
"Sabe que quando te vi pela primeira vez te achei meio pedante?" - disse isso de repente, como se cuspisse um remédio amargo.
Ela se revirou na cama de forma brusca, embrulhou o cenho numa careta, e para sua própria surpresa riu dizendo:
"Não sabia Marcelo! Ma eu sei de uma coisa, também te achei estranho, se vestia como um ator para um papel de cafetão" - risadas.
"Que isso! Não era tão ruim assim! Lembro de nossas primeiras palavras, eu te olhava nos olhos, e você fugia, tentando fazer um ar blasé e eu pensava: "que chatinha"."
"Que bobo! Eu não fugia de seus olhares à Robert de Niro, eu na verdade estava fugindo do seu hálito, não sabia naquele momento, mas agora sabe, eu detesto menta"
"Nos beijamos naquela mesma noite, não foi"? - se mexe na cama e a olha de forma terna.
"Sim e lembro que apesar de estar meio alta, conseguia dar combate as investidas de suas mãos."
"É verdade, mas apesar de sua luta, bem que estava gostando" - afaga-lhe a cabeça.
"Estava mesmo, mas poderia ter se saido melhor, se fosse mais perseverante" - risos.
Por uns segundo eles se olham perdidos na luz um do outro! Cada qual desconhecia os pensamentos e aflições de cada, que contribuiriam para que nada daquilo estivesse acontecendo, para que ambos não estivesse dividindo a mesma cama. E apesar de todas as querelas existências que desafiam o ser humano e que prega, por vezes, de forma bem sucedida a devoção ao cinismo e a descrença no amor, estão ali, dois sobreviventes que colhiam o fruto, hora doce hora amargo, das escolhas que fizera.
Ele se lembra, agora com ar de coisa passageira, as renuncias que teve que fazer e que por tempos levou a baila da duvida se realmente valia a pena.
Ela, naqueles segundos de conversa boba, se inundava com as memórias, que não sabia à época, eram uma afronta a sua felicidade futura, nunca a todo momento presente, mas sempre recorrente.
Duvidou daquele homem, por todos os defeitos que se assomavam as vistas, mas apostou nas qualidades que teve que cavar e tirar proveito.
O mesmo ele fez, e mesmo nas horas de tempestade, que por vezes balançava o mundo de ambos, que na verdade era um mundo só, não tinham duvida, deram cada passo certo, mesmo quando em estradas erradas.
Exatamente por isso terminavam aquele papo de fim de noite, com sorriso e afagos, sabiam terem feito as escolhas certas, e viver é deixar as renuncias pra traz.
"Vou ser perseverante agora"
"Não! Estou com dor de cabeça"
"É por isso que te amo. Não sabe mentir"
"É por isso que te amo. Se engana fácil" - risos e fim de noite.
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Quero agradecer a Raquel do http://devaneioseloucuras-raquel.blogspot.com/ pela visita pelo presente e palavras.
E dedico o selo "Blog DE OURO à Carla M, ao Tyler, ao Gil, e a Tâmara do Intimidade.
Obrigado a todos vocês sempre. ( o selo tá lá embaixo)