dispenso um cocktail de adrenalina.
O problema é que por vezes me falta algum dinheiro para, digamos, dar um toque de sofisticação a esse meu lado James Bond, convenhamos nem sempre dá pra pular de para-quedas, fazer um Rapel ou mesmo me arriscar na Algusta aqui em Sampa com uma camisa escrita 100% negro.

Nessas horas que para aplacar minha sede sangue e glória resolvo fazer a única coisa plausível para um bandeirante como eu. Sigo até o shopping INTERNACIONAL DE GUARULHOS.
Sim meus caros. Uma vez dentro dele terá momentos inesquecíveis como se fosse nada mais é que uma personagem de cinema, envolto em emoções, corajoso, audaz, tendo que tomar a melhor decisão que levará o grupo ao qual lidera pra fora daqueles labirintos de loucura e lamentos.

Claro! A primeira vista parece com um shopping qualquer, cheio de som e fúria, a não ser pelo nome que nunca foi justificado, talvez por inveja do aeroporto local que se chama Aeroporto Internacional de Guarulhos, tenham também lhe dado o nome de Internacional e a não ser por umas pinturas mal feitas de pontos turísticos famosos e de uma casa de câmbio vazia, não vejo nada de internacional.
Mas nos apressemos para a aventura.

Na entrada somos recebidos com uma fonte que jorra litros e litros de água ao sabor do vento, molhando os desavisados, logo a frente portas de vidro que se abrem e fecham como por mágica, bastando somente nos aproximarmos.
A travessia pela estrada da fonte até suas portas mágicas é calma, mas no primeiro segundo dentro de suas dependências, podemos sentir a força daquela construção e o que nos espera logo a frente.
No hall de entrada vemos duas escadas que se movem no sentido oposto, a que leva pra cima costuma ser guardada por duas beldades sorridentes e de corpo escultural.
Malditas sejam!
Eu, cauteloso que sou, observo um humano que, atraido pelos encantos das beldades, ou mesmo empurrado pela necessidade de subir as escadas, perigosamente se aproxima de mais. O que se segue é além do terrível para que qualquer língua mundana possa descrever, lamento ser eu portador desse fardo. Elas o cercam sempre sorridentes, fechando o cerco sem ao menos dar a chance para a vítima pensar no que acontece, o medo deforma seu rosto quando uma delas mostra o emblema do Mastercard, já é tarde de mais para ele.
Mais que depressa viro meu rosto e sigo na direção norte no primeiro entrave a esquerda, meus passos rápidos não me deixam ver a placa que diz:

MAcDONALD'S.

Esse sentido nos leva a um largo corredor onde vemos vitrines com roupas femininas de um lado e mulheres com olhos arregalados e brilhantes do outro. Parecem dominadas por algum tipo de encanto, pouco falam, nada ouvem. Seus parceiros em vão tentam empurra-las pra fora daquela área mas desesperados percebem que não é possível, alguns choram quando vêem suas mulheres saindo com sacolas e sacolas das lojas.
Por todo o lado se ouve e vê o mantra de adoração em letras garrafais:

OFERTA. 50% OFF. LIQUIDAÇÃO.

Sigo em frente. Procuro, tentando me desviar sacolas e entregadores de papeis, o segundo par de escadas que me levara para o topo daquela construção, a direita da saída do corredor da liquidação feminina eu as vejo, gêmeas de personalidade diferentes, uma desce outra sobe.
Mas para alcança-las eu teria que enfrentar um grande obstáculo: o CHOPP TIME.

O Chopp Time e um tipo de taverna moderna com bebidas caras e fora da realidade e da cotação de qualquer moeda, onde os bravos guerreiros que conseguiam chegar ali poderiam se embebedar e assistir a algum jogo no telão, tentar alguma coisa com as damas locais ou ouvir musica ao vivo.
Como eu, depois de tudo que tinha passado poderia resistir àquele oásis? O problema é que minha aventura poderia acabar ali se não conseguisse resistir, meu fim seria sóbrio e sem dinheiro.
Respirei fundo e a passos cuidadosos tentei seguir sem olhar mas sabendo que ao lado tinha uma tentadora foto de um chopp, espumoso e gelado me convidando de dentro de uma caneca segurada por uma daquelas gostosas de comerciais, dizendo:

