O Adeus (causo do menino que crescia)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Deitei minha cabeça sobre o peito já nu há algum tempo.
Ouço um sussurro dizendo “não, deixe eu ir”
Mas eu não estava a segurando, não com meus braços.

Interessante que não queria àquela altura nada que abrandasse meu coração, queria tormenta, queria a fúria no olhar e lábios trêmulos de cólera. Ergui a cabeça que tinha encontrado casa naquele seio moreno e vejo que não teria o que queria.
Respirei fundo e mergulhei igualmente fundo no olhar dela que pairava acima de minha cabeça.
Eu a odiei, foi por um segundo ou menos, mas eu a odiei. Ela era muito superior a mim e seu olhar transmitia isso, seus gestos, seu corpo retesado naquela cama, nu e exalando sexo, tudo estava acima de mim, inclusive o sentimento que nutríamos um pelo outro, meu amor era só um mimo para meu ego.

Vagabunda.
Foi o que pensei na hora e não havia justiça nesse meu pensamento.
Ela afagou minha cabeça enquanto ainda olhava pra ela e ali me senti como um cachorro abandonado, sabem?
Assim, por dor e raiva, desci com minha língua ao meio das pernas daquela mulher e mergulhei nela o mais fundo e rápido que pude naquele sexo que antes era só fonte de prazer.
Fiz isso porque sabia que sexo aquela altura machucaria sua alma e lembrava que ela mesma havia dito que “gosto de você, mas não podemos ficar juntos”.

Sim fizemos sexo mais uma última vez e só depois de alguns anos, quando atingi a maturidade que aquela mulher já possuía, percebi que o que a incomodava não era o sexo como despedida e sim a lança que eu mesmo apontava contra meu peito.
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Esse é meu post de número 100 e como tal quero oferece-lo como agradecimento e homenagem a todos aqueles que vêem aqui e me fazem companhia.
Gente que aprendi a admirar e passei a gostar como se fosse um amigo próximo, porque amigos eu já os considero.
Que todas as alegrias sejam multiplicadas por 100.
Em especial á vocês:
Carla M
GilGomex
Barbarella
Laila
*.*Allegr!a*.*
HoneyBee
Marcelo
Larissa
Sam
Staphanie
Nina
Bruno
Arlequim
Ju carvalho.

Obrigado a todos vocês.

Domingo no Internacional.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008


Eu sou do tipo aventureiro, gosto de emoções fortes, brincadeiras perigosas, nunca dispenso um cocktail de adrenalina.
O problema é que por vezes me falta algum dinheiro para, digamos, dar um toque de sofisticação a esse meu lado James Bond, convenhamos nem sempre dá pra pular de para-quedas, fazer um Rapel ou mesmo me arriscar na Algusta aqui em Sampa com uma camisa escrita 100% negro.

Nessas horas que para aplacar minha sede sangue e glória resolvo fazer a única coisa plausível para um bandeirante como eu. Sigo até o shopping INTERNACIONAL DE GUARULHOS.
Sim meus caros. Uma vez dentro dele terá momentos inesquecíveis como se fosse nada mais é que uma personagem de cinema, envolto em emoções, corajoso, audaz, tendo que tomar a melhor decisão que levará o grupo ao qual lidera pra fora daqueles labirintos de loucura e lamentos.

Claro! A primeira vista parece com um shopping qualquer, cheio de som e fúria, a não ser pelo nome que nunca foi justificado, talvez por inveja do aeroporto local que se chama Aeroporto Internacional de Guarulhos, tenham também lhe dado o nome de Internacional e a não ser por umas pinturas mal feitas de pontos turísticos famosos e de uma casa de câmbio vazia, não vejo nada de internacional.
Mas nos apressemos para a aventura.