- Idiota! Não está vendo que sou uma gostosa com um chopp na mão? Do que mais precisa pra gastar toda sua grana aqui?
Eu sorria. E quando já estava, cego, seguindo em direção ao bar um alarme horrível soou, tão diferente e grotesco que fui despertado do transe.
Tentando entender o que acontecia e procurando com os olhos o inimigo dos meus ouvidos, vejo bem perto de mim as gêmeas. Era minha salvação. Corro.
Atinjo com pés pesados os degraus, na metade do caminho vejo a fonte daquele barulho que havia me despertado do transe, era um dupla de cantores sertanejos que fazia um apresentação ali.

Abano a cabeça e olho pra cima. O que vejo me aterroriza. Meu coração entra em disparo, meu desespero é tal que penso em voltar na contra mão da escada. Não é possível.
A traiçoeira escada me leva direto a ela. A terrível ZUKEN CO.


continua...

Pausa na programação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A quem possa interessar.

O Sarge esta em recesso.
O juiz desse encantador lugar está deliberando com os arquitetos do destino sobre o que fazer em seguida, quando a vida, assim de repente, muda o jeito de se comportar.

Prometo voltar a carga pela segunda.

A quem possa interessar.

Do amor (e outras invenções)

terça-feira, 11 de novembro de 2008


“Cara me diz ai porque é tão difícil lidar com mulher?”
Parei de comer aquela droga de comida que meu amigo tinha acabado de preparar, olhei pra fuça dele e vi mais uma vítima de qualquer paixão.
Devia me vingar por ter me feito de cobaia, mas pensei melhor, afinal de contas, consola-lo ia doer mais:

“Diz logo, qual é o problema?”.
Ele então desiste de cometer o suicídio ao comer aquilo que ele mesmo produziu no fogão, coloca o prato de lado, abre uma cerveja e derrama o verbo.

“Imagina a cena! Cheguei ontem na casa da Sueli, todo amoroso, louco pra beijar e sentir aquele corpinho dela deslizar entre meus dedos, a chamo no portão, ela manda entrar, corro pra dentro e o que encontro me deixa muito cabreiro”.

Estico o braço e abro uma cerveja também. Não consigo conter o sorriso de sarcasmo, provavelmente o cabeção encontrou um outro macho rondando o território e ficou todo ouriçado. Ri.

“E ai? Tinha alguém querendo demarcar o território lá também?”.
Faz cara de quem não gostou.

“Tão ruim quanto. Ela estava com aquela cara de quem está pronta pra discutir a relação, sabe?”.
Faço uma careta e ele concorda.
Penso comigo mesmo, porra, porque é tão difícil pra nós homens discutir a relação? Talvez seja porque não discutindo agente acaba enterrando os problemas dele em baixo do tapete, ou porque na maioria das vezes se torna um monólogo feminino e acabamos percebendo que, ou ela ta namorando outro cara, ou temos uma visão totalmente diferente da mesma situação. Ai nos dois casos o pau quebra.
Ele continua. Eu abro outra cerveja.
“Então... fico olhando a cara dela e tentando farejar o perigo, sabe, como um animal à espreita, tentando rever na minha mente alguma mancada que tenha dado e que por ventura ela, com aquela mania feminina de descobrir as merdas que agente apronta tenha, sabe... descoberto tudo”.
“Sei”.
“Bem, passou muita merda na minha cabeça e ela não dizia nada, então lancei mão de uns artifícios que na guerra do sexo são armas poderosas, primeiro elogiei seus cabelos e perguntei se havia mudado algo”.
“Seu verme” disse isso pensando que agente nunca faz nada direito e quando temos a chance de consertar as coisas, então ai sim, fazemos mais do mesmo, ou seja, merda.

“Eu sei, eu sei. Mas sabe de uma coisa? Não adiantou de nada, ela só fez dar um sorriso amarelo, dizer não e continuar com a carranca armada”.
“Parti então para o próximo ataque. Me aproximei dela e lhe fiz algum carinho, a beijei ali e aqui, enquanto perguntava se estava tudo bem, o que tinha acontecido, eu suava frio, sabe, a casa tinha caído eu fui o último a ser avisado”.
Olhei pra ele e imaginei a cena. Nos fazemos de forte, brigamos na rua, trocamos pneus de carro no braço, mas quando uma mulher faz cara de brava viramos umas criancinhas com medo da injeção e o medo se instala.