Na entrada somos recebidos com uma fonte que jorra litros e litros de água ao sabor do vento, molhando os desavisados, logo a frente portas de vidro que se abrem e fecham como por mágica, bastando somente nos aproximarmos.
A travessia pela estrada da fonte até suas portas mágicas é calma, mas no primeiro segundo dentro de suas dependências, podemos sentir a força daquela construção e o que nos espera logo a frente.
No hall de entrada vemos duas escadas que se movem no sentido oposto, a que leva pra cima costuma ser guardada por duas beldades sorridentes e de corpo escultural.
Malditas sejam!
Eu, cauteloso que sou, observo um humano que, atraido pelos encantos das beldades, ou mesmo empurrado pela necessidade de subir as escadas, perigosamente se aproxima de mais. O que se segue é além do terrível para que qualquer língua mundana possa descrever, lamento ser eu portador desse fardo. Elas o cercam sempre sorridentes, fechando o cerco sem ao menos dar a chance para a vítima pensar no que acontece, o medo deforma seu rosto quando uma delas mostra o emblema do Mastercard, já é tarde de mais para ele.
Mais que depressa viro meu rosto e sigo na direção norte no primeiro entrave a esquerda, meus passos rápidos não me deixam ver a placa que diz:

MAcDONALD'S.

Esse sentido nos leva a um largo corredor onde vemos vitrines com roupas femininas de um lado e mulheres com olhos arregalados e brilhantes do outro. Parecem dominadas por algum tipo de encanto, pouco falam, nada ouvem. Seus parceiros em vão tentam empurra-las pra fora daquela área mas desesperados percebem que não é possível, alguns choram quando vêem suas mulheres saindo com sacolas e sacolas das lojas.
Por todo o lado se ouve e vê o mantra de adoração em letras garrafais:

OFERTA. 50% OFF. LIQUIDAÇÃO.

Sigo em frente. Procuro, tentando me desviar sacolas e entregadores de papeis, o segundo par de escadas que me levara para o topo daquela construção, a direita da saída do corredor da liquidação feminina eu as vejo, gêmeas de personalidade diferentes, uma desce outra sobe.
Mas para alcança-las eu teria que enfrentar um grande obstáculo: o CHOPP TIME.

O Chopp Time e um tipo de taverna moderna com bebidas caras e fora da realidade e da cotação de qualquer moeda, onde os bravos guerreiros que conseguiam chegar ali poderiam se embebedar e assistir a algum jogo no telão, tentar alguma coisa com as damas locais ou ouvir musica ao vivo.
Como eu, depois de tudo que tinha passado poderia resistir àquele oásis? O problema é que minha aventura poderia acabar ali se não conseguisse resistir, meu fim seria sóbrio e sem dinheiro.
Respirei fundo e a passos cuidadosos tentei seguir sem olhar mas sabendo que ao lado tinha uma tentadora foto de um chopp, espumoso e gelado me convidando de dentro de uma caneca segurada por uma daquelas gostosas de comerciais, dizendo:

- Idiota! Não está vendo que sou uma gostosa com um chopp na mão? Do que mais precisa pra gastar toda sua grana aqui?
Eu sorria. E quando já estava, cego, seguindo em direção ao bar um alarme horrível soou, tão diferente e grotesco que fui despertado do transe.
Tentando entender o que acontecia e procurando com os olhos o inimigo dos meus ouvidos, vejo bem perto de mim as gêmeas. Era minha salvação. Corro.
Atinjo com pés pesados os degraus, na metade do caminho vejo a fonte daquele barulho que havia me despertado do transe, era um dupla de cantores sertanejos que fazia um apresentação ali.

Abano a cabeça e olho pra cima. O que vejo me aterroriza. Meu coração entra em disparo, meu desespero é tal que penso em voltar na contra mão da escada. Não é possível.
A traiçoeira escada me leva direto a ela. A terrível ZUKEN CO.


continua...

Pausa na programação.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A quem possa interessar.

O Sarge esta em recesso.
O juiz desse encantador lugar está deliberando com os arquitetos do destino sobre o que fazer em seguida, quando a vida, assim de repente, muda o jeito de se comportar.