“Mané! Fala logo o que ela tinha, até eu estou curioso agora, aprontar com certeza você aprontou, não faz outra coisa mesmo”.
Ele aponta pra geladeira e pede pra eu pegar outra cerveja.

“Vou dizer, mas se prepara. Como disse o medo em mim já tinha se instalado, você me conhece, já dei todos os motivos praquela mulher largar de mim, mas se ela fizer isso eu tenho um treco, choro que nem criança, e peço pra voltar mesmo. Como eu não queria que a coisa chegasse a esse pé, entrei em pânico.
“Olhei pra ela e pensei em toda a bagunça, as farras, amigos e mulherada, me deu uma dor, pensei comigo, filho da puta valeu a pena?”.
“Valeu”? Disse isso dando risada.
“Cala a boca! Naquele momento só me restava uma coisa, abrir meu peito de dizer tudo, o quanto sou canalha e mulherengo e o quanto estava arrependido, foi quando peguei nas mãos dela e me preparei”
Acho que tinha bebido demais. Não podia estar ouvindo aquilo.

“E ai, conta logo!”.
“Bem ela me interrompeu quando estava abrindo a boca, olhou pra mim do jeito mais doce do mundo que se fosse diabético teria caído duro ali mesmo e o que ela disse você não vai acreditar”.
“Se você parar de enrolação e contar quem sabe”.
Tomou uma golada da cerveja. Riu e ...
“Cara! Ela olhou pra mim e me disse (fez um falsete com a voz aqui) “diz que me ama. Estou precisando ouvir isso, estou me achando tão feia hoje “cara eu não acreditei nisso”.
“Então quer dizer que toda a carranca dela era só hormônios ou coisa assim?”.
“Era”
“Mas e aquele papo de arrependido e tal, não mudou nada em você?”.
“HAAA! Aquilo. Bem sim, estou diferente sim, mas essa conversa eu deixo pra depois, sabe como é, vai ter uma festinha na casa da Leila e preciso da uma história pra Su”.
Que filho da puta!

Coro dos Escravos

terça-feira, 4 de novembro de 2008




Não há esperança para os fracos naquele terra. Triunfa a desordem e floresce às primaveras o medo e a angustia, se há o riso, ele nasce do desespero.
O sol nasce glorioso nos céus daquela terra, enquanto marcha em ritmo forte, homens e mulheres, semblantes sulcados pelos raios, pela esperança e sobretudo pela imposição da vida.
Não há esperança para os fracos lá.

Os jovens daquela terra desdenha do passado e se apóiam na inconsistência do futuro que ajudam a desconstruir.
Fraquejam sem esperança.

Os pensadores daquela terra montam seu altar em caixas televisivas, intelectualizam o preconceito, manipulam com o chicote das grandes corporações em riste, sempre pronto a punir a próxima revolução. São fracos e cínicos, sufocam com o próprio suor que goteja com sua culpa.

Não há esperança para os fracos naquela terra. Mas há os escravos dos dias e do tempo.

A eles há a glória pela busca por dias melhores e acreditam, mesmo que tácitamente, que não há honra na morte sem luta.

Os fracos! Os fracos de cima de suas muralhas de vidro e concreto, arranham o céu, mas não a face do Deus dos escravos lá em baixo.
Os escravos apesar de cegos, não se fazem de mudos, entoam o coro tão forte que há de abalar as estruturas das torres que abrigam os fracos, há de vergar o aço mais resistente e há de um dia despertar do berço esplêndido o gigante adormecido das américas.

Só espero que os jovens dessa terra despertem.

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A escultura acima se chama Gloria Victis, de Marius-Jean-Antonin Mercié.

Eu me esqueci de mencionar: O nome que da título ao texto(Coro dos escravos) é de uma ópera de Giuseppe Verdi, linda, majestosa e emocionante, vale a pena conferir nos youtubes da vida.

 
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