Prometo voltar a carga pela segunda.

A quem possa interessar.

Do amor (e outras invenções)

terça-feira, 11 de novembro de 2008


“Cara me diz ai porque é tão difícil lidar com mulher?”
Parei de comer aquela droga de comida que meu amigo tinha acabado de preparar, olhei pra fuça dele e vi mais uma vítima de qualquer paixão.
Devia me vingar por ter me feito de cobaia, mas pensei melhor, afinal de contas, consola-lo ia doer mais:

“Diz logo, qual é o problema?”.
Ele então desiste de cometer o suicídio ao comer aquilo que ele mesmo produziu no fogão, coloca o prato de lado, abre uma cerveja e derrama o verbo.

“Imagina a cena! Cheguei ontem na casa da Sueli, todo amoroso, louco pra beijar e sentir aquele corpinho dela deslizar entre meus dedos, a chamo no portão, ela manda entrar, corro pra dentro e o que encontro me deixa muito cabreiro”.

Estico o braço e abro uma cerveja também. Não consigo conter o sorriso de sarcasmo, provavelmente o cabeção encontrou um outro macho rondando o território e ficou todo ouriçado. Ri.

“E ai? Tinha alguém querendo demarcar o território lá também?”.
Faz cara de quem não gostou.

“Tão ruim quanto. Ela estava com aquela cara de quem está pronta pra discutir a relação, sabe?”.
Faço uma careta e ele concorda.
Penso comigo mesmo, porra, porque é tão difícil pra nós homens discutir a relação? Talvez seja porque não discutindo agente acaba enterrando os problemas dele em baixo do tapete, ou porque na maioria das vezes se torna um monólogo feminino e acabamos percebendo que, ou ela ta namorando outro cara, ou temos uma visão totalmente diferente da mesma situação. Ai nos dois casos o pau quebra.
Ele continua. Eu abro outra cerveja.
“Então... fico olhando a cara dela e tentando farejar o perigo, sabe, como um animal à espreita, tentando rever na minha mente alguma mancada que tenha dado e que por ventura ela, com aquela mania feminina de descobrir as merdas que agente apronta tenha, sabe... descoberto tudo”.
“Sei”.
“Bem, passou muita merda na minha cabeça e ela não dizia nada, então lancei mão de uns artifícios que na guerra do sexo são armas poderosas, primeiro elogiei seus cabelos e perguntei se havia mudado algo”.
“Seu verme” disse isso pensando que agente nunca faz nada direito e quando temos a chance de consertar as coisas, então ai sim, fazemos mais do mesmo, ou seja, merda.

“Eu sei, eu sei. Mas sabe de uma coisa? Não adiantou de nada, ela só fez dar um sorriso amarelo, dizer não e continuar com a carranca armada”.
“Parti então para o próximo ataque. Me aproximei dela e lhe fiz algum carinho, a beijei ali e aqui, enquanto perguntava se estava tudo bem, o que tinha acontecido, eu suava frio, sabe, a casa tinha caído eu fui o último a ser avisado”.
Olhei pra ele e imaginei a cena. Nos fazemos de forte, brigamos na rua, trocamos pneus de carro no braço, mas quando uma mulher faz cara de brava viramos umas criancinhas com medo da injeção e o medo se instala.

“Mané! Fala logo o que ela tinha, até eu estou curioso agora, aprontar com certeza você aprontou, não faz outra coisa mesmo”.
Ele aponta pra geladeira e pede pra eu pegar outra cerveja.

“Vou dizer, mas se prepara. Como disse o medo em mim já tinha se instalado, você me conhece, já dei todos os motivos praquela mulher largar de mim, mas se ela fizer isso eu tenho um treco, choro que nem criança, e peço pra voltar mesmo. Como eu não queria que a coisa chegasse a esse pé, entrei em pânico.
“Olhei pra ela e pensei em toda a bagunça, as farras, amigos e mulherada, me deu uma dor, pensei comigo, filho da puta valeu a pena?”.
“Valeu”? Disse isso dando risada.
“Cala a boca! Naquele momento só me restava uma coisa, abrir meu peito de dizer tudo, o quanto sou canalha e mulherengo e o quanto estava arrependido, foi quando peguei nas mãos dela e me preparei”
Acho que tinha bebido demais. Não podia estar ouvindo aquilo.

“E ai, conta logo!”.
“Bem ela me interrompeu quando estava abrindo a boca, olhou pra mim do jeito mais doce do mundo que se fosse diabético teria caído duro ali mesmo e o que ela disse você não vai acreditar”.
“Se você parar de enrolação e contar quem sabe”.
Tomou uma golada da cerveja. Riu e ...
“Cara! Ela olhou pra mim e me disse (fez um falsete com a voz aqui) “diz que me ama. Estou precisando ouvir isso, estou me achando tão feia hoje “cara eu não acreditei nisso”.
“Então quer dizer que toda a carranca dela era só hormônios ou coisa assim?”.
“Era”
“Mas e aquele papo de arrependido e tal, não mudou nada em você?”.
“HAAA! Aquilo. Bem sim, estou diferente sim, mas essa conversa eu deixo pra depois, sabe como é, vai ter uma festinha na casa da Leila e preciso da uma história pra Su”.
Que filho da puta!

Coro dos Escravos

terça-feira, 4 de novembro de 2008




Não há esperança para os fracos naquele terra. Triunfa a desordem e floresce às primaveras o medo e a angustia, se há o riso, ele nasce do desespero.
O sol nasce glorioso nos céus daquela terra, enquanto marcha em ritmo forte, homens e mulheres, semblantes sulcados pelos raios, pela esperança e sobretudo pela imposição da vida.
Não há esperança para os fracos lá.

Os jovens daquela terra desdenha do passado e se apóiam na inconsistência do futuro que ajudam a desconstruir.
Fraquejam sem esperança.

Os pensadores daquela terra montam seu altar em caixas televisivas, intelectualizam o preconceito, manipulam com o chicote das grandes corporações em riste, sempre pronto a punir a próxima revolução. São fracos e cínicos, sufocam com o próprio suor que goteja com sua culpa.

Não há esperança para os fracos naquela terra. Mas há os escravos dos dias e do tempo.

A eles há a glória pela busca por dias melhores e acreditam, mesmo que tácitamente, que não há honra na morte sem luta.

Os fracos! Os fracos de cima de suas muralhas de vidro e concreto, arranham o céu, mas não a face do Deus dos escravos lá em baixo.
Os escravos apesar de cegos, não se fazem de mudos, entoam o coro tão forte que há de abalar as estruturas das torres que abrigam os fracos, há de vergar o aço mais resistente e há de um dia despertar do berço esplêndido o gigante adormecido das américas.

Só espero que os jovens dessa terra despertem.

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A escultura acima se chama Gloria Victis, de Marius-Jean-Antonin Mercié.

Eu me esqueci de mencionar: O nome que da título ao texto(Coro dos escravos) é de uma ópera de Giuseppe Verdi, linda, majestosa e emocionante, vale a pena conferir nos youtubes da vida.

Pausa para o café.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Ellen, agradeço intensamente pelo carinho e presentes ofertado a mim:



Quero repassar o agrado a um blog que conheci pouco tempo mas que me fez perder algumas horas lendo tudo que está, é ele:

BELEZA DO SER
Também sei que deve estar cansativo dona Carla M mas são pra você também :)
Até.

Receita de Felicidade

quarta-feira, 29 de outubro de 2008


...então eles viveram felizes para sempre.
O velho fechou o livro e olhou para o garoto na cama sabendo muito bem que ele não havia dormido:

- Vô? Todo mundo que se casa vive feliz pra sempre?

O velho ali sentado traça mais uma ruga em seu rosto quando ri da questão:

- Não Igor, alguns são felizes por bem pouco tempo.

O garoto olha ainda interrogativo para o avô, se ergue na cama e solta:

- E você e a vó são "feliz" pra sempre?

Aquela pergunta feita tão despretensiosamente, de súbito o envolve em um redemoinho de lembranças que logo o leva ao dia em que a conheceu.

"Posso me sentar aqui, senhorita?"
Tinha um frescor, uma juventude, um sorriso tão belo.

A cena se vai, a onda de lembranças arrebenta forte em sua cabeça, voraz, e logo esta ele em outra ocasião, anos depois no namoro.

"Não vê que eu te amo, Marina?"
"Eu te odeio, Jorge!"
Por que foi mesmo que brigamos...

Não há tempo pra resposta, o turbilhão logo o leva ao dia exato de seu casamento, horas antes.

"Jorge, esquece ela, vem comigo"
"Não Inês, é ela que escolhi, além do que ela espera um filho meu"
"Pode beijar a noiva"

Rápido como uma brisa noturna mais um pensamento lhe assalta.

"Estamos ferrados Marina, eu fui demitido"
"Tenha fé Jorge, vamos conseguir"

Com um estalo ele se lembra do tapa que desferiu no rosto dela, os garotos já grandinhos assistiam a cena assustados.

"Marina... me desculpa... eu."
"Vou levar as crianças pra minha mãe"

Nunca se perdoou por aquilo.

"Jorge, vamos, vai se atrasar para o casamento do seu filho!"
"Já vou amor, você sempre me apressa."

E mais e mais memória.

"Nosso neto nasceu Marina!"
"É Jorge, temos uma familia linda."

Aos poucos ele ouve a voz do garoto suplicante:

- Vô, vô, vô...

Ele volta do redemoinho:

- Talvez você não entenda agora Igor, mas eu e sua vó fomos tão felizes quando nos permitimos ser.
Agora vai dormir.

Boa noite, vô.

A mão que balança o berço(Causos do menino que crescia)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008


Lembro a forma cuidadosa como estiquei a toalha em cima da mesa e como que, com alguns gestos de mão, espanava uma ou outra sujeira imaginária que havia por ali.
Lembro também que àquelas mesmas mãos horas antes castigavam uma massa que logo seria nossa refeição.
Minha falta de maturidade me fazia sentir homem grande, afinal de contas eu tinha preparado aquele almoço sozinho, sabe, coisa de homem moderno e dedicado a mulher com um leve toque de romantismo. Engraçado pensar nisso agora.
Voltando mais um pouco, penso nos anos anteriores ao daquele almoço, quando nos conhecemos, muito tempo antes alias. Eu tinha os pés descalço e jogava bola com os amigos, nas ruas por asfaltar de minha casa, ela era só uma garotinha que fazia pose de mulher crescida e olhava aqueles pirralhos todos com ar de desgosto.

Exigiu mais de mim que dela estarmos dividindo aquela mesa, de vê-la sorrir, surpresa com tudo, de sentir que ela estava orgulhosa seja lá com que fosse ali.
Não digo sobre o preparo da comida, mas falo do percurso até ela.
Tive que aprender dia-a-dia todas as verdadeiras malícias da vida, tive que deixar os pés descalços no pretérito e transformar as confusões que gostava tanto de entrar em histórias de mesa e de amigos.
O mais difícil e talvez a lição mais valiosa que ela exigiu de mim foi no ato de aprender a chorar. Eu tive que parir essa habilidade, doeu, como dói o nascimento do novo e como um rio rompendo uma barragem eu o fiz, tentando vencer a vergonha e ao mesmo tempo descobrindo que não era vergonha nenhuma chorar por algo que ser quer.

A conversa naquele dia foi bem leve a não ser por um momento, me lembro.
Falávamos sobre fazer ou não faculdade, sobre os amigos de infância, sobre temperos e o fato de elas se sentir constrangida por eu (segundo sua bondade) cozinhar melhor que ela.
Uma fatia daquelas palavras ainda reverbera em minha cabeça:

- Sabe que você pode ser melhor que tudo isso, não? - sua voz ali era de pesar
- Sabe que não gosto quando fala assim, como seu eu fosse melhor do que apresento.
- Mas sabe que tem potencial pra ser, tem tanta inteligência no planejamento, só falta disposição para execução.

Eu realmente odiava quando falava assim comigo, me sentia como uma criança que faltou à alguma aula.
Acontece que crescer dói e tratamos os agentes do crescimento como algoz.

- Ta bom! Ta bom! Sei que tenho que melhorar alguns aspectos da minha personalidade, mas não quero estragar esse dia falando de mim - rimos alto e todo o peso da conversa se foi.

Tenho muitas saudades dela, pois, em alguma curva mal feita de nossas vidas fomos separados, ela e eu fomos indo de vagar até cada um sumir no horizonte do outro.
Costumo imaginar como ela esta, se tem filhos, se terminou a faculdade comprou uma casa algum lugar e dorme mal por causa das dívidas.
Se ainda se lembra de mim.

Eu mudei muito desde que nós vimos pela última vez, e ela foi parte no processo, só lamento dizer que uma coisa não mudou, cozinho tão mal quanto antes.

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Agradeço a gentileza de duas pessoinhas muito bacanas que me presentearam cada uma com um selo, são elas a Arlequim e minha nova velha amiga Barbarella.
Agradeço sempre a presença das duas aqui.
Eu os ofereço a todos da minha lista de blogs ai ao lado, sirvam-se, está la em baixo. :)
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Quero oferecer esse texto a minha doce amiga TG, amigas das horas tardias e fã dos causos do menino que crescia.
A você com carinho.

Carta de amor às avessas.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


"Sabe que quando te vi pela primeira vez te achei meio pedante?" - disse isso de repente, como se cuspisse um remédio amargo.

Ela se revirou na cama de forma brusca, embrulhou o cenho numa careta, e para sua própria surpresa riu dizendo:

"Não sabia Marcelo! Ma eu sei de uma coisa, também te achei estranho, se vestia como um ator para um papel de cafetão" - risadas.
"Que isso! Não era tão ruim assim! Lembro de nossas primeiras palavras, eu te olhava nos olhos, e você fugia, tentando fazer um ar blasé e eu pensava: "que chatinha"."
"Que bobo! Eu não fugia de seus olhares à Robert de Niro, eu na verdade estava fugindo do seu hálito, não sabia naquele momento, mas agora sabe, eu detesto menta"
"Nos beijamos naquela mesma noite, não foi"? - se mexe na cama e a olha de forma terna.
"Sim e lembro que apesar de estar meio alta, conseguia dar combate as investidas de suas mãos."
"É verdade, mas apesar de sua luta, bem que estava gostando" - afaga-lhe a cabeça.
"Estava mesmo, mas poderia ter se saido melhor, se fosse mais perseverante" - risos.

Por uns segundo eles se olham perdidos na luz um do outro! Cada qual desconhecia os pensamentos e aflições de cada, que contribuiriam para que nada daquilo estivesse acontecendo, para que ambos não estivesse dividindo a mesma cama. E apesar de todas as querelas existências que desafiam o ser humano e que prega, por vezes, de forma bem sucedida a devoção ao cinismo e a descrença no amor, estão ali, dois sobreviventes que colhiam o fruto, hora doce hora amargo, das escolhas que fizera.
Ele se lembra, agora com ar de coisa passageira, as renuncias que teve que fazer e que por tempos levou a baila da duvida se realmente valia a pena.
Ela, naqueles segundos de conversa boba, se inundava com as memórias, que não sabia à época, eram uma afronta a sua felicidade futura, nunca a todo momento presente, mas sempre recorrente.
Duvidou daquele homem, por todos os defeitos que se assomavam as vistas, mas apostou nas qualidades que teve que cavar e tirar proveito.
O mesmo ele fez, e mesmo nas horas de tempestade, que por vezes balançava o mundo de ambos, que na verdade era um mundo só, não tinham duvida, deram cada passo certo, mesmo quando em estradas erradas.
Exatamente por isso terminavam aquele papo de fim de noite, com sorriso e afagos, sabiam terem feito as escolhas certas, e viver é deixar as renuncias pra traz.

"Vou ser perseverante agora"
"Não! Estou com dor de cabeça"
"É por isso que te amo. Não sabe mentir"
"É por isso que te amo. Se engana fácil" - risos e fim de noite.

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Quero agradecer a Raquel do http://devaneioseloucuras-raquel.blogspot.com/ pela visita pelo presente e palavras.
E dedico o selo "Blog DE OURO à Carla M, ao Tyler, ao Gil, e a Tâmara do Intimidade.
Obrigado a todos vocês sempre. ( o selo tá lá embaixo)

Minha Geração

sábado, 11 de outubro de 2008


Querido Papai Noel!

Em primeiro lugar foda-se que não seja natal e nem mesmo Dezembro, não ligo a mínima pelas imposições feitas por essa sociedade capitalista de merda ao qual o senhor é um símbolo majoritário, eu só quero poder viver sob a bandeira da pobreza, sob ideais socialistas com amigos socialistas que se socializam sob o efeito de alguma bebida alcoólica cara, o problema que pra isso eu preciso de algum dinheiro e se tivesse dinheiro não estava aqui falando mau da capitalismo, não é mesmo?

Não se iluda homem de vermelho! Não sou um vendido como dizem por ai. Sou um negociador que joga pesado, acontece que o problema esta com essa modernização da porra da sociedade, onde ninguém respeita as velhas tradições e quando tentei vender, ou melhor, negociar minhas velhas ideologias aos homens de frente, sabe o que fizeram? Me deram em troca uma carteira assinada e 8 horas de serviços diários e ainda por cima me proibiram de entrar na empresa com minha camisa do Che Guevara por ser partidária de mais. Filhos da puta! Paguei 20 reais por ela e nem posso exibi-la por ai, acham que é barato ser anti toda essa porra!

Eu sei que vai ficar contente ao saber que após aderir a todas as greves as quais algumas eu fiz em carreira solo (povo desunido!) fui sumariamente expulso das corporações "QUERO SUA ALMA".
Ria à vontade, mas saiba que saí de lá de cabeça erguida e 100 pratas no bolso, fruto do minha tentativa em mudar a humanidade. Com esse dinheiro financiei minha guerra.
Comprei uma camisa de uma banda punk que nunca tinha ouvido mas parecia agressiva e um violão usado e armado sai às ruas compondo meus hinos de liberdade.

Mais uma vez a merda da humanidade não estava preparada para aceitar o que eu oferecia e o mundo livre mais uma vez me tolhia a liberdade. Debaixo de porrada dos PMs (opressores, eu pago o salário deles pra eles me baterem!) tive que recuar com meus planos.
Seu velho desalmado! Saiba que enquanto lê essa carta eu estou fazendo seu jogo, mas é por pouco tempo, voltei a casa do meu pai e aceitei o trabalho sujo que me ofereceu, em troca só preciso aceitar que ele me pague a faculdade e assistir algumas aulas depois de fumar uma erva.
Logo mais estarei a frente dos seus negócios, quando se aposentar, e veremos quem vai escrever pra quem pedindo um violão novo, seu filho da puta!


Carinhosamente "Minha Geração"
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Quero agradecer a minha querida amiga Carla M DosCrimes pelo selo que me presenteou e para Anne O do infelizmente extinto Crônicas no Divã.
Meu sempre obrigado pelas visitas.
Quero repassar o selo "ESSE BLOG É INTILGENTE" que está laaaaá em baixo para o "de uma leveza insustentável" da Stephanie e para o Palavras Nuas.

Até

 
Blog do Sarge - Templates para novo blogger